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Recepção

Felizmente há no Brasil, na Europa, em todo o mundo, milhões de pessoas e grupos que trabalham na recuperação. É como numa recepção, para a qual foram convidados os militantes, os reformadores, aqueles que trabalham em silêncio e os realizadores. Aqueles que se converteram. Os convidados preparam juntos a comida: petiscos de cada região, conforme a especialidade de cada um. Biodiversidade entre nós. Todos aproveitam…

 

Felizmente há no Brasil, na Europa, em todo o mundo, milhões de pessoas e grupos que trabalham na recuperação. É como numa recepção, para a qual foram convidados os militantes, os reformadores, aqueles que trabalham em silêncio e os realizadores. Aqueles que se converteram. Os convidados preparam juntos a comida: petiscos de cada região, conforme a especialidade de cada um. Biodiversidade entre nós. Todos aproveitam o encontro e enriquecimento. Até que resta o último pedaço: o schaambrokje. Quem tem coragem de pegar o último pedaço?

É assim que me sinto ao concluir este livro sobre alternativas. Qual grupo, qual forma de recuperação vou oferecer por último? Os pedaços disponíveis no prato, reunidos por mim ao longo de um ano e meio, é tão limitada; há muito mais para contar....

Há as limitações da região. Eu circulo principalmente no Sul do Brasil e na Europa – principalmente em Flandres. E há os limites da posição de onde parte meu olhar: Fetraf-Sul/CUT, um sindicato inovador da agricultura familiar. É de lá que olho, fascinado, à minha volta. Inclusive além da Fetraf, pois o mundo é muito maior. Como uma esponja que tudo absorve, é assim que me sinto. Uma esponja que filtra, é claro, mas espero que ofereça água fresca de vez em quando, nessa recepção mundial de renovação e alternativas à destruição planetária. Para sobreviver, pois, na verdade, trata-se de uma ‘contra-recepção’. Contra a recepção dos deuses Monsanto, Cargill, Syngenta, Basf, Pioneer, OMC, políticas agrícolas da UE e EUA. Deuses que exigem a completa liberalização do mercado mundial, para favorecer seus monopólios mundiais que impõem ‘liberdade’. Por exemplo: que você só tenha a liberdade de escolher entre as sementes transgênicas de Syngenta ou Monsanto. O ‘Guarapuava’, o lobo bravo (1) está mais que desejoso de comer o último pedaço da agricultura familiar.

Será que vamos conseguir? Ou será que estes relatos, nossos estudos, nossas mobilizações, nossas recepções serão medidas que, no final, darão em nada? Vamos acabar com um prato vazio e uma Terra saqueada, inabitável e quente?

Autoria preservada do acervo

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