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19. RECAPITULAÇÃO

Foi agora demonstrado — ainda que brevemente, mas espero que de modo suficiente — que o sistema defendido nestas páginas encontra apoio nos fatos da anatomia comparada, da fisiologia, da história, da química e da economia política e social; que suas doutrinas são corroboradas pela experiência efetiva das nações e comunidades modernas, pelo testemunho da medicina experimental e pela consideração dos deveres morais que…

Foi agora demonstrado — ainda que brevemente, mas espero que de modo suficiente — que o sistema defendido nestas páginas encontra apoio nos fatos da anatomia comparada, da fisiologia, da história, da química e da economia política e social; que suas doutrinas são corroboradas pela experiência efetiva das nações e comunidades modernas, pelo testemunho da medicina experimental e pela consideração dos deveres morais que devemos tanto aos nossos semelhantes quanto às criaturas inferiores a nós.

Quanto a este último ponto, é preciso lembrar que nenhum sistema social ou filosófico é científico e completo se omite, em sua definição de humanidade, a natureza moral, pois é precisamente o desenvolvimento dos sentimentos — honra, amor, justiça, generosidade — que distingue o ser humano do animal, o homem civilizado do selvagem e do criminoso.

E se, para a defesa das ideias aqui apresentadas, for necessário ou útil invocar autoridades, elas contam como defensores uma tão poderosa constelação de nomes, antigos e modernos, como nenhuma outra escola jamais pôde ostentar. A esses nomes ilustres de homens que pensaram como eu penso, e de quem ninguém precisa envergonhar-se de ser discípulo, faço apelo: a Pitágoras e a Sidarta Gautama, a Sócrates, Sêneca e Plutarco, a Porfírio e Apolônio de Tiana, a Orígenes, João Crisóstomo e Francisco de Assis, a Pierre Gassendi, Jean-Antoine Gleizes e Percy Bysshe Shelley — em suma, a todas as mentes mais sérias e luminosas do mundo antigo e moderno.

Pois, para todos esses, o primeiro passo essencial rumo ao aperfeiçoamento — seja do indivíduo, seja da comunidade — consistia em regular a vida de modo que sua alimentação não implicasse nenhum choque à consciência moral.

A doutrina que hoje é a da escola moderna dos abstêmios de carne já era a dos Magos que iniciaram Daniel; dos Terapeutas, que derivavam sua origem e conhecimento dos adeptos egípcios; dos budistas, cujo belo ensinamento está expresso na epígrafe deste ensaio; dos nazireus, entre os quais se contava Jesus; dos essênios, que deram origem a seu amigo e companheiro, João Batista; dos ebionitas e reclusos; dos expoentes da “Gnose” cristã, que conservaram e nos transmitiram, por meio dos neoplatônicos, esse espírito de compreensão, esse “olho que vê” e “ouvido que escuta”, possíveis em sua plenitude apenas aos homens de coração puro e vida reta.

Ao exaltar esse coração puro, ao defender essa vida limpa e irrepreensível, ao indicar esse caminho perfeito, imitamos os iluminados de todas as épocas. Que aqueles que ainda não podem aderir plenamente à sua prática e à nossa, ao menos perdoem o amor que inspira este projeto de emancipação da tirania da doença, do luxo, da injustiça, da pobreza e da tristeza — que, sob o sistema atual, atingiram tal grau que tornam a existência quase insuportável!

PRÓXIMO: 20. CONCLUSÃO

ÍNDICE: O CAMINHO PERFEITO NA DIETA - ANNA KINGSFORD

Autoria preservada do acervo

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