6. . Efeitos Estimulantes da Alimentação com Carne
Mas, se é incontestavelmente demonstrável que a alimentação proporcionada por uma dieta vegetal é mais eficaz, mais variada, mais rica em princípios nutritivos e dinâmicos e mais adequada às necessidades do homem do que os alimentos de origem animal — cuja superioridade, sob todos esses pontos de vista, foi sustentada por tanto tempo — também é possível apresentar evidências de fatos que tendem a provar que o uso de…
Mas, se é incontestavelmente demonstrável que a alimentação proporcionada por uma dieta vegetal é mais eficaz, mais variada, mais rica em princípios nutritivos e dinâmicos e mais adequada às necessidades do homem do que os alimentos de origem animal — cuja superioridade, sob todos esses pontos de vista, foi sustentada por tanto tempo — também é possível apresentar evidências de fatos que tendem a provar que o uso de alimentos animais produz um efeito análogo ao do álcool; que estimulam e excitam o sistema nervoso; que desgastam rapidamente seus elementos, assim como os de todo o organismo; e que, assim, diminuem indiretamente a resistência vital e a duração natural da vida.
E, embora possa parecer exagero afirmar que o uso de carne induz à morte prematura, é certamente verdadeiro que acelera a chegada da velhice e o aparecimento de doenças e diátese, tanto por seus efeitos diretamente nocivos ao organismo quanto pelos hábitos que engendra, como o alcoolismo, a incontinência e os excessos de toda espécie.
Referindo-se aos efeitos imediatos sobre o sistema nervoso da ingestão de carne, o Dr. Pavy afirma:
“Os alimentos de origem animal exercem um efeito mais estimulante sobre o organismo do que a alimentação vegetal. Relatos indicam que as propriedades estimulantes dos alimentos animais foram suficientes, em indivíduos acostumados apenas a uma dieta vegetal, para produzir um estado semelhante à intoxicação.
O Dr. Dundas Thompson cita um relato dos efeitos de uma refeição de carne sobre alguns indígenas
cuja alimentação habitual, como é comum entre sua tribo, consistia apenas de alimentos vegetais. Eles se banquetearam luxuosamente, empanturrando-se como se nunca mais fossem comer. Após uma ou duas horas, para grande surpresa e divertimento do observador, a expressão de seus rostos, sua fala incoerente e seus gestos demonstravam claramente que o banquete havia produzido o mesmo efeito que qualquer bebida alcoólica ou droga intoxicante. O segundo banquete produziu o mesmo resultado.”
O Dr. Druitt também, ao descrever as propriedades de uma essência líquida de carne preparada segundo suas instruções, afirma que ela exerce um poder estimulante rápido e notável sobre o cérebro, e a apresenta como auxiliar e substituto parcial do conhaque em todos os casos de exaustão ou fraqueza acompanhados de depressão cerebral ou desânimo.
Propriedades estimulantes semelhantes foram atribuídas a outros compostos análogos.
Eu próprio conheci uma jovem de temperamento nervoso que raramente se permitia consumir mais do que um único prato de alimentos de origem animal em uma mesma refeição, por receio de se tornar excessivamente excitada. Um dia, estando muito faminta, transgrediu sua regra e comeu duas costeletas de carneiro e, como eu estava sentado ao seu lado, testemunhei o resultado desse excesso, que logo se manifestou sob a forma de um verdadeiro estado de intoxicação.
É certo que o comportamento até mesmo dos animais pode ser modificado pelo caráter de sua alimentação. No Lancet, Justus von Liebig sustenta que a ingestão de carne produz, nas raças carnívoras, a disposição feroz e belicosa que as distingue dos herbívoros.
Um urso mantido no Museu Anatômico de Giessen demonstrava um caráter tranquilo e dócil enquanto era alimentado exclusivamente com pão, mas alguns dias de alimentação com carne o tornaram agressivo e até bastante perigoso.
Sabe-se bem que os porcos se tornam irritadiços quando lhes é dada alimentação à base de carne e, nessas condições, podem atacar seres humanos; e que cães mantidos para proteger casas e propriedades são frequentemente alimentados com carne justamente para torná-los ferozes, combativos e, portanto, perigosos para ladrões.
Cães de caça, como bloodhounds e foxhounds, e, na verdade, todos os animais utilizados para perseguição ou ataque, são alimentados de maneira semelhante; enquanto o pequeno terrier doméstico ou o pug, se deve ser dócil e “amável” tanto física quanto moralmente, deve ser alimentado com biscoitos e uma dieta de pão com leite.
Exemplos desse tipo são dos mais comuns; em vez de multiplicá-los, é preferível ocupar-nos de sua explicação.
Dulong afirma que a quantidade de oxigênio “perdida” durante a respiração — isto é, a quantidade não substituída por ácido carbônico — constitui, nos herbívoros, cerca de um décimo do volume da quantidade utilizada e substituída por ácido carbônico; e, nos carnívoros, ele constatou que a quantidade de oxigênio assim “perdida” varia de um quinto até metade da quantidade total.
E os Drs. Fife e Spalding demonstraram experimentalmente que, em um mesmo indivíduo, uma dieta mista exige um maior consumo de oxigênio do que uma dieta vegetal, sendo os movimentos respiratórios mais frequentes no primeiro caso do que no segundo.
Esses fatos provam, segundo o Dr. Craigie, que a alimentação à base de carne provoca uma ação pulmonar mais violenta e laboriosa do que a alimentação vegetal.
Além disso, em sua obra Animal Chemistry, Justus von Liebig chama a atenção para a inquietação e os movimentos incessantes dos animais carnívoros — leões, tigres, hienas, etc. — nos zoológicos, e observa que os homens que são habitualmente carnívoros manifestam irritabilidade semelhante e falta de repouso.
Esse estado de alta pressão nos processos vitais deve, sem dúvida, ser atribuído à maneira particular pela qual ocorre a absorção dos elementos dos alimentos de origem animal, elementos esses que, como vimos, não contêm carboidratos.
De fato, o processo de digestão e assimilação parece ser muito mais rápido no caso da alimentação animal e, consequentemente, como já foi dito, ocorre um desgaste proporcional da vitalidade e uma decomposição dos tecidos orgânicos.
Ora, a digestão da carne ocorre principalmente no estômago, enquanto a dos princípios predominantes nos produtos vegetais ocorre, em grande parte, no intestino.
Assim, a digestão e a assimilação são processos mais complexos e mais lentos neste último caso, e a função de absorção é, por assim dizer, mais ampla e generalizada do que quando se trata de alimentos de origem animal, que sobrecarregam quase exclusivamente o estômago.
É principalmente a essa absorção rápida e precoce dos princípios nitrogenados predominantes na carne, assim como à ausência do efeito moderador e regulador dos carboidratos, que estou inclinado a atribuir essa influência excitante da alimentação animal já mencionada — uma excitação que, como a produzida pela ingestão de álcool, passa rapidamente e leva à necessidade de renovar a sensação assim que o estômago se esvazia de seu conteúdo.
Tenhamos o cuidado de distinguir entre esse estado de excitação funcional e o verdadeiro fortalecimento. Quantas pessoas se enganam nesse ponto e acreditam estar se fortalecendo e revigorando quando estão apenas sendo estimuladas!
Quem não observou, especialmente durante a convalescença após febre tifoide, o fenômeno conhecido como febris carnis, uma febre passageira que se manifesta após a primeira refeição de carne administrada a um paciente em recuperação de uma doença grave, e que, por vezes, é causa de recaída!
Esse fenômeno deve-se, provavelmente, em grande parte, à rápida absorção dos princípios proteicos dos alimentos de origem animal, embora essa não seja necessariamente a única causa do distúrbio; mas, no estado atual de nosso conhecimento químico, não é possível afirmar que esses próprios princípios — globulina, miosina, sintonina, etc. — não contenham algum elemento sutil e evanescente capaz de explicar mais completamente os efeitos estimulantes e intoxicantes a que se fez referência.
Seja como for, é certamente à ausência dessa sensação de estímulo habitual aos consumidores de carne que devem ser atribuídos o abatimento, a languidez e até mesmo a fraqueza que, na maioria dos casos, são experimentados por eles nos primeiros dias após a mudança para uma dieta vegetal.
Sintomas precisamente semelhantes são observados em pessoas habituadas ao álcool quando privadas de suas bebidas; e, em ambos os casos, essas sensações desaparecem mais ou menos rapidamente, conforme as circunstâncias e os indivíduos, mediante persistência no novo regime.
Entretanto, muitas pessoas, enganadas por essa fraqueza passageira e interpretando mal sua natureza, acreditam estar perdendo força e, após três ou quatro dias de abstinência de carne, retornam aos seus hábitos anteriores.
Para evitar essa fraqueza ilusória, recomenda-se fortemente aos carnívoros, assim como aos consumidores de álcool que desejam mudar seu modo de vida, que se desabituem gradualmente, por etapas progressivas, até que, pouco a pouco, cheguem à adoção de um regime completamente reformado.
NOTAS DE RODAPÉ
(52:1) Pesquisas Experimentais sobre a Alimentação dos Animais.
(53:1) Transactions of the Obstetrical Society, 1861.
(53:2) Volume I, 1869.
(54:1) Elementos da Prática da Medicina, volume II.
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