Carne brasileira é 100 vezes mais antiética que a britânica, diz ‘The Guardian’
BBC Brasil 18 de outubro, 2005 Em artigo publicado pelo jornal The Guardian, o jornalista e ativista político Georges Monbiot afirma que comer carne brasileira é "cem vezes mais antiético" do que comer carne britânica.Monbiot trata da descoberta de novos casos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, mas também afirma que a expansão da pecuária no Brasil é a principal responsável pelo fato de que "os últimos três anos…
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Monbiot trata da descoberta de novos casos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, mas também afirma que a expansão da pecuária no Brasil é a principal responsável pelo fato de que "os últimos três anos foram os mais destrutivos da história da Amazônia brasileira".
Ele atribui a pecuaristas da região "o massacre" de 1,2 mil pessoas e o que diz ser a "quintuplicação" da escravidão no Brasil nos últimos dez anos.
"O governo de um país que – apesar de seus melhores esforços – não conseguiu acabar com a escravidão, os assassinatos e as catástrofes ambientais espera que a gente acredite que seus padrões de higiene nas fazendas são implementados de forma tão rigorosa quanto as de qualquer outra nação", escreve o ativista.
Ele termina o texto conclamando os leitores do jornal a ajudá-lo a "localizar" os estabelecimentos que vendem carne brasileira, uma vez que, segundo o autor do texto, ninguém na Grã-Bretanha agora admite que está negociando o produto.
Tirando o brilho
Outro jornal britânico, o Financial Times, afirma que o gado brasileiro com febre aftosa é um dos três "incidentes" que estão "tirando o brilho" de recentes vitórias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições para as lideranças do PT e do Congresso.
O segundo incidente é o recuo do governo na chamada "MP do Bem", qualificada por um analista citado pelo jornal como "a mais importante iniciativa legislativa do governo neste ano".
E um terceiro incidente, segundo o FT, é a seca que atinge a região amazônica.
"Críticos dizem que mais deveria ter sido feito para preparar serviços de emergência", diz o jornal.
Argentina fatura
Estes temas estão também presentes na mídia de outros países.
O diário argentino Clarín observa que a Argentina pode sair ganhando com a crise da febre aftosa no Brasil.
O jornal afirma que, graças a isso e ao surgimento do primeiro caso de gripe aviária na União Européia, o país pode lucrar US$ 400 milhões extras em 2005 com exportações de carne de gado e de frango, que "é considerada livre de todas estas enfermidades" na Argentina.
Na Espanha, o El Mundo diz que a atual seca ameaça "destruir a bacia do Amazonas".
"Na maior bacia fluvial do mundo por volume de água, boa parte dos habitantes carece hoje de pesca, água potável e energia elétrica", diz o diário madrilenho.
