Adalberto Freire e os ‘obstáculos para se chegar à agroecologia’
Em seguida, abre-se o debate para a plenária e qualquer um pode argumentar sobre por que a agricultura familiar não pode romper bruscamente com o modelo tradicional e optar pela produção agroecológica. Adalberto Freire – não, não é o filho de Paulo Freire e sim coordenador de Terra Solidária – digita no computador. O data-show reproduz o debate: - Falta de ação, não se consegue pôr em prática porque o processo é…
Em seguida, abre-se o debate para a plenária e qualquer um pode argumentar sobre por que a agricultura familiar não pode romper bruscamente com o modelo tradicional e optar pela produção agroecológica. Adalberto Freire – não, não é o filho de Paulo Freire e sim coordenador de Terra Solidária – digita no computador. O data-show reproduz o debate:
- Falta de ação, não se consegue pôr em prática porque o processo é lento;
- O conhecimento é fundamental para práticas agroecológicas;
- Falta de políticas públicas para o meio ambiente;
- Qual é nossa capacidade de proposição de políticas públicas?
- O comodismo imposto pelo projeto neoliberal/capitalismo;
- Desestímulo da produção devido à competição no mercado com produtos geneticamente modificados;
- Individualismo incentivado pela Revolução Verde;
- A idéia de que produzir de for ma tradicional é menos exaustivo;
- A transformação para um processo agroecológico requer uma mudança cultural;
- Será que os(as) agricultores(as) familiares têm opção de escolha do seu processo produtivo?
[Foto 54]
Em chão onde se planta educação, colhe-se uma Terra Solidária.
- Embora se tenha avançado nos debates, há uma imensa dificuldade de implementar sistemas agroecológicos de produção;
- Qual o volume de recursos utilizados para agroecologia e qual o volume de recursos utilizados para pesquisas tecnológicas?
- Agroecologia como uma possibilidade de mudança social;
- Mudança de nossos hábitos cotidianos para uma mudança radical de incorporação de práticas agroecológicas;
- Não existem receitas prontas para a produção agroecológica;
- Alimentos produzidos de forma agroecológica têm custo financeiro mais elevado, dificilmente competem com o mercado;
- A mudança para uma produção agroecológica precisa ser vista como um processo ‑ passa por quem produz, mas também por quem consome;
- Onde se encaixa a produção agroecológica: no mercado ou na feira?
- Trabalhar com as contradições;
- Agroecologia mediadora entre a natureza e a sociedade.
A relação é longa, mas serve de aquecimento para abordar o tema da próxima etapa. São 20 grupos, cada um com 30 alunos, que retomarão seus estudos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Educação sob medida para eles e a partir da realidade que eles vivem no campo. Nos últimos anos, ouve-se falar muito em ‘conservação’ no Brasil, mas como é possível combiná-la com ‘produção’? A agricultura familiar certamente pode fazer a diferença nisso.
Será que conseguiremos retornar a uma Terra Solidária? Onde terra e solidariedade caminhem juntas? Afinal um programa semelhante a Wervel: Grupo de Trabalho por uma Agricultura Justa e Responsável. Agricultura ecologicamente responsável com a terra que nos sustenta. Uma terra que se recupera e na qual uma agricultura socialmente justa se torna possível.
Francisco Beltrão, 8 de dezembro de 2006.
(1) O governo federal planeja, para 2008, criar uma nova universidade no Oeste de Santa Catarina, denominada ‘Mesorregião Grande Fronteira do Mercosul’. Será uma universidade para a região montanhosa dos três estados sulinos do Brasil, com possibilidade de cooperação além das fronteiras, com Argentina e Paraguai. No início de 2007, foi realizada, em Chapecó, uma grande audiência com os movimentos e organizações sociais da região. A intenção é criar uma universidade nesta região onde, até agora, não há cursos de nível superior, e em sintonia com os anseios da Agricultura Familiar e outros movimentos sociais.