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Feira da Agricultura Familiar e concentração de supermercados.

Será que é assim mesmo? Ao caminhar em direção à Feira da Agricultura Familiar pode-se observar imagens bem diferentes: agricultores e agricultoras oferecem, com orgulho, os produtos de sua própria fabricação; consumidores que sabem porque estão aqui. São produtos da agroindústria familiar, em franca expansão em Santa Catarina, no Paraná e Rio Grande do Sul. Deste modo, a produção local – e também o processamento…

Será que é assim mesmo? Ao caminhar em direção à Feira da Agricultura Familiar pode-se observar imagens bem diferentes: agricultores e agricultoras oferecem, com orgulho, os produtos de sua própria fabricação; consumidores que sabem porque estão aqui. São produtos da agroindústria familiar, em franca expansão em Santa Catarina, no Paraná e Rio Grande do Sul. Deste modo, a produção local – e também o processamento local destes produtos – se mantém nas mãos de agricultores. O valor agregado e a alegria do trabalho também. Será que não deveriam ser eles os primeiros a incentivar a ‘soberania alimentar’? Este tipo de feira é realizado três vezes por semana em Chapecó. Em dezenas de outras cidades e municípios você sente, nestas feiras de agricultores familiares, o pulsar do coração das comunidades locais.

Estou lendo aqui o relatório da OCDE (2) sobre as evoluções na agricultura brasileira. O que os saquinhos do Superpão e do Brasão ao lado das casas já haviam me mostrado é confirmado no relatório: “Estima-se que, no ano 2000, os supermercados detinham 75% da distribuição. Em 1990, este percentual era de apenas 20%.” Ou seja, a onda de liberalização da década de 1990 realizou bem o seu trabalho (3). Esta concentração de poder traz conseqüências de grande impacto na agricultura familiar. O relatório afirma que o cenário é particularmente desfavorável para aqueles que querem fornecer frutas, verduras e laticínios frescos. E estes são exatamente os produtos que representam a artéria vital da agricultura familiar. A maior parte das verduras e frutas (até 90%) comercializadas aqui é trazida do Ceasa de Curitiba, a 480 km de distância. Situação comparável com a importação de verduras da Holanda, que acabou com a olericultura na região de Hamburgo (Alemanha). Ou mais longe ainda: desde a década de 1960, a região de Almeria, na Espanha, é o ‘cinturão verde’ da Europa. Lá, milhares de africanos trabalham em estufas quentes e por um salário de fome. Os europeus? Bem, estes consomem, em média, 10 kg de verduras por ano da região de Almeria! Será que este leva-e-traz será neutralizado se os caminhões passarem a utilizar biodiesel? O biodiesel da agricultura familiar?

Autoria preservada do acervo

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