As pessoas deveriam recusar os tratamentos médicos obtidos através de vivissecção?
82. As pessoas deveriam recusar os tratamentos médicos obtidos através de vivissecção? Essa é a questão favorita dos defensores da vivissecção. A implicação é de que a postura do movimento dos DA é inconsistente porque seus integrantes usufruem de alguns dos resultados da vivissecção. Como primeira resposta, poderíamos apontar no caso dos tratamentos existentes derivados da vivissecção, o mal já foi feito. Não há…
82. As pessoas deveriam recusar os tratamentos médicos obtidos através de vivissecção?
[Proposta A]
Essa é a questão favorita dos defensores da vivissecção. A implicação é de que a postura do movimento dos DA é inconsistente porque seus integrantes usufruem de alguns dos resultados da vivissecção.
Como primeira resposta, poderíamos apontar no caso dos tratamentos existentes derivados da vivissecção, o mal já foi feito. Não há nada a ganhar em se recusar o tratamento. Os vivisseccionistas contra-argumentam que essa situação é análoga a de se recusar a comer a carne vendida nos açougues; o mal já teria sido feito, então porque não comer carne?
Porem, há um diferença crucial. O conhecimento é um bem permanente; ao contrario da carne, ele é abstrato, não apodrece. Considere um determinado conhecimento obtido através de vivissecção. Se a
vivissecção fosse abolida, o conhecimento poderia ainda ser usado repetidamente sem que tivéssemos que apoiar ou realizar a vivissecção novamente. Com o consumo da carne, a pratica do abate teria que continuar se quiséssemos obter seus resultados.
Uma outra questão é que, se a vivissecção não tivesse ocorrido, o conhecimento poderia bem ter sido adquirido por meios alternativos moralmente justificáveis. Por que deveríamos impedir o uso de um conhecimento abstrato por causa dos erros de um vivissector?
O mesmo não pode ser dito da carne; ela não pode ser obtida sem o abate. Se o leitor não acha isso convincente, deveria considerar que o movimento pelos DA almeja sinceramente acabar com a vivissecção,
eliminando esse método injusto de obtenção de conhecimento, mas não eliminando o conhecimento. E quando isso for conseguido, a questão original perde o sentido, porque não haverá mais tal método injusto.
DG
[Proposta A]
Essa é outra daquelas questões "onde definimos o limite de a quem conceder direitos", com o detalhe de que a saúde de uma pessoa pode estar em questão. Conforme anteriormente, a resposta depende muito das circunstancias e julgamentos pessoais.
Certamente, está além da nossa obrigação fazer uma promessa absoluta, já que o principio de autodefesa pode ser aplicado (particularmente em casos de vida ou morte). Ainda assim, várias pessoas estariam
preparadas para se opor à opressão aos animais, mesmo arriscando o seu bem-estar. Para esses, as seguintes questões podem ser dignas de consideração.
[Proposta C]
Qual é a verdadeira contribuição da experimentação animal para o desenvolvimento do tratamento?
A maioria dos tratamentos não deve nada mesmo à experimentação com animais, ou foram desenvolvidos apesar da experimentação animal em vez de graças à ela.
A insulina é um bom exemplo. As descobertas realmente importantes não procederam dos experimentos de Banting e Best feitos em cães, mas de descobertas clinicas. De acordo com o Dr. Sharpe: "A relação entre a diabete e o pâncreas foi demonstrada primeiro por Thomas Cawley em 1788 quando ele examinou um paciente que morreu da doença. As autopsias posteriores confirmaram que a diabetes é de fato relacionada à degeneração do pâncreas, mas, devido a falha de vários fisiologistas, incluindo o notório Claude Bernard, em reproduzir um estado diabético em animais ... a idéia não foi aceita por vários anos."
Tivemos que esperar até 1889 para que essa relação entre pâncreas e diabetes fosse aceita, ano esse que dois pesquisadores, Mering e Minkowski, conseguiram induzir uma forma de diabetes em cães pela remoção completa de seus pâncreas.
As autopsias posteriores revelaram que algumas partes do pâncreas dos diabéticos estavam danificados, dando origem à idéia de que fazer os pacientes ingerirem extratos pancreáticos poderia ajudar.
Outros exemplos de tratamentos que não tiveram contribuição alguma da vivissecção incluem a digitalis (também conhecida como digoxina ou digitoxina, é usada em problemas cardíacos), a quinina (usada contra
a malária), a morfina (analgésico), o éter (anestésico), a sulfanilimida (um diurético), a cortisona (usada no alivio a dores de artrose, por exemplo), a aspirina, o flúor (em pastas de dente), etc.
Incidentalmente, algumas dessas drogas indiscutivelmente úteis dificilmente passariam pelos, assim chamados, testes de segurança realizados em animais. A insulina causa defeitos congênitos em galinhas, coelhos e camundongos mas não no homem; a morfina é sedativa para o homem, mas é estimulante para os gatos; doses de aspirina usadas em terapia humana envenenam gatos (e não resolvem nada da febre em cavalos); o uso difundido da digitalis foi reduzido pelos resultados equivocados dos estudos em animais (e legitimado pelos estudos clínicos, como sempre), e assim por diante.
O tratamento é realmente seguro?
Os efeitos nefastos de várias drogas "seguras" recentemente desenvolvidas freqüentemente levam tempo para serem descobertos. Por exemplo, mesmo os efeitos colaterais sérios podem às vezes não serem detectados.
Na Inglaterra, somente uma dúzia das 3.500 mortes eventualmente relacionadas ao uso do aerossol de isoprenalina foram reportadas pelos médicos. Similarmente, demoraram 4 anos para conhecerem os resultados colaterais da droga Eraldina usada em doenças do coração, resultados esses que incluíam lesões nos olhos.
O uso dessas drogas foram, evidentemente, aprovadas após teste extensivo em animais.
O tratamento realmente ajuda?
Essa questão não é tão incoerente quanto pode parecer. Uma pesquisa governamental em 1967 sugeria que um terço dos medicamentos mais prescritos na Inglaterra eram "extratos impalatáveis ".
Várias novas drogas não oferecem vantagens sobre as já existentes: em 1977, o Federal Drug Administration americano publicou um estudo de 1.935 drogas introduzidas até abril de 1977 que indicava que 79,4%
delas proviam "pouco ou nenhum ganho terapêutico". Cerca de 80% das drogas introduzidas na Inglaterra foram reformulações, ou duplicatas de drogas existentes.
Uma pesquisa de 1980 feita pela Divisão de Medicamentos do Departamento de Saúde e Seguro Social inglês declarava: "[novas drogas] tem sido amplamente introduzidas em área terapêuticas para as quais já há medicamentos em excesso e ... para condições comuns, em grande parte crônicas e ocorrem principalmente nas sociedades afluentes do Ocidente. A inovação é portanto direcionada aos retornos comerciais em vez das necessidades terapêuticas."
[Proposta B]
Há alternativas para o tratamento?
Uma melhor consideração dos benefícios das praticas "alternativas" tem sido desenvolvida nos últimos anos. Freqüentemente, as mudanças na dieta ou no estilo de vida podem ser tratamentos efetivos por si só'.
A ocorrência de diabetes em adultos tem sido relacionada à obesidade, por exemplo, e pode em muitos casos ser curada simplesmente com a perda de peso e uma dieta apropriada.
Outros tipos de medicina alternativa, tal como a acupuntura, tem provado serem úteis no tratamento de estresse, insônia e dores lombares.
AECW
[Proposta A]
Na sociedade atual, penso que deveria ser quase impossível não usar o conhecimento medico obtido através da pesquisa em animais em épocas passadas (sendo o teste de novos medicamentos a citação mais obvia) sem descartar os cuidados com a saúde também.
É importante, no entanto, que enfatizemos a necessidade de parar esses testes com animais agora. O passado não pode ser mudado.
JK