Colonização – descolonização
Toda esta salada saborosa de impressões me faz refletir sobre colonização. Desde a década de 1960, ‘colonização’ tem um sabor residual desagradável lá em Flandres. Muitos europeus se envergonham, com toda razão, sobre nossa história colonial coletiva. Como uma dívida coletiva, que seria melhor pagar logo. Se, por exemplo, a Europa fosse obrigada a devolver todo seu ouro e sua prata à América Latina, nem haveria…
Toda esta salada saborosa de impressões me faz refletir sobre colonização.
Desde a década de 1960, ‘colonização’ tem um sabor residual desagradável lá em Flandres. Muitos europeus se envergonham, com toda razão, sobre nossa história colonial coletiva. Como uma dívida coletiva, que seria melhor pagar logo. Se, por exemplo, a Europa fosse obrigada a devolver todo seu ouro e sua prata à América Latina, nem haveria ‘dívida externa do Terceiro Mundo’. Teríamos, imediatamente, uma inversão da dívida externa. Não, de acordo com os fatos, nós herdamos uma dívida inversa. Só que ela não é chamada assim. E ainda nem falamos do sofrimento imposto aos povos tradicionais em todo o mundo.
Não faz muito tempo que a conscientização sobre relações coloniais em nossa região era totalmente diferente. Na minha cidade natal, Diest, meu avô comercializava ‘produtos coloniais’. Café & Cia. Foi somente a partir da década de 1960 que ‘nossas’ colônias européias caíram, uma a uma: Congo [Bélgica], Indonésia [Holanda], Argélia [França], Angola [Portugal], etc. Não porque nós não as quiséssemos mais; elas conquistaram sua liberdade com muita luta para, em seguida, serem submetidas a novas formas de colonização. Escrevi detalhadamente sobre o tema no prefácio de ‘Navios que se cruzam na calada da noite. Soja sobre o oceano.’ Portanto, não vou me repetir, ainda que a vida tenha sido dura durante estes cinco séculos. É uma história com muito sangue e lágrimas.