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Não se trata de uma produção isolada

Na verdade, Gilso não raciocina em termos de rendimento por hectare. Quando alguém pergunta “qual é a produtividade do milho em um hectare?”, ele fica devendo a resposta. O balançar negativo de sua cabeça é compreensível, pois ele obviamente não cultiva uma variedade de milho híbrido da Pioneer. Não, aqui se cultivam sementes crioulas, que ele recebeu dos guarani, no Paraguai. É chamado de ‘milho tchipa’, ou ainda…

 

Na verdade, Gilso não raciocina em termos de rendimento por hectare. Quando alguém pergunta “qual é a produtividade do milho em um hectare?”, ele fica devendo a resposta. O balançar negativo de sua cabeça é compreensível, pois ele obviamente não cultiva uma variedade de milho híbrido da Pioneer. Não, aqui se cultivam sementes crioulas, que ele recebeu dos guarani, no Paraguai. É chamado de ‘milho tchipa’, ou ainda ‘milho avati moroti’. Segundo as práticas dos guarani, é o primeiro alimento das crianças depois do aleitamento materno.

Mas, num hectare, não é cultivado somente milho. Abóboras, mais de dez tipos de feijão-de-corda e outros frutos se enroscam nos pés de milho. Além disso, ele não se interessa só pela espiga do milho. É possível fazer um belo artesanato com a planta. Por falar nisso, sua esposa faz belos colares com as sementes multicoloridas da propriedade. Milho e feijões de diferentes cores também são utilizados. Ou seja, é possível obter muito mais renda de ‘um hectare’ do que somente os grãos para consumo humano e animal.

 

Na varanda da casa, somos recepcionados com tererê. Isso mesmo, eles consomem a erva-mate na forma de chimarrão (quente) no inverno e de tererê (frio) no verão. Sobre nossas cabeças enxameia uma espécie nativa de abelha, o ‘jataí’ ou ‘mirim’. Abelhas sem ferrão! Ideais, portanto, para deixar que façam o ninho na varanda e ter, assim, um excelente mel na porta de casa. Assim como os guarani, eles também dão este mel às crianças pequenas.

 

[foto 56]

Estande com os trabalhos da família Giombeli. Artesanato com sementes crioulas

 

Uma avezinha, uma ‘coleirinha’, nem se importa com o movimento e continua chocando em nossa companhia. Regularmente, o grupo manifesta sua alegria com toda esta beleza, toda esta ‘diferença’, exclamando: ‘Meu Deus!’ Ou uma variante: ‘Meu…’ (‘Deus’ fica subentendido, mas não é pronunciado, à semelhança do ensinamento judaico: “não pronuncie o Nome do Santíssimo”).

Agora somos divididos em dois grupos. A esposa mostra seu belo artesanato, feito com ‘sementes crioulas’. Gilso nos leva para conhecer este mundo maravilhoso que é uma casa de terra (super adobe). Na verdade, logo na chegada, a construção nova imediatamente chamou nossa atenção. Lembra os experimentos que vejo com cada vez mais freqüência em Flandres [Bélgica]: construção com adobe. Imagino que é uma variante. O objetivo da família não é utilizar a enorme diversidade da propriedade somente como alimento. Também se empenharam em construir uma casa com materiais da região. Trata-se de uma construção de 30 m² com paredes grossas, erguida com sacos de terra seca, ensacada e assocada. Em dez dias, três pessoas – sem nenhuma experiência em construção – ergueram as paredes desta atraente casa. Lá fora o calor é insuportável, mas o interior da casa é espantosamente fresco. Fresco no verão e quentinho no inverno graças a sistemas simples, mas engenhosos. Portanto, um bom local para guardar as dezenas de recipientes com sementes próprias e exibi-las, orgulhosamente, aos visitantes.

Dentro de casa, ele tem um pequeno moinho, para moer os cereais na hora, pouco antes de prepará-los. Em pequenas quantidades e recém-moídos, o sabor do trigo, milho e outros cereais é consideravelmente realçado.

Autoria preservada do acervo

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