Eucaliptos e pinus.
No Espírito Santo, o espírito atormentador e violento da Aracruz já se manifesta há quase 40 anos. Com a colaboração do governo do estado, foram desapropriadas, principalmente, as terras de indígenas das etnias tupiniquim e guarani. As comunidades de quilombolas (descendentes de escravos) também sofrem, regularmente, com a violência. No dia 20 de janeiro de 2006 ainda foi realizada uma ação contra os tupiniquim, na…
No Espírito Santo, o espírito atormentador e violento da Aracruz já se manifesta há quase 40 anos. Com a colaboração do governo do estado, foram desapropriadas, principalmente, as terras de indígenas das etnias tupiniquim e guarani. As comunidades de quilombolas (descendentes de escravos) também sofrem, regularmente, com a violência. No dia 20 de janeiro de 2006 ainda foi realizada uma ação contra os tupiniquim, na qual duas aldeias foram destruídas. Também houve muitos feridos.
[Foto 26]
Guarani durante seu culto. A água ocupa a posição central em sua casa de oração
Além disso, os desertos verdes geram somente um posto de trabalho para cada 185 hectares enquanto na agricultura familiar é criado um posto de trabalho a cada 8 hectares. E, obviamente, estes reflorestamentos com quilômetros de extensão são destituídos de qualquer biodiversidade, enquanto as estiagens no Brasil pioram a cada ano. Este grande consumidor de água – a evapotranspiração de uma árvore adulta pode chegar a 20 mil litros de água por dia (4) – dá uma grande contribuição neste sentido. No âmbito da ‘segunda geração de espécies energéticas’, estão sendo realizadas pesquisas para obter energia de espécies geneticamente manipuladas. O eucalipto vai se tornar ainda mais interessante. Obviamente ninguém fala da contaminação do meio ambiente por árvores transgênicas. Afinal, o eucalipto e o pinus são parte de uma estratégia para não implementar a reforma agrária. Terras ‘improdutivas’ – passíveis de reforma agrária – tornam-se ‘produtivas’ pelo reflorestamento com eucaliptos. A partir daí, estão perdidas para centenas de milhares de famílias que esperam por um lote.
A clonagem das variedades arbóreas, o rápido desenvolvimento e o lucro igualmente rápido, sem ter que se preocupar com ‘detalhes’ sociais e ecológicos, está em perfeita sintonia com o capitalismo que mantém o planeta em suas garras asfixiantes. As terras dos reflorestamentos, destituídas de qualquer vida, degradam numa velocidade assustadora. Depois do pinus, pode esquecer a agricultura familiar!