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Uma cruz no meio das ervas (daninhas?) da esperança

Às 15 horas nos reunimos novamente na ‘sala de visitas’. Com dois pedaços de madeira, as crianças fazem uma cruz. Os tapetes comprados de Gasparina são colocados sobre a mesa. A pedido das crianças, cada pessoa procura na natureza um símbolo para colocar junto à cruz e sobre os tapetes. Numa série de ouvidos flamengos, ecoam as palavras: “Se não vos tornardes como uma dessas criancinhas…” Quem quiser, pode fazer uma…

Às 15 horas nos reunimos novamente na ‘sala de visitas’. Com dois pedaços de madeira, as crianças fazem uma cruz. Os tapetes comprados de Gasparina são colocados sobre a mesa. A pedido das crianças, cada pessoa procura na natureza um símbolo para colocar junto à cruz e sobre os tapetes. Numa série de ouvidos flamengos, ecoam as palavras: “Se não vos tornardes como uma dessas criancinhas…” Quem quiser, pode fazer uma oração em seu próprio idioma. É um momento de forte união num dia em que milhões de pessoas reverenciam cruzes de prata e ouro nas igrejas ao redor do mundo.

 

[Foto 43bis]

Sexta-Feira Santa com os sem-terra

 

No pré-assentamento Dom Tomás Balduíno a cruz não precisa ser folheada de ouro. É a realidade do dia-a-dia dessas famílias. Um símbolo de privações e morte, mas – principalmente – de revolta e ressurreição.

 

Sempre há um ensinamento novo para europeus nos momentos de mística dos movimentos sociais no Brasil. Principalmente no meio rural, estes são fortes momentos de confraternização.

Será que é porque na natureza e na agricultura ainda podem ser encontrados símbolos da vida?

 

Goiás, 14 de abril de 2006.

 

(1)   ‘O espírito vem pelas águas’. Também traduzido para o holandês e publicado por Altiora-Averbode, 2005: ‘Spiritualiteit van het water’.

(2)   Leia em Tertio [uma revista semanal cristã], de 31 de maio de 2006: ‘Dom Eugênio Rixen, bispo belga germanófono no Brasil. Zonder gebed wordt de strijd verbeten en gewelddadig [Sem oração, a luta se torna amarga e violenta].’

(3)   Na literatura, o Brasil às vezes é chamado Belíndia[1]: Bélgica e Índia reunidas em um país, um país com algumas pessoas extremamente ricas e muitas extremamente pobres. Outra expressão utilizada é ‘brasilianização da economia mundial’, como sinônimo de globalização, com uma minoria de vencedores e uma maioria de perdedores.

(4)   Um dos participantes tirou mais de mil fotos da viagem. As fotos mais bonitas de crianças foram utilizadas num calendário de solidariedade para 2007. A venda rendeu 870 euros (cerca de R$ 2300). Durante a Vigília Pascal de 2007, as pessoas ficam sabendo que este recurso está a caminho, bem no momento em que deixaram o pré-assentamento e estão organizando seu assentamento, com casas de alvenaria e lotes distribuídos. Com o dinheiro eles compram galinhas caipiras. Galinhas caipiras que irão com eles, no início de uma nova vida. Será que existe mesmo algo como Pascha? A marcha do Egito para uma terra prometida. Da morte para a vida. Fotos ou calendários ainda pode ser encomendados em: <annemarie.de.smet@skynet.be>.



[1] Belíndia – Em 1974, Edmar Bacha cunhou essa expressão para definir o que seria a distribuição de renda no Brasil. Fonte: <http://www.economiabr.net/colunas/henriques/belindia.html>.

Autoria preservada do acervo

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