Máquinas de Animais
Animal Machines Os métodos modernos de produção são incompatíveis com qualquer genuína preocupação com o bem-estar dos animais. Provas disso foram apresentadas pela primeira vez no livro pioneiro de Ruth Harrison, Animal Machines (Máquinas de Animais), publicado em 1964, e ratificadas pelo comitê Brambell, um comitê altamente autorizado, nomeado pelo Ministro da Agricultura britânico, e integrado pelos especialistas…


Os métodos modernos de produção são incompatíveis com qualquer genuína preocupação com o bem-estar dos animais. Provas disso foram apresentadas pela primeira vez no livro pioneiro de Ruth Harrison, Animal Machines (Máquinas de Animais), publicado em 1964, e ratificadas pelo comitê Brambell, um comitê altamente autorizado, nomeado pelo Ministro da Agricultura britânico, e integrado pelos especialistas mais qualificados disponíveis.
Após minuciosa investigação, o comitê publicou, em 1965, um relatório oficial com oitenta e cinco páginas. No relatório, o argumento de que a produtividade é um indício satisfatório da ausência de sofrimento é firmemente rejeitado – o fato de um animal ganhar peso, afirma o comitê, pode ser uma "condição patológica". Também é rejeitado o ponto de vista de que animais criados em granjas não sofrem com o confinamento porque são criados para isso e estão acostumados a isso.
A observação do comportamento de animais domésticos mostrou que eles ainda "são essencialmente o que eram no ambiente selvagem da pré-história", com padrões de comportamento inatos e necessidades ainda presentes mesmo que o animal nunca tenha conhecido as condições naturais.
Com base em suas observações o comitê recomenda:
Em princípio desaprovamos um grau de confinamento de um animal que necessariamente frustre a maior parte das principais atividades que constituem seu comportamento natural... Um animal deve ter no mínimo liberdade suficiente de movimentos para poder virar-se, limpar-se, levantar-se, deitar-se e esticar os membros sem dificuldade.
Estas "cinco liberdades básicas" como desde então são chamadas – virar-se, limpar-se, levantar-se, deitar-se e esticar livremente os membros– ainda são negadas a todos os frangos criados em gaiolas, todas as porcas criadas acorrentadas em baias, e todos os vitelos criados em celas. No entanto, desde que o comitê Brambell redigiu seu relatório surgiu uma avalanche de artigos científicos confirmando o veredicto do comitê em todos os seus principais aspectos.

A falácia do argumento de que os animais devem estar contentes uma vez que produzem é agora também universalmente aceita entre os cientistas. Um estudo de 1986, publicado na revista American Scientist, é um ponto de vista representativo deste argumento:
Com relação a animais domesticados, entretanto, este argumento pode ser enganoso por várias razões. Animais criados em granjas foram selecionados por sua capacidade de crescer e reproduzir-se em uma ampla gama de condições e circunstâncias, algumas adversas. Galinhas, por exemplo, podem continuar a botar ovos normalmente mesmo quando gravemente feridas. Além disso, o crescimento e a reprodução são freqüentemente manipulados por práticas como alteração do fotoperíodo (tempo de exposição à luz) ou adição de substâncias promotoras do crescimento, como antibióticos, na ração. Finalmente, em uma granja industrial moderna, onde um único trabalhador pode tomar conta de até 2 mil cabeças de gado ou 250 mil frangos por ano, a prática da mensuração do crescimento ou da reprodução pelos ovos ou quantidade de quilos de carne produzidos em relação aos custos da construção, combustível e ração nos fornece poucas informações sobre o estatuto produtivo de um animal individualmente considerado.
O Dr. Bill Gee, diretor do Birô de Saúde Animal do governo australiano, afirmou:
Alega-se que a produtividade das granjas industriais seja um indicador direto de seu bem-estar. Esta concepção equivocada precisa ser enterrada de uma vez por todas. "Bem-estar" refere-se ao bem-estar dos animais enquanto indivíduos, ao passo que "produtividade" refere-se ao rendimento por dólar investido ou por unidade de recursos.
Tomei o cuidado de documentar a concepção equivocada quanto a este argumento em várias passagens deste capítulo. Seria bom acreditar que o argumento podia ser enterrado de uma vez por todas, mas sem dúvida ele continuará a ser utilizado sempre que os apologistas do agronegócio considerarem útil para acalmar o consumidor fazendo-o crer que tudo vai bem na granja.
Assista online o documentário "Animais Seres Sencientes" http://bit.ly/1kZWGOU