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Positivismo e vegetarianismo

A relação entre positivismo e vegetarianismo no Brasil ganhou força no início do século XX, especialmente através da Igreja Positivista do Brasil. Essa conexão baseava-se na ideia de que a evolução moral e social da humanidade deveria incluir o respeito a todos os seres vivos, promovendo uma transição de hábitos "bárbaros" para práticas mais civilizadas e altruístas. Abaixo, os pontos centrais dessa ligação: 1.…

A relação entre positivismo e vegetarianismo no Brasil ganhou força no início do século XX, especialmente através da Igreja Positivista do Brasil. Essa conexão baseava-se na ideia de que a evolução moral e social da humanidade deveria incluir o respeito a todos os seres vivos, promovendo uma transição de hábitos "bárbaros" para práticas mais civilizadas e altruístas. 

Abaixo, os pontos centrais dessa ligação:

1. Evolução Moral e Altruísmo

Para os positivistas seguidores de Auguste Comte, o progresso humano dependia do triunfo do altruísmo sobre o egoísmo. O consumo de carne era visto por alguns como um resquício de uma fase inferior da civilização, marcada pela violência. Documentos como o panfleto "Positivismo e Vegetarianismo" (1902), presente no acervo do CPDOC/FGV, registram essa defesa de uma dieta sem crueldade como parte do aperfeiçoamento da espécie. UFPel

2. A "Religião da Humanidade" e os Animais

Na visão positivista, os animais eram vistos como auxiliares e companheiros do ser humano no desenvolvimento da civilização. Maltratá-los ou matá-los para alimentação era considerado um ato de ingratidão e uma falha ética. O movimento defendia que a ciência e a higiene deveriam orientar a dieta humana para opções mais saudáveis e éticas. Redalyc.org +1

3. Figuras Influentes

Vários intelectuais brasileiros que flertavam com o positivismo ou o vitalismo foram entusiastas dessas ideias:

  • Nilo Cairo: Médico e engenheiro militar, foi um grande defensor da homeopatia e do vegetarianismo, integrando esses conceitos em sua prática médica baseada na filosofia positivista.
  • Miguel Lemos, um dos líderes do positivismo brasileiro, publicou uma circular intitulada “Positivismo e Vegetarismo”.
  • Miguel Lemos adotou o vegetarianismo e o incorporou à reforma positivista no Brasil, sendo seguido por outro líder importante, Teixeira Mendes
  • Movimento "Carnivorismo é uma Civilização": Diversos artigos acadêmicos, como os publicados na SciELO, analisam como o vegetarianismo no Brasil do início do século XX foi usado como um discurso de modernização e civilidade. SciELO Brasil +1

4. Vegetarianismo como Ciência e Higiene

Diferente de vertentes religiosas (como o adventismo ou o espiritismo), o positivismo buscava fundamentar o vegetarianismo na higiene pública e na biologia. Acreditava-se que a carne carregava toxinas e predispunha o homem à agressividade, enquanto os vegetais proporcionariam uma vida mais equilibrada e racional. Redalyc.org +2

A relação entre Positivismo e Vegetarianismo no Brasil teve um momento histórico significativo no início do século XX, particularmente dentro da Igreja Positivista do Brasil

  • A Circular de 1902: Em novembro de 1902, Miguel Lemos, um dos líderes do positivismo brasileiro, publicou uma circular intitulada “Positivismo e Vegetarismo”.
  • Fundamentação: Embora Auguste Comte, fundador do positivismo, não tenha preconizado o vegetarianismo, Lemos argumentou que, com base nas evidências "práticas e científicas" da época sobre a superioridade da dieta, o próprio Comte teria aderido ao movimento se estivesse vivo.
  • Adesão no Brasil: Miguel Lemos adotou o vegetarianismo e o incorporou à reforma positivista no Brasil, sendo seguido por outro líder importante, Teixeira Mendes.
  • Conexões Históricas: Essa ala positivista brasileira era programaticamente vegetariana, conectando a filosofia positivista com a defesa da reforma alimentar e, muitas vezes, com temas como o cuidado com os animais e a homeopatia, esta última defendida por Nilo Cairo em resposta à circular de Lemos. SciELOSciELO +1

O vegetarianismo era visto por esses positivistas não apenas como uma questão dietética, mas como parte de uma reforma moral e social baseada na razão e no "cientificismo" da época.

Autoria preservada do acervo

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