Artigos

O ‘arroz com feijão’ merece mais

Boas notícias da ‘frente’ agrícola? Devido à estiagem do ano passado, frustração da safra de soja, queda nos preços internacionais e taxa de câmbio desfavorável ao dólar, parece que a produção do presente ano agrícola privilegiará um pouco mais o consumo interno. E é justamente o feijão que está em ascensão. O preço está se recuperando e o IBGE estima que a safra de feijão será 23,59% maior do que no ano passado.…

Boas notícias da ‘frente’ agrícola? Devido à estiagem do ano passado, frustração da safra de soja, queda nos preços internacionais e taxa de câmbio desfavorável ao dólar, parece que a produção do presente ano agrícola privilegiará um pouco mais o consumo interno. E é justamente o feijão que está em ascensão. O preço está se recuperando e o IBGE estima que a safra de feijão será 23,59% maior do que no ano passado. Eles esperam uma colheita igual ou superior a 1,8 milhões de toneladas de feijão. Para o arroz, as estimativas são mais baixas porque ainda há muito produto em estoque.

O ‘arroz com feijão’ merece ser mais valorizado, sim. A combinação é uma resposta às constantes ‘crises da carne’. Além disso, a ‘pegada ecológica’ desta dupla perfeita é bem menor do que no trio gado, aves e suínos. Fetraf espera do governo que este coloque mais recursos à disposição da CONAB para a armazenagem de produtos da cesta básica, produzidos principalmente pela Agricultura Familiar. Assim, pode-se garantir um preço de referência para a Agricultura Familiar, por exemplo, no Programa Fome Zero.

Será que o Brasil não faria melhor exportando este conhecimento tradicional – arroz com feijão – ao invés de querer, a todo custo, dominar o mercado mundial de carne?!

 

Guarapuava, 3 de novembro de 2005.

 

(1)   Nesta crônica, não vou me aprofundar na discussão teológica/filosófica se estes atos caracterizam um costume, um ritual ou um sacramento.

(2)   Antigamente as pessoas (‘caboclos’: descendentes dos povos nativos com colonizadores portugueses) comiam feijão em, praticamente, todas as refeições. Eles levantavam cedo e, às 5 horas, faziam o café-da-manhã, geralmente composto de café e ‘virado de feijão’, ou seja, feijão com farinha de milho, mandioca e/ou carne, freqüentemente acompanhado de ovo. Em torno das 10 horas: almoço. Às 15horas, o ‘café’, novamente com feijão. Às 18 horas: jantar. Ou seja, o feijão era consumido em todas as refeições ao longo do dia, acompanhado ou não de arroz. No fogão à lenha, durante o dia inteiro, lá estava ela: a panela de feijão. Cada região tem seus costumes. Em Minas Gerais são outros produtos; na Bahia a história é outra, embora o feijão esteja sempre envolvido. Os bóias-frias na lavoura consomem a comida fria. O costume de consumir pão, introduzido na culinária a partir da Europa, é estranho para eles. Graças a este alimento tradicional, a obesidade junto à população mais humilde era praticamente desconhecida.

[foto 9]

Coca-Cola, Fast Food e TV

 

(3)   No momento em que escrevo esta crônica, recebo de Jan Reyskens, colaborador de Wervel, a seguinte circular eletrônica:

Autoria preservada do acervo

SitioVeg