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3. Força Física

Ora, a ideia que atribui ao homem uma organização que ele não possui não é mais comum do que outra crença igualmente falsa; refiro-me à opinião de que o alimento cárneo contém os elementos da força física e de que, para ser forte, robusto e dotado de energia muscular, é necessário consumir abundantemente alimentos de origem animal. Essa crença, como a anterior, encontra adeptos não apenas entre o público em geral…

Ora, a ideia que atribui ao homem uma organização que ele não possui não é mais comum do que outra crença igualmente falsa; refiro-me à opinião de que o alimento cárneo contém os elementos da força física e de que, para ser forte, robusto e dotado de energia muscular, é necessário consumir abundantemente alimentos de origem animal.

Essa crença, como a anterior, encontra adeptos não apenas entre o público em geral, mas também entre professores e praticantes da medicina, que, em sua maioria, adotaram as opiniões e a fé do vulgo, não com base em exame científico, mas no costume aceito.

No entanto, vemos diariamente, em nossos campos e em nossas ruas, provas abundantes de que os animais mais fortes, mais úteis e mais capazes de trabalho são precisamente aqueles que nunca provam carne. Sua força e sua resistência são invencíveis e superam incomparavelmente as de seus mestres alimentados com carne.

Todo o trabalho do mundo é realizado pelos herbívoros — cavalos, bois, mulas, elefantes, camelos; por eles nossos campos são arados, nossas cidades construídas, nossas batalhas travadas, nossas viagens realizadas, e a eles o homem deve, em grande parte, a existência da civilização, do comércio e da riqueza nacional.

Nenhum animal carnívoro pode se orgulhar do enorme poder do rinoceronte alimentado por plantas, que quebra, quase sem esforço, troncos de árvores e reduz ramos inteiros a pó como se fossem feixes de feno; nenhum carnívoro apresenta a resistência e a constância do cavalo, que trabalha quase sem descanso, do amanhecer ao anoitecer, sob o peso de cargas imensas, e cuja força se tornou proverbial.

Du Chaillu relata que viu um gorila, alimentado apenas de frutos e nozes, quebrar nas mãos, sem esforço aparente, a arma que um de seus perseguidores havia deixado cair acidentalmente; e um eminente naturalista, o Dr. Duncan, F.R.S., assegura-nos que esse animal, em seu estado selvagem, é mais do que páreo para o leão africano.

O búfalo, o bisão, o hipopótamo, o touro, a zebra, o cervo são tipos de força física e de grande massa corporal, ou de esplêndido desenvolvimento dos membros, construídos não a partir da carne e do sangue de outros organismos, mas das fontes originais da força — as plantas, os frutos e as ervas silvestres dos campos.

Os carnívoros possuem, de fato, uma qualidade marcante e terrível — a ferocidade, aliada à sede de sangue; mas o poder, a resistência, a coragem e a capacidade inteligente para o trabalho pertencem àqueles animais que, desde que o mundo tem história, estiveram associados à sorte, às conquistas e às realizações do homem.

E aqui aproveitaremos a ocasião para observar que as nações que nos deixaram os monumentos mais grandiosos, os registros mais gloriosos, o pensamento mais profundo e mais puro, não eram nações carnívoras.

Os capítulos iniciais do livro hebraico do Gênesis, cuja origem é egípcia, declaram claramente qual era a tradição desse grande povo — mãe de todas as artes e ciências do mundo — a respeito da natureza do homem e de sua alimentação no estado perfeito. E somos informados por estudiosos dos registros antigos que os costumes e a religião primitiva do antigo Egito e da Etiópia — talvez as mais antigas de todas as civilizações humanas — proibiam absolutamente o uso de carnes animais. (1)


NOTA DE RODAPÉ

(18:1) Ver History of Egypt, de Samuel Sharpe.

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Índice: O CAMINHO PERFEITO NA DIETA - ANNA KINGSFORD

Autoria preservada do acervo

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