A (des)proteção dos animais - Isilda M. Henrique
Dentre os livros sobre animais, destacamos “A bondade no animais – histórias verdadeiras de animais que preferem fazer o bem”, cujo título fala por si mesmo. Na obra, Kristin von Kreisler (também autora de “A compaixão dos animais”) conta histórias verdadeiras, como estas: “- Uma porca muito gorda que se deitou no meio da rua, em pleno tráfego, na frente da sua casa, soltando gritos agudos para conseguir ajuda para…
“- Uma porca muito gorda que se deitou no meio da rua, em pleno tráfego, na frente da sua casa, soltando gritos agudos para conseguir ajuda para sua dona, que havia sofrido um ataque cardíaco.
- Uma cadela que sofrera uma luxação de disco e que, mancando de dor, foi sozinha até o consultório do seu veterinário, e arranhou a porta do clínico para pedir ajuda cinco anos depois de sua última consulta.
- Um macaco de Sumatra que, durante doze dias, levou bananas e brotos de bambu para um sargento britânico que havia ficado preso numa árvore ao saltar de pára-quedas durante a Segunda Guerra Mundial.”
No entanto, há nesse livro uma história que escolhemos oferecer ao leitor na íntegra, para que dela extraia suas próprias conclusões:
“Emily, uma enorme porém gentil vaca holstein preta e branca, pesando 636 quilos, também demonstrou uma incrível astúcia em circunstâncias insólitas. Ela estava parada numa estação de embarque em Sherborn, Massachusetts, e era a próxima na fila para o pavimento do matadouro. Quando os trabalhadores fizeram uma pausa de meia hora para o almoço, a suspensão temporária de sua sentença deu-lhe tempo suficiente para descobrir o que iria lhe acontecer. Ela reuniu toda a sua força de raciocínio, e saltou sobre um portão de estacada de quase 2,5 metros de altura e fugiu para o bosque. Os homens do matadouro a procuraram durante dias. Quando eles se aproximavam, ela provavelmente os enxergava de um lugar bem escondido, e mesmo à distância ela podia sentir o cheiro de sangue em seus aventais brancos. Emily parecia saber exatamente quem eram aquelas pessoas e por que elas a queriam. Por isso, ela continuou a despistá-las, e durante as semanas seguintes uma nevasca se seguiu a outra no inverno mais nevado que a Nova Inglaterra havia visto em uma década. Embora Emily estivesse faminta, ela se recusava a se aproximar do feno que os homens do matadouro deixavam para ela como isca. Um mês depois da fuga de Emily, uma mulher chamada Meg Randa ouviu falar que Emily fora avistada por muitos moradores de Sherborn enquanto ela vagava pelos arredores da cidade com pingentes de gelo pendurados nos bigodes. Randa, uma vegetariana com convicções profundas sobre os direitos dos animais, dá aulas de educação especial e dirige o Veganpeace, um santuário animal. Ela rapidamente providenciou a compra de Emily junto ao matadouro e em seguida a procurou nos bosques por três dias, até finalmente descobrir o esconderijo da vaca. Numa área protegida por sempre-verdes, Emily tinha limpado a neve para encontrar um lugar com esterco seco e quente onde ela fez uma cama. Randa viu a vaca seguindo uma manada de cervos, que presumivelmente lhe mostraram como comer folhas e bolotas de carvalho e obter líquido a partir da neve. ‘Foi uma maneira inteligente de sobrevivência para uma vaca leiteira que havia sido alimentada e suprida de água durante toda a sua vida’, diz Randa. Esse foi um comportamento surpreendentemente astucioso para uma vaca que, antes disso, nunca havia lutado pela própria vida em nevascas. À semelhança de tantos animais que se encontram em situações novas, Emily contou com sua própria perceptibilidade, bom julgamento e criatividade. Ela também usou os recursos que lhe foram apresentados: os servos como mestres na capacidade para sobreviver e as sempre-verdes e as bolotas de carvalho para o seu abrigo e sustento. Até mesmo Randa e o seu lugar seguro se tornaram recursos para Emily quando, depois de ter perdido 227 quilos em cinco semanas, ela se deixou persuadir a entrar no trailer e ser levada para Veganpeace.”
O livro traz uma foto de Emily, cujo close-up deixa nítida a meiguice de seu olhar – espelho da alma de tantos animais, que, infelizmente, não possuem a mesma sorte, por ainda serem raras as pessoas capazes de evoluir e de trazer à tona um espírito como o de Meg Randa.
Trechos escolhidos por Denise Ortega