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7. Alcoolismo

Já foi feita alusão aos deploráveis efeitos indiretos do consumo de carne. Entre eles, o alcoolismo é um dos mais comuns. Um reformador americano, que durante mais de quarenta anos se dedicou a proferir palestras sobre o tema da dipsomania e que, desde o início(p. 57)de sua carreira, observou cuidadosamente as causas dessa doença em um número imenso de pessoas de todas as classes, nos diversos países e climas que…

Já foi feita alusão aos deploráveis efeitos indiretos do consumo de carne. Entre eles, o alcoolismo é um dos mais comuns.

Um reformador americano, que durante mais de quarenta anos se dedicou a proferir palestras sobre o tema da dipsomania e que, desde o início
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de sua carreira, observou cuidadosamente as causas dessa doença em um número imenso de pessoas de todas as classes, nos diversos países e climas que visitou, afirma sem reservas que o uso de alimentos de origem animal, pela excitação que exerce sobre o sistema nervoso, prepara o caminho para hábitos de intemperança no consumo de bebidas, e que, sendo iguais as demais condições, quanto maior o consumo de carne, maior é a tentação de recorrer a bebidas fortes e pungentes, e mais grave o perigo de alcoolismo estabelecido.

Muitos médicos experientes fizeram observações semelhantes e agem sabiamente com base nelas no tratamento de dipsomaníacos. (1)

O Dr. Austin Flint, do Harvard Medical College, é de opinião que o uso de carne deve ser sempre proibido em todos os casos de gastrite aguda ou crônica, porque as propriedades estimulantes da carne são invariavelmente mal toleradas por um estômago doente e debilitado.

Ora, sabemos que a gastrite crônica sempre, mais cedo ou mais tarde, acompanha o alcoolismo, e que um de seus sintomas é a sede excessiva, que, nos casos agravados, torna-se quase contínua.

Há, nesse estado de coisas, um verdadeiro círculo de causa e efeito: os alimentos de origem animal mantêm a gastrite por meio da superestimulação e da sobrecarga do órgão afetado; a gastrite provoca sede; a sede perpetua a embriaguez.

E, como sabemos que os princípios dominantes da carne são precisamente aqueles cuja digestão se realiza no estômago, compreende-se facilmente quão prejudicial deve ser, para um órgão já doente ou enfraquecido, o trabalho prolongado e exclusivo que lhe é imposto por um regime altamente nitrogenado.

O Dr. Jackson, médico-chefe de um asilo para alcoólatras
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em Dansville (Estados Unidos), observa que sempre considerou impossível beneficiar permanentemente seus pacientes enquanto lhes fosse permitido consumir alimentos de origem animal, cujo uso ele considera uma barreira absoluta à cura radical.

É evidente, segundo ele, que a carne contém certos princípios extra-alimentares que excitam o sistema nervoso a tal ponto que acabam por esgotá-lo e degenerá-lo, privando-o de toda força vital.

Esse estado de exaustão, acrescenta, dá origem a um acesso de desejo por estímulos anormais, e o desejo por álcool é assim renovado e mantido.

Todo paciente que se coloca sob os cuidados do Dr. Jackson é, portanto, obrigado a seguir as regras do estabelecimento e a abster-se completamente de todos os alimentos de origem animal, bem como de chá, café e tabaco.

Nessas condições, afirma o Dr. Jackson, um homem não pode deixar de tornar-se sóbrio e regenerado, sendo impossível viver durante seis meses exclusivamente de pão de farinha integral, vegetais e frutas maduras, como maçãs, peras, damascos, pêssegos, etc., sem libertar-se completamente da febre do alcoolismo.

Tal regime renova completamente o organismo e destrói o apetite por bebidas fortes; prova disso, continua o Dr. Jackson, pode ser observada a qualquer momento no estabelecimento sob sua direção, onde o tratamento exclui totalmente o uso de medicamentos, baseando-se exclusivamente na regulação da dieta e no uso de banhos.

Em seguida, quanto a outros excessos correlatos, não é difícil compreender que a estimulação e a irritação produzidas nos centros nervosos pela ingestão constante de carnes altamente nitrogenadas e excitantes influenciam de modo poderoso as funções genitais e estabelecem uma condição de insaciabilidade premente.

Sem nos determos nos detalhes desta parte do assunto,
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basta observar, de passagem, que as causas mais profundas, verdadeiras e gerais da prostituição em todas as grandes cidades devem ser buscadas nos hábitos luxuosos e intemperantes de alimentação e bebida predominantes entre as classes ricas e abastadas.

O principal elemento desse luxo é o uso de carne e álcool, que noções equivocadas de higiene e terapêutica tendem a impor cada vez mais a todas as classes de homens e mulheres.

Aboli a carnivoria e seu vício associado, o alcoolismo, e se fará mil vezes mais para abolir a prostituição do que qualquer outro meio poderia alcançar enquanto essas duas influências nocivas continuarem a existir.

O jovem da atualidade, acostumado desde a infância a refeições frequentes e abundantes de carne, e desde cedo ao consumo de toda sorte de bebidas fermentadas e licores, carrega consigo e alimenta um apetite cada vez mais desordenado, que não raramente assume o caráter de verdadeira doença, destruindo toda capacidade para os deveres e os prazeres mais elevados da vida intelectual e refinada.


NOTA DE RODAPÉ

(57:1) Vegetarianism the Radical Cure for Intemperance, H. B. Fowler, Nova York.

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Autoria preservada do acervo

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