Como peixes cegos[1] na água
Será que diante dessas evidências, em ambas as águas, um intercâmbio com peixes de outras águas teria sentido? Para aprender a enxergar com os olhos de uma criança. Com os olhos de um peixe estrangeiro. Eu quero continuar sendo um desses peixes andarilhos, que nada de vez em quando para a outra margem. Os peixes podem aprender com as peculiaridades uns dos outros. Nova Prata do Iguaçu, 10 de dezembro de 2006. (1)…
Será que diante dessas evidências, em ambas as águas, um intercâmbio com peixes de outras águas teria sentido? Para aprender a enxergar com os olhos de uma criança. Com os olhos de um peixe estrangeiro.
Eu quero continuar sendo um desses peixes andarilhos, que nada de vez em quando para a outra margem. Os peixes podem aprender com as peculiaridades uns dos outros.
Nova Prata do Iguaçu, 10 de dezembro de 2006.
(1) ‘Urubu e gaivota-de-dorso-escuro’, em: ‘Brazilië: spiegel van Europa? Op zoek naar eigen spirituele bronnen’ [Brasil: espelho da Europa? Em busca de suas próprias fontes espirituais]. Heeswijk: Dabar/Luyten. 2000.
(2) O gás metano causa 23 vezes mais impacto no processo de aquecimento global do que o tão falado CO2, acerca do qual são tomadas tantas medidas no âmbito do Protocolo de Kyoto. No final de novembro de 2006, a FAO fez o alerta e parece haver um estudo realizado na Alemanha que confirma esta questão.
De acordo com Schutz der Erdatmosphäre’[Proteção da Atmosfera da Terra], do Parlamento Alemão (Bonn, 1995), o gado é responsável por 8,5% das alterações climáticas. As 1,3 bilhão de cabeças de gado não só consomem 600 milhões de toneladas de ração, mas também o gás metano expelido por cada cabeça produz um efeito estufa equivalente a um veículo tipo passeio. É que o metano seria 23 vezes mais poluente do que o CO2. No caso da Austrália, terceiro maior produtor de carne bovina, a situação é totalmente alarmante. Jared Diamond ‑ autor norte-americano de best-sellers como Armas, Germes e Aço e, atualmente, Colapso – Como Sociedades Escolhem Falhar ou Ser Bem-sucedidas ‑ afirma que, na Austrália, dos 19,2% de emissões de gases produzidas pela agricultura, a maior parte é proveniente da criação de gado. Os veículos são responsáveis por ‘somente’ 14,4% da emissão dos gases que provocam o efeito-estufa. Veja também o documento final do intercâmbio Fetraf-Wervel: ‘OMC e os fluxos de alimentos entre Brasil e Europa’, março de 2005. Quem se habilita a fazer o cálculo para o maior rebanho comercial do mundo ‑ especificamente, o do Brasil? No Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai – os países que formam o Mercosul – as emissões de gás metano pelo gado representariam 48% do total das emissões de gases com efeito-estufa. Este foi o cálculo da Universidad Nacional del Centro de la Província de Buenos Aires (UNICEN). O problema do clima deve, portanto, ser atacado no campo. Veja: <http://mo.be/index.php?id=6 1&no_cache=1&tx_uwnews_pi2%5bart_id%5d=17754>.
(3) Assim como no país da carne, cresce lentamente um forte movimento vegetariano, ou seja, também surgem gradativamente protestos contra o barulho. Veja o site <http://www.chegadebarulho.com>.
[1] Em holandês, a expressão ‘als vissen in het water’ [como peixes na água] é utilizada para se referir à naturalidade com que se aceita o ambiente em que se nasce e cresce, sem questionamentos. Um peixe somente se dá conta de que o ambiente onde vive é formado por água quando é retirado dela e morre asfixiado.