Era o tempo das vedetes: Mara Rúbia, Virgínia Lane, Dercy Gonçalves e Elvira Pagã, sua maior rival. Luz chegou a ser capa da revista Life, nos Estados Unidos.
Extremamente generosa, Luz doava rendas de seus shows para instituições beneficentes fazendo leilões de si mesma. Foi multada e detida para interrogatórios várias vezes, por atentado ao pudor e desacato à autoridade.
Seus irmãos se projetavam na política, no comércio e na área artística. Ela era inconveniente, o parentesco era inoportuno para eles e a perseguiam cada vez mais. Attilio comprava edições inteiras de revista nas quais Luz aparecia e perdeu as eleições para governador no Espírito Santo (o adversário espalhara cabos eleitorais fantasiados de padres que andavam pelo interior do estado apregoando que o senador Vivacqua era irmão de uma mulher demoníaca).
Luz tirava proveito da situação e, quando necessitava de dinheiro, ameaçava dançar nua nas escadarias do Senado. Attilio a chamava de chantagista, mas ela argumentava estar apenas cobrando a parte que lhe surrupiaram da herança paterna.
Decidiu então entrar para a política. Fundou o P.N.B., Partido Naturalista Brasileiro e conseguiu isto à custa de espetáculos gratuitos, seminua, nas escadarias do Teatro Municipal. O único preço que se pagava era lançar o nome na lista colocada à porta do teatro. Luz Del Fuego colheu, nada menos de 50.000 assinaturas por esse Brasil afora.
O memorial do PNB foi entregue pessoalmente por Luz a Salgado Filho que lhe garantiu passa-lo ao então senador Getúlio Vargas para os procedimentos necessários.
O sonho de Luz Del Fuego, entretanto, se desfez em chamas. Durante a última viagem de Salgado Filho ao Rio Grande do Sul, quando ia entregar o memorial, houve o horrível acidente no qual pereceu o político e o memorial foi destruído pelo fogo.
Sem o memorial e o apoio de algum figurão da política, foi fácil para Attilio conseguir que o partido não fosse registrado.
Luz não esmoreceu em seu ideal de criar um local próprio à prática do nudismo. Seduziu o ministro da Marinha para conseguir a cessão de uma ilha para a sede de sua colônia. Conseguiu a ilha de Tapuama de Dentro, que tinha dois terços de seus oito mil metros quadrados formados de rochas, além de cactos e arbustos secos. Sentiu-se enganada e com vontade de desistir, mas isto não era de sua natureza.
A Ilha do Sol , na segunda metade dos anos 50, passou a ser uma das grandes atrações do Rio de Janeiro, apesar de não fazer parte dos roteiros turísticos oficiais. Várias estrelas do cinema americano lá estiveram: Brigitte Bardot, Glenn Ford, Lana Turner, Ava Gardner, Tyrone Powel, César Romero, Errol Flynn e Steve MacQueen, que encerrou sua temporada de uma semana na ilha depois de acordar com uma das jibóias de Luz sobre seu peito.
Nos anos 60, estando as reservas financeiras de Luz terminando e a idade chegando esta passou
a viver na e para a Ilha do Sol. O encanto estava se quebrando e o mito começou a desaparecer. Seus amantes já não eram homens influentes e ricos.
Começou a se envolver com pessoas de nível duvidoso. Júlio, um pescador musculoso e analfabeto, com quem manteve uma relação de muitos meses. Para que ele fosse vê-la diariamente, Luz sustentava sua família em Paquetá. Seu último amor foi o guarda portuário Hélio Luís da Costa. Casado e com dois filhos, mandava o dinheiro de Luz para casa enquanto passava suas folgas na ilha. Os amigos tentavam alerta-la. Ela respondia que não se preocupassem e arrematava: "Eu sou uma Luz que não se apaga".
Os irmãos Alfredo Teixeira Dias e Mozart "Gaguinho" armaram uma emboscada para Luz del Fuego no dia 19 de julho de 1967. As ações criminosas de Mozart haviam sido apontadas à polícia por Luz, e ele queria se vingar. Atraiu Luz ao seu barco e a matou. Fez o mesmo com o caseiro Edgar. O crime só foi desvendado duas semanas depois, a partir do depoimento que um coveiro deu aos jornalistas Mauro Dias, do jornal O Dia e Mauro Costa, do jornal Última Hora. Alfredo foi preso e confessou a participação nas mortes.
|