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Pecuária, Consumo de Carne e a Destruição da Amazônia

De Marly Winckler A Amazônia, maior floresta tropical do planeta, ocupa cerca de 7 milhões de km² e se estende por nove países da América do Sul, sendo que aproximadamente 60% de sua área está no Brasil, com uma extensão de 5,5 milhões de km². Trata-se de um dos sistemas ecológicos mais importantes da Terra, essencial para o equilíbrio climático global e para a manutenção da vida em escala planetária. Abriga a maior…

De Marly Winckler

A Amazônia, maior floresta tropical do planeta, ocupa cerca de 7 milhões de km² e se estende por nove países da América do Sul, sendo que aproximadamente 60% de sua área está no Brasil, com uma extensão de 5,5 milhões de km². Trata-se de um dos sistemas ecológicos mais importantes da Terra, essencial para o equilíbrio climático global e para a manutenção da vida em escala planetária. Abriga a maior bacia hidrográfica do mundo e representa 67% das florestas tropicais do mundo.

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Florestas tropicais do mundo

No entanto, apesar de sua importância estratégica, a Amazônia vem sendo progressivamente destruída — e o principal motor desse processo não é apenas econômico ou político, mas está profundamente ligado ao modelo alimentar dominante no mundo contemporâneo.

A importância da Amazônia para o planeta

Ela cobre pouco mais de 2,12 milhões de milhas quadradas, o que equivale a aproximadamente 5,49 milhões de quilômetros quadrados.

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A Amazônia ocupa cerca de 60% do território brasileiro

Essa extensão é grande o suficiente para cobrir mais da metade do território dos Estados Unidos, incluindo Alasca, Havaí e outros territórios.

Para outra comparação, a Austrália possui cerca de 2,97 milhões de milhas quadradas, o que corresponde a aproximadamente 7,69 milhões de quilômetros quadrados.

A floresta amazônica abriga aproximadamente 10% de todas as espécies vivas do planeta, concentradas em apenas cerca de 1% da superfície terrestre. Sua biodiversidade é incomparável, e sua função como reguladora do clima global é vital.

A Amazônia não é apenas um ecossistema — é um patrimônio biológico, cultural e espiritual da humanidade.

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Além disso, a região é o lar de milhões de pessoas, incluindo cerca de 150 povos indígenas, muitos dos quais ainda mantêm modos de vida tradicionais e, em alguns casos, permanecem isolados do contato com a sociedade dominante.

A Amazônia, maior floresta tropical do planeta, se estende por aproximadamente 3.500 km, dos Andes ao Oceano Atlântico. Trata-se de um sistema ecológico de escala continental, cuja magnitude pode ser melhor compreendida por meio de comparações globais:

  • sua área é maior que metade do território dos Estados Unidos, mesmo incluindo Alasca e Havaí;
  • corresponde a cerca de 17 vezes o território do Vietnã;
  • e equivale a quase 75% da área da Austrália, um dos maiores países do mundo.

Esses números não apenas impressionam — eles evidenciam que a Amazônia não é um bioma regional, mas um sistema essencial para o equilíbrio planetário.

Do ponto de vista geográfico e político, é importante distinguir dois conceitos fundamentais:

  • Amazônia Continental: corresponde a cerca de 50% da América do Sul e abrange 9 países — Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname, Venezuela e Brasil.
  • Amazônia Legal: refere-se a uma delimitação político-administrativa brasileira que cobre cerca de 60% do território nacional, incluindo os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, além de partes do Mato Grosso e do Maranhão.

Essa distinção é essencial para compreender a complexidade da região, que envolve não apenas aspectos ecológicos, mas também dimensões políticas, econômicas e culturais.

Mais do que um repositório de biodiversidade, a floresta desempenha funções críticas:

  • regula o regime de chuvas em grande parte da América do Sul;
  • influencia sistemas climáticos globais;
  • atua como um dos maiores reservatórios de carbono do planeta.

Nos últimos 40 anos (entre 1985 e 2024), a Amazônia brasileira perdeu aproximadamente 13% de sua vegetação nativa, o que equivale a mais de 52 milhões de hectares de floresta, uma área superior ao território da França. Estudos indicam que cerca de 18% a 20% da floresta amazônica original já foi desmatada. A maior parte da área desmatada (cerca de 95% desde 1985) foi convertida para uso agropecuário, com destaque para pastagens (77%) e agricultura (12%).

O mais preocupante é que essa destruição não é aleatória, mas impulsionada por um vetor dominante: o sistema de produção e consumo de carne.

Apesar de sua magnitude e relevância — tanto para o equilíbrio climático global quanto para a biodiversidade — a Amazônia vem sendo progressivamente destruída. E o principal motor desse processo não é apenas econômico ou político, mas está profundamente ligado ao modelo alimentar dominante no mundo contemporâneo.

Assim, compreender a crise da Amazônia exige ir além das análises tradicionais sobre desmatamento e políticas públicas. É necessário reconhecer que, em sua raiz, trata-se de um problema sistêmico — ligado ao modelo alimentar global e às escolhas que sustentam esse modelo.

Maior biodiversidade do planeta

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A Amazônia concentra a maior biodiversidade do planeta, abrigando mais de 10% de todas as espécies vivas em apenas cerca de 1% da superfície terrestre. Essa extraordinária riqueza biológica revela um nível de diversidade sem paralelo em outras regiões do mundo.

Como observa o ambientalista britânico Norman Myers, especializado em biodiversidade, ao percorrer milhares de quilômetros — por exemplo, do Alasca ao Canadá — encontra-se basicamente o mesmo tipo de floresta, com um número relativamente reduzido de espécies; já na Amazônia, basta caminhar alguns quilômetros para que a paisagem biológica se transforme completamente, com uma impressionante renovação de espécies e ecossistemas.

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Frutas tropicais da amazônia

Destaques da Biodiversidade Amazônica:

  • Flora: Mais de 40 mil espécies de plantas.
  • Fauna: Cerca de 1.300 espécies de aves, 427 mamíferos, 378 répteis, 427 anfíbios e mais de 3.000 espécies de peixes.
  • Fauna endêmica: A região concentra, por exemplo, 10% das espécies de primatas do mundo e 85% das espécies de peixes de água doce da América do Sul.
  • Proporção: A floresta abriga cerca de 20% de toda a fauna do planeta.
  • Descobertas: Cerca de uma nova espécie de ser vivo é descoberta a cada dois dias na região. (GOV.BR)
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A Amazônia concentra a maior biodiversidade do planeta

Povos indígenas

A Amazônia brasileira abriga uma grande quantidade de povos indígenas, somando cerca de 870 mil pessoas — pouco mais da metade da população indígena do Brasil, estimada em torno de 1.700.000 mil indivíduos autodeclarados indígenas.

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Indigena típica do Brasil

O Censo 2022 identifica 391 povos (etnias ou nações) indígenas e 295 línguas indígenas. Essa presença revela uma extraordinária diversidade cultural e linguística, expressa em 41 famílias linguísticas distintas. Mais do que 450 mil brasileiros falam línguas indígenas, muitos deles jovens.

Embora mais de 1.000 línguas existissem na chegada dos europeus, a diversidade remanescente inclui línguas como Tikuna, Guarani Kaiowá e Guajajara, focadas especialmente na Amazônia. Elas são essenciais para a biodiversidade cultural, com muitas ameaçadas de extinção.

  • Línguas Mais Faladas: Tikúna (mais de 50.000 falantes), Guarani Kaiowá e Guajajara são algumas das mais expressivas em número de falantes. Outras línguas de destaque incluem o Yanomami, Xavante, Kaingang e o Nheengatu. O Nheengatu, em particular, é uma "língua geral" derivada do Tupi que continua viva especialmente na região do Rio Negro, na Amazônia.
  • Diversidade: Existem cerca de 200 línguas indígenas remanescentes no Brasil, agrupadas em mais de 20 famílias linguísticas.
  • Influência no Português: Palavras do cotidiano como "abacaxi", "mandioca", "jacaré", "pipoca" e nomes de locais (Ipanema, Carioca) têm origem tupi.
  • Situação Atual: A maioria das línguas indígenas corre risco de extinção, mas o Censo 2022 apontou um aumento no número absoluto de falantes, embora com redução percentual em relação ao total da população indígena.

Ao mesmo tempo, a região como um todo é habitada por cerca de 28 a 30 milhões de pessoas, o que evidencia a complexa convivência entre sociedades tradicionais e a população não indígena em um dos territórios mais ricos e sensíveis do planeta.

Grupos isolados

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Na floresta amazônica ainda existem povos que não tiveram contato com o mundo exterior por séculos. Uma expedição recente à Amazônia identificou um desses grupos, que foi fotografado a partir de um avião, evidenciando a permanência de comunidades completamente isoladas em meio à floresta.

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A floresta amazônica abriga mais de 60 grupos isolados

Na floresta amazônica ainda existem povos que não tiveram contato com o mundo exterior por séculos.

Uma expedição recente à Amazônia identificou um desses grupos, que foi fotografado a partir de um avião, evidenciando a permanência de comunidades completamente isoladas em meio à floresta.

Membros de uma tribo desconhecida da Bacia Amazônica e suas habitações são vistos durante um voo sobre o estado brasileiro do Acre, na fronteira com o Peru.

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Foto: Reuters
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Tribo desconhecida da Bacia Amazônica

Em 2007, a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) informou a existência de 67 tribos isoladas no Brasil.

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O contato com os povos indígenas assume diversas formas, mas, na maioria das vezes, resulta em fome, pobreza, doenças, violência, perda da identidade cultural e migração forçada, entre outras consequências.

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Principais ameaças

As principais ameaças à Amazônia estão ligadas a três fatores interdependentes. Em primeiro lugar, a pecuária, que constitui o maior vetor de desmatamento, ao exigir a abertura de extensas áreas de floresta para a formação de pastagens.

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A última grande área natural da Terra está sendo consumida — por uma combinação de carne e soja.

Em segundo lugar, a exploração predatória de madeira, muitas vezes realizada de forma ilegal ou sem manejo sustentável, que provoca a degradação dos ecossistemas e abre caminho para novas frentes de ocupação e desmatamento.

Por fim, políticas públicas e governamentais inadequadas — seja pela ausência de fiscalização efetiva, seja por incentivos econômicos equivocados — acabam favorecendo a expansão dessas atividades, contribuindo para a aceleração da destruição da floresta.

Nos últimos 50 anos, cerca de 12% da Amazônia foi devastada — aproximadamente 800 mil km², área equivalente a toda a região Sul do Brasil somada ao estado de São Paulo. Nesse mesmo período, a população da região triplicou em apenas 30 anos, intensificando a pressão sobre seus recursos naturais.

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Entre 1990 e 2002, cerca de 80% da expansão da pecuária brasileira ocorreu na região amazônica. No Brasil como um todo, a pecuária é responsável por 93% do desmatamento da Mata Atlântica, 80% da Caatinga, 50% do Cerrado e 18% da Amazônia, evidenciando seu papel central na transformação e degradação dos principais biomas do país.

Diversos estudos confirmam que a pecuária constitui o principal vetor de desmatamento na Amazônia, sendo responsável pela maior parte da conversão de áreas florestais em pastagens. Estima-se que entre 70% e mais de 90% das áreas desmatadas na região sejam destinadas à criação de gado, e que, no conjunto da América do Sul, cerca de 71% do desmatamento esteja associado à expansão de pastagens (FAO; INPE; MapBiomas).

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Segundo o ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, cerca de 80% da destruição da floresta amazônica está relacionada à criação de gado, evidenciando o papel central da pecuária como principal vetor do desmatamento na região.
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Carlos Minc, Secretário de Estado de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, durante Rio +20.

É por isso que o Ministro apoia a campanha Segunda sem Carne: Diz ele: “Estamos muito interessados na campanha Segunda sem Carne. Vamos implementá-la no Estado do Rio de Janeiro.”

Área desmatada

Até 1970, menos de 2% da área da Amazônia havia sido desmatada. Nos últimos 40 anos, perdeu cerca de 13% da área vegetal, perfazendo um total de cerca de 20% desmatado da área total.

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A área acumulada de desmatamento na Amazônia brasileira aumentou de 41,5 milhões de hectares em 1990 para 58,7 milhões de hectares no ano 2000. Em apenas uma década, o país perdeu uma área de floresta equivalente ao dobro do território de Portugal ou ao tamanho do Uruguai.

Esse processo está diretamente relacionado à expansão da pecuária, como destacado por Norman Myers em seu estudo Hamburger Connection Fuels Amazon Destruction: Cattle Ranching and Deforestation in Brazil's Amazon.

Nas últimas duas décadas, o desmatamento da Amazônia apresentou oscilações significativas, mas permanece um dos principais desafios ambientais globais. Após um período de forte redução entre 2005 e 2012, quando políticas públicas conseguiram conter a destruição, o desmatamento voltou a crescer a partir de 2015, impulsionado principalmente pela expansão agropecuária. Dados recentes indicam que, embora tenha havido nova queda — com cerca de 6.288 km² desmatados entre 2023 e 2024, o menor nível em quase uma década — a pressão sobre a floresta continua elevada e instável .

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Em termos estruturais, a pecuária segue como o principal motor desse processo. Estudos recentes confirmam que a criação de gado responde por cerca de 80% do desmatamento atual na Amazônia, frequentemente associada também à expansão da soja . Além disso, a importância relativa da Amazônia na dinâmica nacional aumentou: em 2023, aproximadamente 62% do desmatamento ligado à pecuária no Brasil ocorreu nesse bioma, refletindo uma concentração crescente da pressão ambiental na região .

Mesmo quando o desmatamento diminui em determinados anos, outros processos continuam avançando. Em 2024, por exemplo, a Amazônia brasileira perdeu cerca de 954 mil hectares de floresta primária, mostrando que a destruição segue em níveis elevados no longo prazo . Paralelamente, incêndios — muitas vezes usados para abrir áreas para pastagens — têm se intensificado, agravando a degradação dos ecossistemas .

Em escala global, a relevância desse processo é ainda mais evidente: o Brasil respondeu por cerca de 42% da perda mundial de florestas tropicais primárias em 2024, consolidando a Amazônia como o principal foco da crise florestal no planeta .

Desmatamento e desertificação

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A produção pecuária é o principal fator responsável pelo desmatamento e pela desertificação. (New Scientist, 6 de maio de 1989, citado em Our Food, Our World: The Realities of an Animal-Based Diet, Santa Cruz, CA: EarthSave Foundation, 1992, p. 7.)

Biodiversidade

A pecuária responde por cerca de 20% da biomassa animal terrestre total, e as áreas que hoje ocupa eram anteriormente habitats naturais de vida silvestre. Seu impacto sobre o meio ambiente é profundo e abrangente. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o setor pecuário pode ser considerado um dos principais responsáveis pela redução da biodiversidade, uma vez que atua como o maior motor do desmatamento, além de ser um dos principais fatores de degradação do solo, poluição, mudanças climáticas, sobrepesca, sedimentação de áreas costeiras e disseminação de espécies invasoras.

Essas conclusões foram destacadas no relatório Livestock’s Long Shadow: Environmental Issues and Options, publicado pela FAO em 2006, que evidencia a dimensão sistêmica dos impactos da produção animal sobre os ecossistemas globais.

Emissões de gases de efeito estufa

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O setor pecuário é um dos principais responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa, respondendo por cerca de 18% das emissões globais, medidas em equivalente de CO₂ — uma participação superior à de todo o setor de transportes.

Esse dado foi destacado no relatório Livestock’s Long Shadow: Environmental Issues and Options, publicado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em 2006, que analisa de forma abrangente os impactos ambientais da produção animal.

A elevada contribuição do Brasil para as emissões de gases de efeito estufa está diretamente relacionada aos processos que ocorrem na Amazônia. Entre os principais fatores estão o desmatamento e a exploração ilegal de madeira, a expansão da pecuária bovina e o cultivo de soja destinada à alimentação animal — especialmente para suínos e aves no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos.

O Brasil é um dos maiores emissores mundiais de gases de efeito estufa (GEE), frequentemente figurando entre os 5º e 7º colocados, sendo responsável por aproximadamente 3% a 3,1% das emissões globais, segundo a SEEG Brasil. A maior parte dessas emissões (cerca de 46% a 48%) advém do desmatamento e mudanças no uso da terra, seguido pela agropecuária.

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A queima da floresta amazônica tem sido um elemento central nesse processo, contribuindo para que o Brasil figure entre os dez maiores emissores de poluentes do mundo. Ao contrário do que ocorre na maioria dos países, onde as emissões estão principalmente ligadas ao uso de combustíveis fósseis, no Brasil uma grande parte dos gases de efeito estufa provém da fumaça associada ao desmatamento da Amazônia.

Como destaca o jornalista Axel Bugge, da Reuters, a maior parcela das emissões brasileiras está ligada à destruição florestal, e não ao setor energético. Estima-se que aproximadamente um terço das emissões do país esteja relacionado à pecuária e outro terço ao desmatamento, evidenciando o papel central do uso da terra na crise climática brasileira.

O rebanho bovino brasileiro continua sendo o maior comercial do mundo, com cerca de 190 a 200 milhões de cabeças de gado, número ainda próximo ou superior à população do país. O Brasil permanece como um dos maiores produtores e exportadores globais de carne bovina, responsável por cerca de 15% da produção mundial e mais de 20% das exportações globais .

Na Amazônia, a presença do gado também cresceu significativamente nas últimas décadas. Dados recentes indicam que o rebanho na região aumentou de cerca de 16 milhões de cabeças em 1988 para aproximadamente 87 milhões em 2023, evidenciando a expansão contínua da pecuária como principal vetor de ocupação territorial .

Esse crescimento está diretamente associado ao desmatamento. Estudos atuais mostram que cerca de 80% das áreas desmatadas na Amazônia são convertidas em pastagens , e que aproximadamente 81% do desmatamento no Brasil resulta em formação de pastos . Além disso, a pressão recente tem se concentrado ainda mais nesse bioma: em 2023, cerca de 62% do desmatamento ligado à pecuária no Brasil ocorreu na Amazônia .

Paralelamente, o setor segue impulsionado pela demanda internacional. O Brasil exportou volumes recordes de carne bovina em 2023, consolidando sua posição no mercado global , o que reforça a conexão entre consumo global e transformação dos ecossistemas amazônicos.

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Causas do Desmatamento na Amazônia Brasileira, 2000–2005

Pecuária, 65–70%

Agricultura em pequena escala, 20–25%

Agricultura em grande escala, 5–10%

Exploração madeireira, 2–3%

Outros, 1–2%

Fonte: mongabay.com


Proporção de terras desmatadas convertidas posteriormente para agricultura extensiva (décadas de 1980 e 1990): 60% → 80%


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Nota:
Inclui incêndios, mineração, urbanização, construção de estradas, barragens e energia (2–3%); a exploração madeireira geralmente resulta em degradação florestal, mas muitas vezes é seguida por desmatamento para agricultura.
Fonte: Butler, Rhett A., mongabay.com, 2009

De acordo com a FAO, a produção global de carne deverá mais do que dobrar, passando de 229 milhões de toneladas no período de 1999/2001 para 465 milhões de toneladas em 2050, enquanto a produção de leite deverá aumentar de 580 para 1.043 milhões de toneladas.

Expansão da pecuária na Amazônia Legal entre 1996 e 2006

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O Futuro

O Brasil reflete a situação global: a pecuária ocupa cerca de 40% das terras agricultáveis do mundo. No país, a atividade utiliza aproximadamente 200 milhões de hectares, enquanto a agricultura ocupa cerca de 80 milhões.

Caso esse modelo não seja transformado, projeta-se que, nas próximas duas a três décadas, a pecuária poderá se expandir para 300 milhões de hectares, com um rebanho de até 400 milhões de animais. Esse cenário representaria uma pressão insustentável sobre os ecossistemas naturais e poderia significar o colapso de biomas fundamentais como a Amazônia e o Cerrado.

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Expansão da pecuária na Amazônia Legal

Autoria preservada do acervo

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