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Açúcar, álcool e café

Enquanto aqui o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, há meses reclama da crise na agricultura (‘O pior dos mundos’), o faturamento da exportação de produtos agrícolas brasileiros nunca foi tão elevado. O sangue de Dorothy lavou a terra. Justiça! Os bancos também obtêm lucros históricos. Por muito menos o Rabobank se arriscaria instalar no Brasil. Embora desde meados de 2004 estejamos observando um esfriamento…

Enquanto aqui o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, há meses reclama da crise na agricultura (‘O pior dos mundos’), o faturamento da exportação de produtos agrícolas brasileiros nunca foi tão elevado.

[foto 17]

O sangue de Dorothy lavou a terra. Justiça!

[Cartaz numa escola em São Luis]

 

Os bancos também obtêm lucros históricos. Por muito menos o Rabobank se arriscaria instalar no Brasil. Embora desde meados de 2004 estejamos observando um esfriamento na euforia da soja (preços mundiais em queda, estiagem, dólar elevado na hora do plantio e na aquisição de sementes-adubos-agrotóxicos, dólar baixo na hora da colheita), ainda há muitos que comemoraram. Nos primeiros 11 meses de 2005, as exportações somaram 39,936 bilhões de dólares, 900 milhões a mais do que no ano anterior. Principalmente açúcar e álcool (juntos, 51,8% a mais do que no ano anterior), além do café (46% a mais), estão indo muito bem. Açúcar e álcool estão relacionados com a iminente liberalização do mercado mundial para este produto e com o fato de a Europa desejar que seus motoristas utilizem combustíveis ‘verdes’. Ou seja, com o álcool produzido nos ‘desertos’ de cana-de-açúcar. Isso sem falar das novas formas de escravidão dos cortadores de cana. A crise mundial do café dos últimos anos parece ter sido esquecida.O Brasil é líder, tanto na exportação de café quanto de açúcar-álcool. A exportação de soja diminuiu 8,1%, enquanto a exportação de carne aumentou mais 14%. A de carne bovina diminuiu 7,6%, por causa da febre aftosa, constatada aqui no dia 10 de outubro de 2005. Desde então 52 países fecharam suas fronteiras para a carne e outros produtos brasileiros. Estranhamente, o preço da carne bovina não diminuiu e, sim, aumentou em 19,4%. Por causa desse aumento de preço, a redução de 22% no volume de exportações foi, parcialmente, compensada.

Autoria preservada do acervo

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