A salvação vem do povo que se organiza
Em San Pedro, chegamos a uma comunidade simpática. Quase todos possuem a pele escura típica dos povos nativos. Foram eles que, na década de 1980, desceram até estas planícies e também são eles que determinam que o Presidente Evo Morales ainda tenha, em Santa Cruz, uma base de apoio de 30%. Está claro que não foram os brasileiros que votaram no cocalero Evo. Os brasileiros não são bem-vistos, pois chegaram em grande…
Em San Pedro, chegamos a uma comunidade simpática. Quase todos possuem a pele escura típica dos povos nativos. Foram eles que, na década de 1980, desceram até estas planícies e também são eles que determinam que o Presidente Evo Morales ainda tenha, em Santa Cruz, uma base de apoio de 30%. Está claro que não foram os brasileiros que votaram no cocalero Evo. Os brasileiros não são bem-vistos, pois chegaram em grande número e foram ocupando o solo fértil com monoculturas. Soja, que fique bem entendido. Como aconteceu no Paraguai. Um representante do Paraguai afirma: “Em nossa estratégia de proteção da natureza e da agricultura familiar, precisamos colaborar além das fronteiras. Se, no Paraguai, um hectare custa 1500 dólares; no Paraná, mil dólares e, na Bolívia, 500 dólares, é óbvio para onde vai o dinheiro.” E, portanto, também o avanço deste modelo de soja perverso na Bolívia. E isto nós não queremos.
Nos dias seguintes nos reunimos para discutir qual estratégia podemos desenvolver para fortalecer as características próprias da agricultura familiar. Por exemplo: qual deve ser nossa posição em relação à ‘Mesa Redonda sobre Soja Responsável’ (em inglês, RTRS)? Um suíço arrogante vem expor os planos da RTRS. O engraçado é que, em tudo o que faz e deixa de fazer, ele me lembra o ‘messias’ Blairo Maggi. Não exatamente um companheiro na implementação de um outro modelo. O problema é que os suíços estão investindo muito dinheiro para impor sua Mesa Redonda – com fazendeiros, indústrias de soja e outras. Uma assim chamada ‘Mesa Redonda’. Uma mesa para o desenvolvimento? Seguindo os passos do Banco Mundial?