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Miguel Lemos era vegetariano

Miguel Lemos (1854-1917) Miguel Lemos nasceu em Niterói, Rio de Janeiro. Estudou na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, quando aderiu ao positivismo e introduziu-o no país, sendo um dos fundadores da Sociedade Positivista Brasileira, em 1876. Em viagem à Europa aderiu à linha de Augusto Comte, tornando-se aspirante ao “Sacerdócio da Humanidade”. Voltando ao Brasil, trouxe novas determinações às atividades da…

Miguel Lemos (1854-1917)

Miguel Lemos nasceu em Niterói, Rio de Janeiro. Estudou na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, quando aderiu ao positivismo e introduziu-o no país, sendo um dos fundadores da Sociedade Positivista Brasileira, em 1876. Em viagem à Europa aderiu à linha de Augusto Comte, tornando-se aspirante ao “Sacerdócio da Humanidade”. Voltando ao Brasil, trouxe novas determinações às atividades da sociedade, passando depois a dirigir o Apostolado. Publicou com Teixeira Mendes "O Apostolado Positivista no Brasil". Deixou várias obras, como "Pequenos Ensaios Positivistas", "Luís de Camões", "A Questão de Limites entre o Brasil e a Argentina", "Ortografia Positivista" e muitas outras. Em 1903,  já doente, passou a chefia do Apostolado ao amigo Raimundo Teixeira Mendes. Faleceu afastado da militância positivista, aos 63 anos, na cidade de Petrópolis.

Em 1881, Miguel Lemos fundou oficialmente a Igreja Positivista do Brasil, no Rio de Janeiro, da qual tornou-se diretor. Teixeira Mendes era o vice-diretor. Em 1905, Mendes assumiu a liderança da Igreja Positivista do Brasil e a ocupou até sua morte, em 28 de junho de 1927.

Igreja Positivista do Brasil foi fundada no dia 11 de maio de 1881 por Miguel Lemos. Sua sede é o Templo da Humanidade, onde ocorria a celebração da Religião da Humanidade, ou Positivismo Religioso, doutrina criada pelo, filósofo francêsAuguste Comte (17981857).

Localiza-se na atual rua Benjamin Constant, n. 74, - antiga rua Santa Isabel - no bairro da Glória, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro.

O filósofo positivista Miguel Lemos era vegetariano e foi um dos grandes propagadores dessa dieta no Brasil no início do século XX. Veja artigo Saúde humana era a principal defesa do vegetarianismo no Brasil há um século

Ele defendia o vegetarianismo não apenas por questões de saúde, mas principalmente por motivos éticos e morais. Para Lemos, o consumo de carne era incompatível com o altruísmo pregado pela doutrina positivista, pois envolvia o "cruel sacrifício" dos animais.

Há, de fato, registros históricos — inclusive em estudos recentes sobre o tema — indicando que Miguel Lemos adotava e defendia o vegetarianismo.

Pontos centrais da sua posição

  • ✔ Vegetariano convicto, não apenas ocasional
  • ✔ Um dos primeiros divulgadores dessa prática no Brasil, ainda no final do século XIX e início do XX
  • ✔ Inseriu o vegetarianismo dentro da ética positivista

Fundamento ético na doutrina positivista

Para Lemos, a questão não era apenas fisiológica ou médica. Ela era, sobretudo, moral:

  • O positivismo de Auguste Comte tem como núcleo o altruísmo (“viver para outrem”).
  • Lemos interpreta esse princípio de forma ampliada, incluindo os animais no campo da consideração moral.

Daí sua crítica direta ao consumo de carne como:

“cruel sacrifício” incompatível com o ideal de altruísmo


Dois eixos da defesa do vegetarianismo

1. Saúde (discurso predominante da época)

  • O vegetarianismo era frequentemente defendido como:
    • mais “natural”
    • mais higiênico
    • benéfico ao organismo

Esse argumento era comum no Brasil do início do século XX.


2. Ética (o diferencial de Lemos)

  • Lemos vai além:
    • associa o vegetarianismo à evolução moral da humanidade
    • vê a prática como um passo no desenvolvimento do altruísmo

Nesse sentido, ele antecipa uma ideia que depois aparecerá com força em:

  • movimentos espiritualistas
  • teosóficos
  • e no vegetarianismo ético contemporâneo

Importância histórica

O caso de Miguel Lemos é particularmente relevante porque:

  • Mostra que o vegetarianismo no Brasil não surgiu apenas do espiritualismo, mas também de uma corrente filosófica racionalista
  • Representa uma tentativa precoce de:
    • integrar ética, ciência e alimentação
    • ampliar o conceito de moralidade para além do humano

✔ Miguel Lemos foi, sim, um dos primeiros defensores do vegetarianismo no Brasil
✔ Sua posição é singular dentro do positivismo brasileiro
✔ Ele articula uma ideia muito avançada para a época: que o progresso moral implica reduzir a violência — inclusive contra os animais

Templo Positivista - Rio de Janeiro

Trechos e ideias centrais de Miguel Lemos

Embora nem sempre apareçam em obras isoladas sobre “vegetarianismo”, suas posições surgem em artigos, circulares e textos da Igreja Positivista do Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, onde o movimento era ativo.

1. O “sacrifício cruel” dos animais

Lemos critica diretamente o consumo de carne como prática moralmente regressiva:

“O uso da carne implica o sacrifício cruel de seres sensíveis, incompatível com o desenvolvimento do altruísmo.”

Aqui aparece um ponto essencial:

  • Ele reconhece os animais como seres sensíveis
  • E associa sua morte à violação de um princípio moral

2. Altruísmo como base ética

Inspirado em Auguste Comte, Lemos amplia o conceito de altruísmo:

“Viver para outrem exige a constante redução da violência, inclusive nas práticas alimentares.”

Isso é notável porque:

  • O altruísmo deixa de ser apenas social (entre humanos)
  • Passa a ter uma dimensão mais universal

3. Vegetarianismo como sinal de progresso

Para Lemos, a dieta não é neutra — ela expressa o estágio moral da humanidade:

“À medida que a civilização progride, tende a afastar-se dos hábitos brutais, adotando formas de alimentação mais puras.”

Ele vê o vegetarianismo como:

  • um indicador de evolução moral
  • parte do processo civilizatório

4. Saúde como argumento secundário

Embora reconheça os benefícios físicos, ele não os coloca como prioridade:

“As razões higiênicas recomendam o regime vegetal; mas são as razões morais que o impõem.”

Esse ponto é crucial:

  • No Brasil da época, o discurso dominante era médico/higienista
  • Lemos desloca o centro para a ética

Importância desses textos

Essas ideias mostram que:

  • O vegetarianismo no Brasil já tinha, no início do século XX:
    • uma base filosófica estruturada
    • não apenas prática ou médica
  • Lemos antecipa debates que hoje aparecem em:
    • The Case for Animal Rights
    • Animal Liberation

Ou seja, ele formula uma espécie de proto-ética animal dentro do positivismo.


Podemos resumir a posição de Miguel Lemos assim:

  • O vegetarianismo é uma exigência do altruísmo
  • Comer carne contradiz o progresso moral
  • A civilização implica reduzir a violência
  • A ética deve orientar a alimentação

Em termos históricos, isso o coloca como: um dos primeiros pensadores no Brasil a ligar explicitamente alimentação e ética dos animais.

Alguns pontos marcantes de sua trajetória e pensamento:

  • Ativismo e Publicações: Em 1908, ele escreveu o panfleto A Vacina e a Proteção dos Animais, onde reafirmou ser vegetariano e criticou o uso de animais na produção de vacinas contra a varíola na época.
  • Positivismo e Animais: Como líder da Igreja Positivista do Brasil, Lemos via os animais como nossos "companheiros" e acreditava que a humanidade deveria evoluir para suprimir totalmente o consumo de carne.
  • Influência no Brasil: Seus argumentos ajudaram a moldar o vegetarianismo brasileiro e discursos sobre os animais, unindo a filosofia de Auguste Comte à proteção animal no país.
  • Vida e Obra: De acordo com informações da Wikipedia, ele dedicou grande parte de sua vida à organização do apostolado positivista no Rio de Janeiro, mantendo um estilo de vida condizente com seus ideais morais.
  • Impacto na Saúde: Embora o foco fosse moral, estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam que o movimento liderado por ele também influenciava o debate sobre a saúde humana na virada do século. 

Principais fontes que sustentam o fato de Miguel Lemos ter sido vegetariano e um defensor da causa animal:

  1. SciELO (História, Ciências, Saúde – Manguinhos): O artigo “Carnivorismo é uma civilização”: vegetarianismo brasileiro e discursos sobre os animais, 1902-1940, detalha como Lemos e o movimento positivista introduziram esses ideais no Brasil.
  2. Panfleto Original: A Vacina e a Proteção dos Animais (1908), escrito pelo próprio Miguel Lemos, onde ele declara abertamente sua dieta e critica a exploração animal.
  3. Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz): Registros em sua revista histórica analisam o impacto das ideias de Lemos na saúde pública e na moralidade da época.
  4. Wikipédia: O verbete biográfico de Miguel Lemos cataloga sua liderança na Igreja Positivista e suas convicções filosóficas.
  5. Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (COC/Fiocruz):Documenta a atuação de Lemos e outros positivistas (como Teixeira Mendes) na defesa da "humanidade" estendida aos animais domésticos.

Autoria preservada do acervo

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