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Inspiração?

Isto fica claro no momento da despedida: em um gesto quase eucarístico, a esposa nos dá um pedaço de pão integral. De fato, poucas vezes provei um pão tão gostoso aqui no Brasil. Sim, a atitude lembra o agricultor-padeiro Supiot (3) que encontramos na França. Talvez a diferença esteja no fato de que estas pessoas agem com base numa marcante inspiração cristã, o quase não se encontra mais na Europa. Aparentemente, seu…

 

Isto fica claro no momento da despedida: em um gesto quase eucarístico, a esposa nos dá um pedaço de pão integral. De fato, poucas vezes provei um pão tão gostoso aqui no Brasil. Sim, a atitude lembra o agricultor-padeiro Supiot (3) que encontramos na França. Talvez a diferença esteja no fato de que estas pessoas agem com base numa marcante inspiração cristã, o quase não se encontra mais na Europa.

 

Aparentemente, seu exemplo é contagiante. Às 16 horas deixamos a propriedade. Um segundo grupo está chegando. Em busca de caminhos novos, alternativos.

 

Seara, 16 de dezembro de 2006.

 

P.S.: Após um dia enriquecedor, encontro-me aqui, em Seara, ao lado da jovem professora Silvete, esperando pelo ônibus que vai para Chapecó. Rememoramos as experiências do dia. De repente, vejo a verdade brilhar no texto em sua pasta escolar. Ao lado do maravilhoso termo Terra Solidária, leio: “Em chão que se planta educação, colhe-se uma terra solidária”. É exatamente isso o que acontece aqui...

 

(1)   Veja: <http://nyeleni2007.org/?lang=pt&lang_fixe=ok>.

(2)   Gilso Giombelli trabalha para a Associação dos Pequenos Agricultores do Oeste Catarinense (Apaco); <http://www.apaco.org.br>; apaco@apaco.org.br.

Gilso e Jovânia desprezam os que fazem discursos, mas não os praticam. Gilso me conta que sua sólida formação teve origem na ‘Pastoral da Juventude’. Eles trabalhavam na linha da Teologia da Libertação, mais especialmente a partir das idéias de Leonardo Boff. Gilso: “É preciso crer para ver. É preciso fazer para acontecer. Vemos muita gente falando de agricultura, mas não fazem agricultura. Vemos muitos representando os agricultores, mas não são agricultores. Vemos muita gente falando de agroecologia, mas não praticam agroecologia. Muita gente falando de produção de alimentos para o consumo próprio, mas não produzem. Muitos dão assessoria em produção agroecológica e consomem produtos convencionais. Muitos falam de distribuição de renda, mas não abrem mão de seu salário alto de sua formação superior. Muitos falam de preservação da agrobiodiversidade, mas não conseguem fazer algo para isso. Estas e outras reflexões nos inspiram a fazer mais, na prática, os nossos discursos e permanentemente refletimos sobre o que mais podemos fazer para termos mais sustentabilidade no nosso pequeno espaço geográfico.

As palavras convencem; as práticas efetivas comovem. Estamos convencidos pela nossa base religiosa de que a defesa da vida é diária e não esporádica.”

(3)   Réseau Semences Paysannes [Rede de Sementes Crioulas] <http://www.semencespaysannes.org>. Nicolas Supiot é co-fundador desta organização (veja o site; no tópico ‘publications et vidéos’ [em francês] encontram-se documentos interessantes). Tal como no Brasil, este movimento pretende promover o uso de sementes crioulas. O próprio Supiot, por exemplo, cultiva variedades antigas de cereais e produz pães com os mesmos.

Autoria preservada do acervo

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