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Paulo Freire e a ‘Pedagogia do Oprimido’

“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo. Os seres humanos se educam entre si, mediatizados pelo mundo.” (Paulo Freire) Durante estes dias, sente-se a influência do conhecido pedagogo brasileiro Paulo Freire. Por meio de sua principal obra – Pedagogia do Oprimido – ele continua proporcionando inspiração. Freire nunca está distante na saudável mescla de informações fornecidas por um ‘especialista’ e o trabalho…

 

“Ninguém educa ninguém,

ninguém educa a si mesmo.

Os seres humanos se educam entre si,

mediatizados pelo mundo.”

 

(Paulo Freire)

 

 

Durante estes dias, sente-se a influência do conhecido pedagogo brasileiro Paulo Freire. Por meio de sua principal obra – Pedagogia do Oprimido – ele continua proporcionando inspiração. Freire nunca está distante na saudável mescla de informações fornecidas por um ‘especialista’ e o trabalho da base. O recém-concluído módulo sobre ‘desenvolvimento’ é avaliado em grupos e em plenário. O próximo módulo, que terá início após o Natal, está sendo preparado: ‘Agricultura Familiar, sociedade e meio ambiente’, com ênfase em agroecologia.

O interessante é que, no Brasil, pode-se discutir sobre sociedade de classes e capitalismo sem complexos, ao contrário do que ocorre na Bélgica, onde não se ousa empregar estes termos. O mesmo acontece quando se trata de meio ambiente. É assim que um palestrante da Assesoar vem colocar a atual ‘preocupação com o meio ambiente’ em uma perspectiva histórica. Ele começa com o Banco Mundial que, numa missão ‘messiânica’ por parte dos ‘países desenvolvidos’ (mais especificamente, o mundo empresarial dos Estados Unidos), veio para ‘salvar’ os ‘países subdesenvolvidos’. A linguagem dos textos que ele cita realmente chama a atenção. Desvincular-se da natureza era uma premissa. Caso contrário, nunca seria possível chegar ao ‘desenvolvimento’. Esta postura inicial se baseia, é claro, numa ideologia que teve início há muitos séculos com os gregos, foi fortalecida pela tradição judaico-cristã e se tornou totalmente dominante com pessoas como Francis Bacon, no século XVII (1561-1626). Ele foi um dos proeminentes pensadores da escola do Iluminismo. Estes filósofos nos trouxeram grandes conhecimentos, mas será que em algumas áreas da vida este Iluminismo não poderia ser chamado de ‘Obscurantismo’?

Ele prossegue: “No século XX, tivemos a poderosa indústria do aço e o surgimento da indústria química. Também foi graças a isso que, junto com a indústria do aço, em São Paulo, o sindicalismo independente ganhou força. Atualmente, esta indústria – e também o sindicalismo – estão mais fragmentados. Nós já observamos há algum tempo a redução dos setores do aço e da química. O setor químico buscou um novo caminho e o encontrou. As indústrias químicas passaram a investir em biotecnologia, no genoma humano e muito mais. Sementes e patenteamento de organismos geneticamente modificados são parte da nova estratégia.

Neste contexto de redirecionamento do capital, a agroecologia adquire um caráter de luta social, comparável com o sindicalismo na cidade. É uma luta histórica. Agroecologia, tecnologia, ação local e transformação andam juntas. É preciso encarar nossas ações dentro de um grande projeto político e não abandonar o campo. A cidade e o campo devem se unir para dar um basta na hegemonia da Monsanto e sua soja transgênica. Podemos trabalhar em um triângulo dinâmico: agricultura familiar, sociedade e meio ambiente.”

Autoria preservada do acervo

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