Sergio Greif
Como é a fiscalização da Anvisa (como ela direciona, fiscaliza e pune)?Sobre a fiscalização da ANVISA, é melhor consultá-los com uma pergunta mais específica. O órgão em que trabalho é a CETESB e tanto a atividade quanto a forma de proceder são bastante distintosQuais são os países que ainda adotam a prática da Vivisecção? E os que baniram?No momento todos os países do mundo praticam experimentação animal. Mesmo nos…
Como é a fiscalização da Anvisa (como ela direciona, fiscaliza e pune)?
Sobre a fiscalização da ANVISA, é melhor consultá-los com uma pergunta mais específica. O órgão em que trabalho é a CETESB e tanto a atividade quanto a forma de proceder são bastante distintos
Quais são os países que ainda adotam a prática da Vivisecção? E os que baniram?
No momento todos os países do mundo praticam experimentação animal. Mesmo nos países onde se alega que ela está sendo regulamentada a situação dos animais não é melhor.
A Vivisecção é usada somente na área de farmácia ou em outras?
A experimentação animal é utilizada em muitos outros ramos de pesquisa, tais como toxicologia, fisiologia, anatomia, histologia, bioquimica, pesquisas sobre desenvolvimento fetal, pesquisas comportamentais, pesquisas na área de imunologia, microbiologia, parasitologia, cirurgia experimental, testes balísticos e muitos outros.
O camundongo é o animal mais usado em testes? Quais são os outros?
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n> macacos (principalmente mico de cheiro, babuinos ou chimpanzés),
n> ferrets ou qualquer outro animal que se tenha à disposição.
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n>> - O que é feito dos camundongos e outros animais que são testados
n>> e mortos por reações diversas?
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n> Por recomendação sanitária todos os animais mortos em laboratórios
n> devem ter suas carcaças tratadas como lixo hospitalar. Não é o que se
n> faz com eles depois que morrem o problema, o problema é o que fazem
n> enquanto estão vivos.
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n>> condizem, pois, são seres vivos diferente a dos humanos. Portanto,
n>> as reações neles são uma, e nos humanos são outra". Porque então
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n> Muitas pessoas acreditam que o lobby do tabaco e das bebidas
n> alcoólicas é muito poderoso, mas há um lobby ainda maior do qual estas
n> duas indústrias também fazem parte. Do lobby da vivissecção fazem
n> parte os governos, as indústrias farmacêuticas, as indústrias
n> produtoras de alimentos, as indústrias de bens de consumo diversos,
n> os fabricantes de ração, as empresas que fabricam suprimentos para
n> laboratórios, gaiolas, equipamentos de contenção, comedouros, etc etc.
n> Mesmo coisas óbvias como a de que os rios correm para o mar, ou que a
n> terra é que está em órbita em torno do Sol, seriam ignoradas pela
n> maioria das pessoas se este fosse o interesse deste lobby. O fato de
n> que as diversas espécies animais respondem de forma diferente a
n> determinado estímulo é óbvia, mas a maioria das pessoas tem
n> dificuldade em entender que estas diferentes respostas apenas criam
n> confusão quando tentamos interpretá-las e aplicá-las aos seres
n> humanos. Esta dificuldade deriva da crença de que os cientistas estão
n> sempre certos e de que o que está escrito em um trabalho científico ",1] ); //-->Não possuímos números exatos, mas é certo que a maioria dos testes são realizados em camundongos e ratos. Outros animais que podem também ser utilizados são invertebrados diversos, hamsters, gerbils, porquinhos-da-india, sapos/rãs, lagartos, cobras, tartarugas, pombos, galinhas, porcos, ovelhas, cães, gatos, macacos (principalmente mico de cheiro, babuinos ou chimpanzés), ferrets ou qualquer outro animal que se tenha à disposição.
O que é feito dos camundongos e outros animais que são testados e mortos por reações diversas?
Por recomendação sanitária todos os animais mortos em laboratórios
devem ter suas carcaças tratadas como lixo hospitalar. Não é o que se
faz com eles depois que morrem o problema, o problema é o que fazem
enquanto estão vivos.
- Ouvi de um militante da causa que "testes em animais não
condizem, pois, são seres vivos diferente a dos humanos. Portanto,
as reações neles são uma, e nos humanos são outra". Porque então
os animais são usados?
Muitas pessoas acreditam que o lobby do tabaco e das bebidas
alcoólicas é muito poderoso, mas há um lobby ainda maior do qual estas
duas indústrias também fazem parte. Do lobby da vivissecção fazem
parte os governos, as indústrias farmacêuticas, as indústrias
produtoras de alimentos, as indústrias de bens de consumo diversos,
os fabricantes de ração, as empresas que fabricam suprimentos para
laboratórios, gaiolas, equipamentos de contenção, comedouros, etc etc.
Mesmo coisas óbvias como a de que os rios correm para o mar, ou que a
terra é que está em órbita em torno do Sol, seriam ignoradas pela
maioria das pessoas se este fosse o interesse deste lobby. O fato de
que as diversas espécies animais respondem de forma diferente a
determinado estímulo é óbvia, mas a maioria das pessoas tem
dificuldade em entender que estas diferentes respostas apenas criam
confusão quando tentamos interpretá-las e aplicá-las aos seres
humanos. Esta dificuldade deriva da crença de que os cientistas estão
sempre certos e de que o que está escrito em um trabalho científico
não pode ser contestado. A própria base da ciência é a contestação, a
não aceitação de paradigmas. Se fosse para escolhermos uma carreira
onde houvessem dogmas, deveríamos ter optado pela teologia, e não pela
ciência.
- Quais são os métodos alternativos existentes hoje para testes
farmacológicos?
Para testes farmacológicos há uma ampla gama de testes que podem ser
realizados sem a utilização de organismos vivos e sencientes. Por
exemplo, pode-se primeiramente tentar prever qual será a atuação da
molécula no organismo através de um programa computacional que permite
comparar a estrutura molecular do composto com uma gama de compostos
conhecidos e tentar verificar com quais sitios de ligação esta
molécula poderá se ligar. Programas também permitem tentar aferir a
atuação da molécula no organismo. Pode-se submeter o composto a uma
bateria de testes de toxicidade in vitro que permitam saber qual seria
sua citotoxicidade, bem como a toxicidade do composto aos diversos
órgãos. Poderia-se interagir linhagens celulares em frascos de
co-cultura, de forma a se obter resultados de sua toxicidade após, por
exemplo, uma transformação hepática. Constatada sua não toxicidade,
poderiam-se começar os testes farmacológicos, com primeiramente com um
pequeno grupo de humanos voluntários, em seguida com um número maior
de voluntários, e depois com um pequeno número de pacientes reais.
Isto que te falei é apenas um exemplo, poderiam se criar outros
protocolos experimentais mais complexos.
- O que é o termo "cruelty-free"?
"Cruelty-free" significa livre de crueldade. É considerado livre de
crueldade qualquer bem ou serviço que não tenha sido produzido às
custas da exploração animal, daí entenda-se que na formulação do
produto não pode haver derivados de animais e que o produto não pode
ter sido testado em animais. Serviços cruelty-free também não podem
utilizar animais de forma alguma.
- O que as Academias de Farmácia e Biologia pensam a respeito?
As universidades fazem parte do lobby e o defendem. Fazer parte do
lobby não significa uma atividade imoral ou proposital, o lobby existe
para defender seus interesses, e a universidade tem interesse em que a
experimentação animal continue existindo porque muitas linhas de
pesquisa na área de biomédicas fazem uso de animais e muito do
financiamento para pesquisas provém de indústrias que lucram com a
exploração animal. Mas quando conversamos com calma com os
professores, reservadamente, muitos reconhecem que da forma como é
realizado não está correto. Esta sensação de que algo está errado e
precisa mudar criou a necessidade de uma reforma na experimentação
animal, e uma mudança de discurso. Assim, é comum que pessoas que tem
interesse na continuidade da experimentação animal defendam que gostam
de animais, que os respeitam, e
que procuram tratá-los de forma ética,
que tentam reduzir o número de animais que "precisam" ser utilizados e
que o dia que puderem, certamente substituirão os animais, mas que
este dia nunca vai chegar. Este discurso é ainda pior do que o
anterior, porque muita gente passa a acreditar que de fato está
falando a verdade, e muita gente que acha estar protegendo animais
começa a se interessar por fazer parte de comissões de ética.
- Se existe a lei que proibe maus-tratos com os animais, porque é
permitido o uso de camundongos nas universidades?
Não apenas camundongos, mas toda uma variedade de animais. Esta é uma
boa pergunta. A resposta é que as leis, da forma como estão
elaboradas, não servem para proteger animais. Note, por exemplo, que a
lei proíbe maus-tratos, mas não os define. Pelo contrário, em muitos
artigos ela apoia que mau tratemos animais de forma
institucionalizada. A lei de crimes ambientais, por exemplo, permite
que se faça de tudo com os animais (matar, experimentar neles, etc)
desde que autorizado pelo órgão competente . O artigo que trata da
experimentação animal diz :
*"Art. 32.* Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar
animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
§ 1º. Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou
cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos,
quando existirem recursos alternativos.
§ 2º. A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do
animal. "
Ora, basta a pessoa dizer que as experiências conduzidas não eram
cruéis nem dolorosas, ninguém pode provar que eram porque não existe
uma máquina que diga o que é a dor dos outros. O artigo também
condiciona a experimentação animal à inexistência de recursos
alternativos. Os recursos alternativos já existem, eles apenas não são
reconhecidos porque precisam ser validados comparando-se seus dados
com o de experimentos realizados em animais ( que como vimos não são
válidos). Este é o tipo de armadilha que as pessoas que defendem
animais caíram achando que estavam fazendo bom negócio.
- Como mudar uma sociedade que vê os animais como inferiores aos
homens?
Da mesma forma que combatemos o racismo ou o sexismo, através da
educação e do bom exemplo. Quando tornamos nossas vidas testemunhos de
que é possível viver sem explorar animais, quando nos empenhamos em