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Postura básica

Cavalgar de havaianas e bermudas não é fácil. Para isso são necessárias botas e calças compridas, de couro. Dirigir uma 4 x 4 de havaianas também não dá. É até proibido. Para isso, é necessário um calçado mais resistente. Será que os 4 x 4, em ascensão, não são os cavalos de antigamente? No trânsito, eles também não olham o povo humilde de cima para baixo? Não, sandálias e havaianas simbolizam um outro estilo de…

Cavalgar de havaianas e bermudas não é fácil. Para isso são necessárias botas e calças compridas, de couro. Dirigir uma 4 x 4 de havaianas também não dá. É até proibido. Para isso, é necessário um calçado mais resistente. Será que os 4 x 4, em ascensão, não são os cavalos de antigamente? No trânsito, eles também não olham o povo humilde de cima para baixo?

Não, sandálias e havaianas simbolizam um outro estilo de vida. Outros valores, outras relações. Simbolizam o contato com a terra e com o próximo. Elas simbolizam uma postura cautelosa, humilde, sem excesso de altivez. Elas simbolizam uma agricultura diferente, cuidadosa, inserida no todo maior que nos envolve e que não conseguimos compreender integralmente. Será que é por isso que ‘havaianas’ é feminino? Ou será que é só porque são ‘as sandálias havaianas’?

 

Perto do burro e do boi ainda dá para usar havaianas. Será que é por isso que ambos figuram na história do Natal, contada há muitos séculos? O burro, como animal de carga do pobre e próximo dele. O boi simbolizando o contra-ponto do onipotente touro, que arrasa com tudo.

 

Guarapuava,

10 de dezembro de 2005, Dia dos Direitos Humanos e dia mundial de mobilização contra a OMC, antevéspera da grande conferência da OMC, em Hong Kong, de 13 a 18 de dezembro de 2005.

 

Postscriptum:

À noite, no bar, converso com meu companheiro de trago sobre ‘sandálias’: “Acabo de escrever uma crônica sobre suas havaianas.”

“É”, suspira ele. “Aqui você pode comprá-las por três dólares, mas elas também são exportadas para a Europa. Lá, você paga 28 dólares pelas nossas havaianas brasileiras.”

Será que levar uma vida mais cautelosa precisa custar tanto na Europa?

 

 

(1)   Como representante mais ilustre do agronegócio brasileiro, Blairo Maggi consegue, com sucesso, aparecer regularmente nos jornais. Numa entrevista marcante à Folha de S. Paulo, publicada no dia 26 de abril de 2007, ele afirma ter mudado em função do último relatório da Comissão das Nações Unidas sobre Mudança do Clima: “Maggi ‘verde’ defende floresta nos EUA”. Que tal sair do discurso e partir para a prática?

(2)    De spiritualiteit van de sandaal’ [A espiritualidade da sandália], em Tijdschrift voor Geestelijk Leven – TGL [Revista para a Vida Espiritual], jan./fev 1994-1, p. 21-31.

Autoria preservada do acervo

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