Comoção Nacional
Quando há um crime bárbaro, que causa comoção nacional, muitas pessoas se reúnem para pedir justiça, para exigir a redução da maioridade penal (se baixar para 16 anos, os criminosos começam a carreira de delito aos 15), para clamar pela construção de mais penitenciárias e da aplicação da pena capital, entre outras reivindicações. Vemos atualmente o caso do menino João Hélio, de seis anos, arrastado preso ao cinto de…
Quando há um crime bárbaro, que causa comoção nacional, muitas pessoas se reúnem para pedir justiça, para exigir a redução da maioridade penal (se baixar para 16 anos, os criminosos começam a carreira de delito aos 15), para clamar pela construção de mais penitenciárias e da aplicação da pena capital, entre outras reivindicações. Vemos atualmente o caso do menino João Hélio, de seis anos, arrastado preso ao cinto de segurança nas ruas do Rio de Janeiro. Talvez, se fosse eu o pai, com as minhas filhas de 2,5 e 3,7 anos a sofrerem tal atrocidade, agiria da mesma forma ou até mais contundente. Ainda mais por a minha filha mais velha ter Síndrome de Down e, portanto, ser portadora de mais inocência e pureza, estaria eu como porta-voz para o recrudescimento das penas para os assassinos.
Em instantes de comoção é o que dá para pensar em fazer. Mas, e nos outros momentos? A grande maioria das pessoas se reúne para ir às festas, campos de futebol, templos religiosos, desfiles de escola de sambas etc e, nessas ocasiões, se esquecem dos problemas cotidianos como por encanto. Por que não se antecipar e instados por uma indignação crescente, não pedimos a democratização da mídia, o fim de corrupção, da falta de escolas, do descaso dos governantes, da destruição do planeta...? Ah! Isso dá muito trabalho! Isso é ser cidadão e para ter cidadania temos que suar em demasia. Temos ânimo e companheirismo apenas para lazer e futilidades.
Pois bem! Tenho por mim que a raiz de nossos problemas está na falta de educação. Educação formal, ambiental e humanitária. Se tivermos escolas, de qualidade, que fique bem claro!, teremos cidadãos conscienciosos. Sendo assim, saberemos exercer em sua plenitude o direito de reivindicar uma divisão igualitária de todo o lucro proveniente de tudo produzido no Brasil e no planeta. Exigiremos e teremos escolas gratuitas, assistência médica, segurança, empregos, bem-estar, lazer, qualidade de vida, oportunidades e direitos iguais para todos, minimizando a pobreza e a violência ora existentes, além de respeitarmos mais a natureza, permitindo a todos os seres que nos acompanham em nossa jornada o direito de existirem sem serem trucidados e comidos. Este último tópico amenizaria, também, a degradação do planeta, evitando-se o aquecimento global e a suas nefastas conseqüências. Por sermos sempre violentos com os animais e com toda a natureza ao nosso redor, banalizamos nossos atos crudelíssimos e os aplicamos, também, aos seres humanos.
O nosso maior problema não é a violência e, sim, a falta de educação. Com educação saberemos que não somos apenas massa de manobra à mercê dessa corja que abunda no meio político e dos empresários inescrupulosos, ambos nos explorando, sociabilizando os prejuízos (poluição, destruição do meio ambiente, má gestão dos serviços públicos, corrupção, sonegação etc) e privatizando os lucros (quase tudo para eles: sentenças favoráveis, dinheiro polpudo nas contas, imprensa a favor, bens materiais...). São essas atitudes dos dois lados (omissão e preguiça x ganância e falta de escrúpulos) que permitem que seres humanos sejam transformados em assassinos sem coração, verdadeiras bestas sanguinárias.
Com escolas, empregos, bem-estar e ocupação sadia não sobrarão tempo, vontade e, tampouco, motivos para continuarmos cometendo crimes de toda a sorte, hediondos ou não, e isso seria a chave para a extinção da barbárie.
É refletir e agir!
Paulo Antônio de Almeida Bastos
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