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História do Vegetarianismo no Japão

Eiko Azumano Sobre a autora: Eiko Azumano, diretora da Sociedade Vegetariana do Japão (JPVS) Vegetariana desde 1999, Eiko é intérprete simultânea, poliglota, fala 5 idiomas e é guia turística. Ela escreveu o seu primeiro livro "O Pequeno Livro de Zen" no ano 2020. Shinto, Budismo e Samurai – Uma longa história vegetariana no Japão. O Japão sempre foi muito afeito ao vegetarianismo, o nosso quadragésimo (40) imperador…

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Eiko Azumano

Sobre a autora: Eiko Azumano, diretora da Sociedade Vegetariana do Japão (JPVS)

Vegetariana desde 1999, Eiko é intérprete simultânea, poliglota, fala 5 idiomas e é guia turística. Ela escreveu o seu primeiro livro "O Pequeno Livro de Zen" no ano 2020.

Shinto, Budismo e Samurai – Uma longa história vegetariana no Japão.

O Japão sempre foi muito afeito ao vegetarianismo, o nosso quadragésimo (40) imperador Temmu proclamou uma lei proibindo que se comesse animais no século VII (ano 675). Quase 100 anos depois o arquipélago japonês adotou o budismo vindo da China e da Coreia.

O primeiro contato que o Japão teve com o budismo foi quando uma pequena estatua de bronze de Shakamuni (buda) chegou de Baekje, península Coreana, no ano 538. Até nesse período, a religião nativa do Japão era o xintoísmo. Como o ensino budista cresceu dentro do país, houve debates entre os líderes para decidir qual seria a religião principal do país. Felizmente nunca houve um grande confronto ou algo parecido, nós praticamos o xintoísmo e o budismo de uma maneira harmoniosa. Essa tendência sempre tem sido o jeito do Japão. Somos um país pequeno rodeados de mar, então tratamos de viver em paz e sem muita discussão ou briga, tratamos de respeitar um ao outro.

O Japão é realmente o arquipélago de "Galápagos" do budismo. O Japão enviou missionários a China para aprender os novos ensinamentos do budismo e nós os interpretamos e mesclamos com a nossa própria religião original.

Shakamuni (buda) proibiu comer animais para mostrar "Metta-suta" (compaixão) aos outros animais e "Ahimsa (Não matar)" um dos aspectos muito importantes da prática do budismo. Por isso no Japão também por muitos anos não se comiam os animais. Porém, as pessoas que viviam nas montanhas nos tempos medievais, caçavam javalis e coelhos selvagens, mas davam um nome diferente à comida para fingir que eles não estavam comendo a carne de um animal.

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A seita budista esotérica tibetana foi fundada pelo sacerdote Kukai (também conhecido como Kobo-Taishi). No ano 816, ele fundou um santuário na montanha Koyasan (3 horas de Osaka) a 900 metros de altura, no alto das montanhas com o formato de uma flor de lótus. É um dos mais velhos paraísos vegano do mundo. Por mais de 1000 anos, os monges sempre se alimentaram de comida vegana e meditam para treinamento do budismo esotérico Shingon. 

Uma comida vegana muito interessante deles se chama Koya Tofu. Certo dia em que nevava, o monge esqueceu e deixou o Tofu toda noite fora e o Tofu congelou e ficou seco. Para não jogar fora esse monge colocou o tofu dentro da água quente e ali esse Tofu ficou como esponja e com um pouco de Shoyu e o caldo de alga e cogumelos, ficou delicioso. Agora você pode comprar em qualquer supermercado esse Koya-Tofu e pode substituir a carne.

Shinnyokai-Shonin, templo Dainichibou, pref. Yamagata

Na região norte do Japão, Shonai, Yamagata havia no século 16-18 muitos monges que juraram que por toda a vida seriam múmias perfeitas para ajudar a eliminar o sofrimento dos seres humanos por toda a eternidade. Os ensinamentos do budismo esotérico Shugendo eram muito rigorosos, eles somente comiam cajus e castanhas diariamente (por 40 a 70 anos) e antes de morrer, os seus discípulos enterravam ele na terra com um pequeno buraco para respirar e depois de 3 anos escavavam o monge que virou  múmia

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Dogen

Outra figura muito importante vegana na história japonesa é o Dogen, o fundador do Soto Zen. No ano 1244, o Dogen estabeleceu o templo matriz Eiheiji, na Prefeitura de Fukui. Este templo é onde Steve Jobs queria entrar para aprender o Zen nos anos 1970. O Dogen escreveu um livro "Tenzo" e onde estabeleceu regras para preparação da comida vegana, se chama "Shojin Ryouri (traduzido como "Comida para a iluminação"). A alimentação era parte do treinamento rigoroso do Zen, e os monges ainda hoje seguem esse regulamento no Templo Eiheiji.

Gokan-No-Ge (5 reflexões para comer)

1. Agradecer as milhares de pessoas que trabalharam pra fazer a comida que está na sua frente.

2. Refletir o seu comportamento diário para ver se você merece receber essa comida.

3. Observar se o seu espírito é puro como essa comida, sem raiva, ciúme ou ambição.

4. Comer a refeição como se fosse um remédio para o seu corpo.

5. Compreender que essa comida é para atingir o Satori (iluminação)

Época moderna do vegetarianismo no Japão.

Os samurais tradicionalmente mantinham uma dieta saudável com arroz, legumes e um pouco de peixe. Mas isso mudou no momento do descobrimento pelos ocidentais no século XIX. O Almirante da marinha do Estado Unidos, Matthew C. Perry chegou no pequeno porto de Uraga no ano 1853, e insistiu que o Japão abrisse as portas para o mundo. Depois que os missionários portugueses e espanhóis trouxeram o cristianismo no século XVI (1549), o Japão proibiu o cristianismo e fechou as portas durante quase 260 anos no período Edo. Mas com a chegada do Perry tudo mudou, no final de 700 anos de história dos Samurais. Como o novo governo Meiji percebeu que o Japão era bem mais atrasado do que o Inglaterra, França ou Estados Unidos nos anos 1870, o governo insistiu que os militares deviam ser fortes e foi assim que o governo promoveu a que os meninos começassem a comer carne de boi, pois eles acharam de forma equivocada que comendo carne os meninos seriam grandes e fortes como os ocidentais. 

O Japão depois teve uma época escura de totalitarismo (1910-1945) e que acabou com duas bombas atômicas que caíram em Hiroshima e Nagasaki e o Japão perdeu a guerra contra o Estados Unidos e os países das forças aliadas e assinou a declaração Potsdam no ano 1945. Depois disso, a consumo da carne e o leite entrou com força no país, principalmente a partir dos EUA. Resulta que hoje em dia, é muito difícil encontrar comidas veganas no Japão. Muitos produtos que achamos sem dúvidas que serão veganos tais como Batata-Chips as vezes contém resíduos dos ossos do frango como tempero e o Café com leite de soja as vezes contém caseína que vem do leite da vaca. Muitas pessoas nem sabem o que é "Vegano" eu fui um dia numa festa vegana em Osaka e eles vendiam ovos e mel.

A televisão promove beber leite e as celebridades comem a carne da cidade de Kobe dizendo que é uma delícia, e é assim que hoje em dia a maioria dos japoneses nem tem ideia de evitar de comer carne. E muitas pessoas estão sofrendo de doenças modernas tais como câncer, diabetes, pressão alta e alergias e estão dando grandes lucros para as empresas farmacêuticas 

Porém a comida japonesa tem muitos ingredientes veganos que agora os ocidentais usam de um jeito muito interessante e inovador. Vou compartilhar alguns ingredientes tradicionais veganos aqui.

Natto - É um feijão fermentado, por causa da fermentação ele produz uma textura gosmenta. Normalmente comemos o Natto com umas gotas de molho soja e arroz. A maioria dos Nattos que vendem nos supermercados no Japão contém um saquinho com molho de soja e peixe, assim que não devem usar molho de peixe é melhor usar o Tamari que é um molho sem glúten. 

Umeboshi – é a Ameixa como pickles, é muito azeda e salgada, assim nós a comemos em pedacinhos com arroz. Você pode colocar Umeboshi em cima do arroz e o chá verde para fazer Ochazuke (sopa de chá). Algums Umeboshis doces contém mel, se você é vegano(a) procure sem mel.

Atsuage – Tofu frito. Tem muito volume assim que você pode fazer como o bistek Tofu. Tem que passar na água fervida para tirar o excesso de óleo antes de cozinhar.

Nori – Alga do mar, tem muitos minerais bom para fazer crescer o cabelo.   Nós comemos enrolado no arroz ou adicional na Soba (macarrão do sarrasin) Alguns Noris contém extrato do peixe ou ostra, terá que verificar.

Hoshi-shitake – Cogumelo seco. Colocar na água por uma noite e pode ter um caldo maravilhoso. E o resto do cogumelo você pode usar como carne. 

Okara – Coalhada do Tofu, pode fazer hambúrguer com o tofu e acrescentar outros legumes ou feijão. É muito saudável e tem volume.

Goma-Dofu – É o tofu frio como pudim de gergelim. Comemos com molho de soja e um pouquinho de Wasabi. Conhecido como Goma-Dofu de Koyasan. Muito bom para o calor de verão. 

Autoria preservada do acervo

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