Mastercard discrimina vegetarianos- Janaina Barroso Vieira
Caros Senhores, Sou cliente da Mastercard há mais de 10 anos, durante todos esses anos nunca tive nenhuma reclamação contra vocês. Qual minha surpresa ao ver o anuncio- de página inteira! – veiculado no dia 29/09 no jornal O Estado de São Paulo, onde se destaca a frase: Não ter nenhum amigo vegetariano: Não tem preço! Sendo vegetariana, me senti atacada e ofendida nessa peça publicitária, pior ainda por ser uma…
Caros Senhores,
Sou cliente da Mastercard há mais de 10 anos, durante todos esses anos nunca tive nenhuma reclamação contra vocês.
Qual minha surpresa ao ver o anuncio- de página inteira! – veiculado no dia 29/09 no jornal O Estado de São Paulo, onde se destaca a frase: Não ter nenhum amigo vegetariano: Não tem preço!
Sendo vegetariana, me senti atacada e ofendida nessa peça publicitária, pior ainda por ser uma empresa com a qual mantenho uma relação comercial há anos. Na verdade, me questiono se pra vocês não ter nenhum cliente vegetariano também não tem preço? Talvez eu deva cancelar meus cartões? E pedir aos meus amigos que façam o mesmo? Afinal eles devem discordar da posição de vocês já que tem uma amiga vegetariana.
A resposta pré-fabricada enviada a reclamações prévias a minha (simplesmente enviaram a mesma resposta a todos os reclamantes) não convence, não só pela massificação da resposta, que nem se deu ao trabalho de individualizar a resposta, mas também porque não só a propaganda acidental ou intencionalmente expôs os vegetarianos ao ridículo, transformando a minha opção em motivo de chacota de uma propaganda, como pelo descaso de desconsiderar os protestos recebidos como exagerados e a falta total de providencias tomadas.
O preconceito seja qual for sempre dói mais na pele de quem o sofre, do que na pele de quem o inflinge, A propaganda tratou os vegetarianos como cidadãos de segunda classe, pessoas indesejáveis, tanto que não ter amigo vegetariano, não ter que suportar essa criatura, não tem preço. Apesar dessa clara agressão aparentemente a Mastercard acha que não houve nada demais, o cunho era só uma brincadeira. Assim pensariam se substituirmos apenas uma palavra do bordão? Não ter nenhum amigo negro/judeu/gay: não tem preço?
Aguardo sinceramente que os senhores sejam capazes de reconhecer que a propaganda foi sim ofensiva, e que sejam capazes de se retratar da mesma forma que foram capazes de ofender.
Janaina Barroso Vieira – São Paulo - médica