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36 Congresso Vegetariano Mundial da IVU - depoimento

O Brasil é um país maravilhoso e poucos de nós queriam voltar para casa. O comentário mais ouvido foi: "é a melhor comida do mundo!" e muitos disseram que o local também foi o melhor de todos – o Costão do Santinho fica num ponto idílico da ilha, onde as montanhas cobertas de árvores encontram o mar. Tem praias gloriosas, uma vida selvagem variadíssima e instalações de altíssimo padrão. Acrescente-se a isso um…

Informações do evento

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O Brasil é um país maravilhoso e poucos de nós queriam voltar para casa. O comentário mais ouvido foi: "é a melhor comida do mundo!" e muitos disseram que o local também foi o melhor de todos – o Costão do Santinho fica num ponto idílico da ilha, onde as montanhas cobertas de árvores encontram o mar. Tem praias gloriosas, uma vida selvagem variadíssima e instalações de altíssimo padrão. Acrescente-se a isso um cardápio torturante de até cinco conferências e duas demonstrações de culinária a cada sessão (numa mistura de inglês, português e espanhol), mais espetáculos de dança e moda à noite, e realmente havia de tudo para todos.

Mas talvez este Congresso tenha um significado maior e precisamos voltar um pouco atrás para pôr as coisas em perspectiva. Os anteriores 35 congressos da IVU foram todos inspiradores para aqueles afortunados que puderam comparecer, mas poucos tiveram um papel maior – os de 1908, 1929, 1957 e 1975 são os exemplos mais óbvios. O último deles, o de 1975, realizou-se na Universidade de Orono, no estado do Maine, nos EUA, e foi o primeiro Congresso na América do Norte. Houve cerca de 1.500 visitantes hospedados, ainda um recorde depois do da Índia, e comentaristas recentes consideraram-no a plataforma de lançamento do vegetarianismo organizado na região. É claro que havia grupos vegetarianos na América do Norte antes de 1975, o primeiro datando de 1850, mas em geral eram pequenos e isolados, além de um grande número de indivíduos ainda mais isolados.

Depois de Orono, surgiram centenas de sociedades vegetarianas, além de dúzias de conferências, festivais e publicações, muitas fundadas por pessoas que se conheceram naquele Congresso extraordinário. É claro que nem sempre é assim; havia muita esperança de que o Congresso de 1999, realizado em Chiang Mai, na Tailândia, tivesse efeito semelhante na região do Sudeste asiático, já que também foi o primeiro por lá, mas nunca gerou mais do que algumas marolas. O Congresso de 2004 já mostra sinais de ter um impacto bem maior. Até os últimos anos, a América Latina era uma região bastante "morta" para a IVU e esta foi a primeira vez em que se tentou ali algo desta envergadura. O resultado é que todos os líderes vegetarianos da América Latina conquistaram enorme força e confiança com a realização fantástica que foi Florianópolis 2004.

A Sociedade Vegetariana Argentina abriu caminho, realizando seu primeiro e muito bem sucedido Congresso Nacional logo antes do evento da IVU. Agora, tem o apoio da União Vegetariana da América Latina (UVL), fundada no Congresso brasileiro. A nova União foi lançada durante a Assembleia Geral da IVU por um dos delegados de idioma espanhol, demonstrando a solidariedade entre as comunidades vegetarianas hispanófonas e lusófonas. Mas o maior resultado deste Congresso só pode ser o número maravilhoso de jovens brasileiros que participaram, uma grande inspiração para o futuro, e a Sociedade Vegetariana Brasileira (fundada no ano passado) planeja seu próprio Congresso Nacional, em São Paulo. Teremos de esperar para ver se Florianópolis terá o mesmo efeito de Orono na América Latina, mas os sinais são promissores. É possível que, nos próximos anos, aqueles de nós que tiveram o privilégio de estar lá possam recordar a ocasião em que testemunhamos um daqueles momentos raros que mudaram o curso da história vegetariana.

John Davis, por muitos anos 'manager' da IVU e responsável pelo site – dezembro de 2004

Autoria preservada do acervo

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