Mesmo assim…
Na Bahia, estão sendo desenvolvidos projetos do governo que visam produzir de pão de mandioca. Originalmente, a mandioca é um alimento básico da população tradicional e, ainda hoje, de grande parte da população mais simples. O Brasil é a cornucópia da abundância, entre outros, de muitas espécies de frutas. No ano passado, numa pousada em São Luis, MA, eu vi uma pintura extraordinária da ‘Última Ceia’. A imaginação…
Na Bahia, estão sendo desenvolvidos projetos do governo que visam produzir de pão de mandioca. Originalmente, a mandioca é um alimento básico da população tradicional e, ainda hoje, de grande parte da população mais simples. O Brasil é a cornucópia da abundância, entre outros, de muitas espécies de frutas.
No ano passado, numa pousada em São Luis, MA, eu vi uma pintura extraordinária da ‘Última Ceia’. A imaginação inesperada, divina de um pintor me emocionou. Um ‘herege’, é claro, mas – ainda assim –interessante como ponto de reflexão. Sobre a mesa não havia pão e vinho e sim travessas com a grande riqueza das frutas conhecidas por aqui. A figura central compartilhava as frutas com seus amigos. Um pássaro assentava-se sobre o ombro de João e observava à cena. Simplesmente paradisíaco. Simples. Paradisíaco.
[foto 15]
A última Ceia com abacaxi e outras frutas
No ônibus, no caminho entre Curitiba e Guarapuava,
29 de novembro de 2005.
(1) A Editora Averbode editou, recentemente, um livro de um beneditino de Goiás, Marcelo Barros: ‘De spiritualiteit van water’ [A espiritualidade da água], Averbode, 2005; ‘Dom Hélder Câmara. Verzaak niet aan de profetie.’ [em português: Dom Helder, Profeta para os nossos dias, Goiás: Ed. Rede da Paz, 2006. Telefone: (62) 3371 1856. E-mail: <editora@rededapaz.com.br>].
(2) Assentamento: terras loteadas no âmbito da reforma agrária brasileira. MST, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, movimento que exerce pressão constante sobre o governo para que este, finalmente, realize a reforma agrária. Onde a presença do MST é menor, é a Fetraf-Brasil (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar) que se mobiliza fortemente pela reforma agrária.
(3) Na Idade Média, a lenda de São Nicolau arraigou-se de forma extraordinária na Europa, particularmente na Itália, Alemanha e Holanda. Principalmente na Holanda sua figura adquiriu notável destaque, a ponto de tornar-se padroeiro dos marinheiros holandeses e da cidade de Amsterdã. Quando os holandeses colonizaram Nova Amsterdã (a atual ilha de Manhattan, em Nova Iorque), construíram uma imagem de São Nicolau e fizeram o possível para manter seu culto e suas tradições no Novo Mundo. A devoção dos imigrantes holandeses por São Nicolau era tão profunda, e ao mesmo tempo, tão pitoresca que, em 1809, o escritor norte-americano Washington Irving (1783-1859) escreveu uma sátira com o título Knickerbocker’s History of New York [A história de Nova York segundo Knickerbocker]. Irving despojou São Nicolau de seus atributos episcopais e o batizou ‘padroeiro de Nova York’. Por causa disso, e também por causa de um poema (A visit from St. Nicholas [Uma visita de São Nicolau]) do professor de teologia C. Moore, em 1822, sua popularidade explodiu e o 6 de dezembro passou a ser o dia da festa do Santa Claus norte-americano. C. C. Moore baseou-se na figura criada por Irving, porém tornou-a mais concreta. Seu São Nicolau apresenta todas as características típicas de Santa Claus.
Em 1863, um imigrante alemão, Thomas Nast, desenhou pela primeira vez o Papai Noel para a revista Harper’s Weekly. Entre 1873 e 1940, ele se tornou um personagem popular da revista infantil St. Nicho las [São Nicolau]. Na segunda metade do século XIX, a secularização de sua imagem continuou e ele se tornou, para as crianças norte-americanas, um símbolo cultural da paz, solidariedade e prosperidade. O auge da utilização de Papai Noel para fins comerciais ocorreu em 1931, quando a Coca-Cola mudou a sua cor. Suas vestes de cor marrom (lembrando um gnomo), segundo Thomas Nast, foram transformadas em vermelho-e-branco, as duas cores oficiais da Coca-Cola. Na campanha publicitária natalina da Coca-Cola, o Papai Noel aparece num centro comercial onde ele, com benevolência, ouve os desejos das crianças. (Rodriguez, Pepe. Mitos y ritos de la Natal: origen y significado de las celebraciones navideñas. Barcelona, 1997).
(4) Recentemente tem surgido resistência a esta loucura natalina. Visite, entre outros, <http://www.xmasresistance.org> e <http://www.adbusters.org/metas/eco/bnd/>.
(5) ELA, J.-M. Zwart is anders. Pleidooi voor een Afrikaanse kerk [Negro é diferente. Em defesa de uma igreja africana], 's Hertogenbosch, Bijeen-publicatie 34, (sem ano, originalmente publicado em francês: Le cri de l’homme africain. Questions aux chrétiens et aux Eglises d’Afrique. Paris: Harmattan, 1980). Nesse livro (em holandês): o artigo De Eucharistie, teken van heil of onafhankelijkheid? [Eucaristia: símbolo de salvação ou independência?], p. 13-22 (em especial, p.16-19). A citação acima é meu resumo de sua afirmativa.