55. Não seria justificável comer produtos de animais criados soltos (free-range ou orgânico)?
55. Não seria justificável comer produtos de animais criados soltos (free-range ou orgânico)? O termo "orgânico" ou "free-range" é usado para indicar um método de produção no qual os animais (alegadamente) não seriam produzidos com os métodos das granjas industriais, mas em vez disso, seriam dadas as condições para que eles expressassem seu comportamento natural por completo. Algumas pessoas julgam dessa forma que…
55. Não seria justificável comer produtos de animais criados soltos (free-range ou orgânico)?
O termo "orgânico" ou "free-range" é usado para indicar um método de produção no qual os animais (alegadamente) não seriam produzidos com os métodos das granjas industriais, mas em vez disso, seriam dadas as condições para que eles expressassem seu comportamento natural por completo. Algumas pessoas julgam dessa forma que esses produtos seriam eticamente aceitáveis.
Há dois problemas a serem considerados: primeiro, onde os animais criados organicamente são abatidos, e segundo, onde e como os produtos são extraídos dos animais (ovos e leite)?
É comum em ambos os casos que se escondam suas condições por meio do rotulo "orgânico". Muito do que se passa por "orgânico" não é melhor que o que é feito nas granjas industriais; uma visita a uma "fazenda de ovos orgânicos" torna isso obvio (veja comentários de MT abaixo).
Nutricionalmente, os produtos animais "orgânicos" não são melhores do que os equivalentes produzidos pelas fazendas- fabricas, os quais contribuem ou são responsáveis por uma lista de doenças bem extensa.
Para o caso de animais criados soltos mas abatidos para o uso, devemos perguntar o porquê de um animal criado solto ser mais merecedor de uma morte inútil do que outro animal? Ao longo desta lista, nos temos argumentado que os animais tem direito de viver livres da brutalidade humana. Essa brutalidade não pode ser
desculpada por concedermos uma vida curta mais feliz. David Cowles-Hamar explica isso da seguinte maneira: "A idéia de que animais deveriam pagar por sua liberdade com suas vidas é uma sandice moral".
Uma outra coisa a pensar é sobre o casal descrito no fim da questão 13. Se seus bebes são criados "organicamente" ou soltos, então seria justificável "abatê-los"?
Para o caso dos produtos de animais criados soltos, podemos identificar pelo menos 4 problemas:
1) continua sendo um uso ineficiente de recursos alimentícios,
2) continua sendo uma atividade prejudicial ao meio ambiente,
3) animais são mortos tão logo se tornem "improdutivos",
4) os animais devem ser substituídos; os machos não- reprodutivos são mortos ou vão para as granjas industriais (o pior exemplo disso é o destino dos bezerros machos nascidos de vacas leiteiras; vários vão para a produção de vitela).
BRO
O que há de errado com os ovos orgânicos de galinhas criadas soltas? Para obter as galinhas poedeiras você deve ter ovos férteis e metade dos ovos são de pintos machos. Esses são mortos instantes depois que nascem (por gás venenoso, esmagamento, sufocamento, descompressão, ou afogamento), ou criados em lojas de animais para o abate ser feito pelo próprio consumidor, quando atingirem o peso apropriado.
Então, para cada galinha poedeira criada solta no quintal de uma fazenda, um galo nascido da mesma leva está sofrendo em um galpão de aves para abate ou já foi morto ou jogado fora para morrer no lixo. E quem acha que a galinha escolheria ter que pagar sua estadia na fazenda com um ovo infértil por dia? Todos os anos, só' na Inglaterra, mais de 35 milhões de pintos machos com um dia de idade são mortos. Eles são usados principalmente como fertilizante ou jogados nos "lixões" das cidades.
As galinhas são abatidas assim que sua produção cai (normalmente depois de 2 anos; sua vida natural é de 5 a 7 anos). Também, vários produtores classificados como "orgânicos" ou "free-range" não o são realmente. Eles tem apenas grandes galpões com portas para fora e como a comida e a iluminação estão dentro, as galinhas raramente se aventuram fora dos galpões.
MT
Veja também: 13, 49 - 50, 52