Lojas belgas descartam carne e ovos
The Associated Press 04.06.99 Por RAF CASERT BRUXELAS, Bélgica -- O que temos para o jantar hoje? Não será bife para o prato principal. Nem galinha. Nada que leve ovos. Nem waffles para a sobremesa. Esquece os doces de pastelaria e os sorvetes. Uma nação inteira ficou se perguntando o que comer na Sexta-feira, depois que esses e outros alimentos foram retirados das prateleiras dos supermercados ou considerados…
04.06.99
Por RAF CASERT
BRUXELAS, Bélgica -- O que temos para o jantar hoje? Não será bife para o
prato principal. Nem galinha. Nada que leve ovos. Nem waffles para a
sobremesa. Esquece os doces de pastelaria e os sorvetes.
Uma nação inteira ficou se perguntando o que comer na Sexta-feira, depois
que esses e outros alimentos foram retirados das prateleiras dos
supermercados ou considerados suspeitos para servirem de alimento por causa
da dioxina cancerígena que se teme tenha se espalhado pela cadeia alimentar
belga devido a ração animal contaminada.
``Nem galinha, nem carne de porco, nem ovos, nem carne!" gritava a manchete
no jornal La Derniere Heure.
``E aquele vidro de maionese? Melhor nem tocar", disse o Ministro da Saúde
Luc Van den Bossche.
O governo se reuniu na sexta-feira à noite para decidir se retirava toda a
carne e produtos suínos dos mercados, após ter feito isso com as aves e os
ovos no início desta semana -- deixando os lojistas a ver prateleiras vazias
em vez de estarem estocando mercadorias para o fim de semana.
``Eu comprei ovos com garantia biológica e vou fazer macarrão vegetal no
sábado. Depois, vai ser uma porção de queijo e verduras", disse a compradora
Nina Deknopper. ``Minha filha me disse para jogar fora tudo o que temos, e
acho que é o que vou fazer. De agora em diante não confie em ninguém, só
no seu bom senso".
A polícia estava em estado de alerta na sexta-feira, para garantir que aves,
porcos ou gado não fossem abatidos ou transportados para lugar algum até
pelo menos sábado à noite. Os fiscais iam de loja em loja verificando se
produtos potencialmente contaminados tinham sido retirados das prateleiras.
As lojas de alimentos orgânicos estavam fazendo bons negócios e os alimentos
importados estavam em alta para substituir os desacreditados produtos
locais.
Os fazendeiros belgas estavam indignados.
``Nossa consternação é total", disse Roger Saenen do Sindicato dos
Fazendeiros.
``Isso é tão absurdo, impossível de engolir".
Os escândalo estourou na semana passada quando uma estação de televisão
noticiou que gordura contaminada com dioxina - um cancerígeno resultante da
fabricação de alguns herbicidas e pesticidas -- tinha sido utilizada na
fabricação de ração para aves. Os ministros belgas da saúde e da agricultura
pediram demissão quando se tornou evidente que eles estavam cientes da
dioxina um mês antes do fato vir a público.
O Primeiro Ministro Jean-Luc Dehaene voltou correndo de um encontro com a
União Europeia e se reuniu com ministros-chave para cuidar do assunto.
``Isso é extremamente sério", ele declarou.
A União Européia de 15 países, enquanto isso, rapidamente tomou medidas para
conter a crise dos alimentos e estava tentando acrescentar produtos
laticínios à lista das restrições já impostas para produtos de fazendas
suspeitas.
A Grécia proibiu imediatamente todas as importações de produtos animais da
Bélgica. A Grã-Bretanha afirmou que vai emitir uma ordem de emergência para destruir carne de porco, carne bovina e produtos afins de origem belga, suspeitos de contaminação por dioxina.
A Espanha ordenou que todos os produtos animais belgas sejam retirados do
mercado. A França disse que ia proibir as vendas e o transporte de 66
fazendas de gado que usam produtos contendo gordura animal fornecida por uma
empresa francesa que importou parte de seus produtos da Bélgica.
Países de fora da União Européia também estavam tomando providências. Os
Estados Unidos sustaram todas as importações de frango, carne de porco e
derivados da União Européia -- um reação que a União Européia chamou de
"desproporcional".
A Rússia proibiu a importação de ração para porcos. As autoridades
sanitárias confiscaram 20 toneladas de peru moído na Rússia central por
causa de temores de contaminação por dioxina. A Romênia proibiu todas as
importações de gado e produtos animais de origem belga.
Van den Bossche disse que 88.000 quilos de ração animal contaminada tinham
sido distribuídos para fazendas de aves, gado e porco no início deste ano.
Testes iniciais demonstraram.
O escândalo ficou limitado às aves até quinta-feira, quando se tornou
evidente que os porcos e bois também podiam estar contaminados. Estima-se
que 140 fazendas de gado, 500 fazendas de suínos e 416 fazendas de aves
tenham tido contato com a gordura contaminada.
Dois funcionários da empresa que produziu a gordura para ração animal foram
presos acusados de fraude.
A crise dos alimentos já estava afetando os empregos. A empresa de carne Ter
Beke teve que dispensar temporariamente 1.000 de seus 1.200 funcionários.
Este é o pior escândalo de alimentos na Europa desde a doença da vaca louca
em 1996, quando o Comitê da União Européia proibiu mundialmente a exportação de carne britânica