Você é e você se torna o que você come

Krunkel[1], você deve se restringir à agricultura e aos alimentos. O ‘velho mundo’ ocupou em massa o ‘novo mundo’. Ainda hoje eu vi uma empresa na rodoviária de Goiânia com o nome original ‘Novo Mundo’. Original? Que nada, aqui você tropeça nas empresas que fazem alusão à terra ‘nova’, conquistada. No mapa, é fácil encontrar cidades cujo nome inclui ‘conquista’ ou ‘vitória’. Ou ‘novo’: Novo Hamburgo, Nova Trento, Nova Iorque, …

Na Europa, tínhamos muito povo e pouca terra. Por isso, principalmente depois da segunda metade do século XIX, ocupamos as terras do Novo Mundo. E não só lá. A península Europa também foi ativa na Ásia, África e Austrália. Mas, por ora, vamos tratar somente do ‘novo mundo’ da América Latina.

Com as pessoas, vieram os valores e os bens, as sementes, as vacas e os cavalos. No início, todos eram tratados com muita simpatia. Afinal, eram pessoas pobres da Itália, Alemanha, Polônia, Ucrânia, entre outras nações, que vieram para cá buscando melhorar de vida. Por isso muitas propriedades receberam nomes sonoros, como: ‘Chácara da esperança’. Então, a esperança existe! Advento?

Gradativamente, os produtos coloniais foram ofuscados pelos produtos de marca. Produtos com marcas mundialmente conhecidas. A pizza caseira transformou-se na rede Pizza Hut. Carne moída virou McDonald’s. Bohemia tornou-se Inbev. E sementes crioulas foram substituídas por sementes transgênicas, da Monsanto e de seus acionistas norte-americanos. O cavalo pela colheitadeira; o gado com dupla aptidão pelo gado leiteiro. A vaca holandesa.


[1] Abreviação do sobrenome do autor, Vankrunkelsven.

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