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36o Congresso Vegetariano Mundial da IVU - depoimento de Marly Winckler

“Em 1995, quando me tornei vegana, não conhecia nenhum vegano e nenhum lugar que servisse opções veganas no Rio de Janeiro, onde morava. Eu tive que cavar meu espaço, começou tudo de novo, sendo que bem mais restrito do que quando me tornei vegetariana ovo-lacto, 12 anos antes. Voltei do Festival Vegano de San Diego determinada a utilizar uma ferramenta nova – a Internet – para divulgar o vegetarianismo e ajudar…

Informações do evento

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“Em 1995, quando me tornei vegana, não conhecia nenhum vegano e nenhum lugar que servisse opções veganas no Rio de Janeiro, onde morava. Eu tive que cavar meu espaço, começou tudo de novo, sendo que bem mais restrito do que quando me tornei vegetariana ovo-lacto, 12 anos antes. Voltei do Festival Vegano de San Diego determinada a utilizar uma ferramenta nova – a Internet – para divulgar o vegetarianismo e ajudar pessoas que, como eu, encontravam dificuldades no dia a dia, criei então o Sítio Vegetariano. E abri, no Yahoo, duas listas pioneiras de discussão: a veg-brasil e a veg-latina. Começaram a aparecer vegetarianos e simpatizantes de todas as partes! O clima era muito bom, de auxílio mútuo e descobertas. 

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Marly Winckler

Desde 2000, eu era Representante Regional para a América Latina da International Vegetarian Union (IVU) e, em 2002, no Congresso na Escócia, apresentei a proposta de organizar um Congresso Vegetariano Latino-Americano. O pessoal ouviu, mas ninguém se interessou muito. Porém, isso foi providencial, pois o Congresso seguinte, em 2004, seria em Cingapura. No entanto, logo após o evento em Edimburgo, houve uma crise econômica e posteriormente um surto de gripe aviária. Cingapura quebrou e cancelou o evento. No Conselho da IVU perguntaram se eu não queria organizar e aceitei, com a condição de que me ajudassem a pagar a conta caso houvesse prejuízo. Foi um tiro no escuro, como eles disseram, pois até então era sempre uma Sociedade Vegetariana bem estruturada que organizava os eventos da IVU. Mas deu tudo certo e até ajudou a IVU a se reerguer, pois muitos estavam pensando em encerrar as atividades na época. 

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Sociedade Vegetariana Brasileira - SVB

Para organizar o Congresso, coloquei em prática um velho plano, de fundar uma associação vegetariana, e então, em 2003, criei a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), pois eu não poderia fazer o Congresso em meu nome. Por ter participado de acontecimentos internacionais importantes, como o Congresso Vegetariano Mundial da IVU na Holanda, em 1994, o Festival Vegano na Califórnia, em 1995, o Congresso da Escócia, em 2002 etc. desde o início estava claro o que a SVB seria e se tornou: ter projetos, campanhas, tentar influenciar as políticas públicas, além dos eventos para reunir vegetarianos e simpatizantes (nada substitui o contato pessoal) e pautar os principais temas relacionados ao veganismo. 

Mas foi difícil. Para criar a SVB fui de casa em casa em Florianópolis, onde morava, colher assinaturas. Dos 7 que assinaram o primeiro Estatuto, 3 eram parentes meus, que eram vegetarianos. E eu mesma fui no cartório de registrei tudo.

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A SVB foi criada, em 2003, com um lastro que a impulsionou: o 36o Congresso Vegetariano Mundial da IVU. 

Levei vinte anos para descobrir os benefícios e as delícias de ser vegetariana; e mais dez para descobrir que melhor ainda é ser vegana. Como muitos dizem, o único arrependimento é não ter descoberto antes.

É muito bom saber que você não está ligada aos impactos da produção de carne e derivados, como ovos e leite. É como sair de um círculo vicioso e entrar em um círculo virtuoso. Só tem coisa boa. 

Mas por mais que nossa causa tenha se expandido enormemente, thanks God, não dá para baixar a guarda, muito trabalho ainda nos espera. Sigamos em frente!”

Marly Winckler presidente da IVU – presidente-fundadora da SVB (2003-2015)

Veja Depoimentos do Congresso 2004

Veja Depoimentos 20 anos depois....

Autoria preservada do acervo

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