Vegetarianismo e Paz

Ivana Maria França de Negri

            Num futuro não muito distante, os habitantes deste planeta terão que optar entre continuar a se alimentar da carne dos animais ou aceitar a própria extinção da espécie humana.

            Com a explosão populacional crescente, não haverá espaço físico para criar tanto gado destinado a alimentar esse contingente de novas pessoas dentro da extensão limitada da terra. O rebanho de milhões de cabeças de gado nunca será suficiente para sustentar tantas bocas, e nem as plantações de grãos serão bastantes para nutrir o imenso rebanho. A água, que se tornará artigo de luxo, não poderá servir aos humanos e à criação de gado ao mesmo tempo. Os grãos deverão se destinar aos milhares de novos humanos, ou eles serão fadados a morrer de fome.

Os animais, pequenos “cristos” imolados todos os dias para saciar a voracidade humana, cujos corpos judiados, sanguinolentos e esquartejados são expostos nos açougues e supermercados para a venda, são cada vez mais explorados para atender a demanda de criação, engorda rápida, abate e consumo. Tal alimento só pode fazer mal ao espírito, pois é produto de violência e gera intenso suplício ao animal desde o nascimento até quando sobe  a rampa do matadouro.

            Jamais compreendi o amor que algumas pessoas têm por seus cães e gatos, tratando-os como filhos, sendo que essas mesmas pessoas, adoradoras de cães e gatos, comem a carne de vacas, porcos, coelhos, carneiros, galinhas, peixes e outros animais, incentivando a indústria mais cruel que existe, a da carne. Qual a diferença? Por que amar alguns e devorar outros? Essa é uma incoerência que nunca entendi.

Chegará o dia em que comer a carne de um animal será um sacrilégio, assim como hoje é crime o canibalismo. Matar um animal será como assassinar um ser da própria espécie para devorar sua carne.

A indústria voraz e sedenta por lucro não se importa nem um pouco com o sofrimento das criaturas. Drogas são injetadas em aves para crescimento e engorda rápida. São cortados seus bicos para não ciscarem e não se ferirem no diminuto espaço que dispõem nos poucos dias de vida. Bois são castrados e marcados com ferro incandescente sem anestesia e se contorcem de dor. Patos são forçados a comer através de um funil acoplado em suas gargantas, dia e noite,  até que seus fígados fiquem doentes de tanta gordura, para a fabricação do patê “foie gras”. Bezerros são apartados de suas mães e colocados num engradado no qual não podem se mover para que não criem músculos e a carne  permaneça rósea e macia. Vão para o abate literalmente carregados devido ao alto grau de anemia. Países mais civilizados que o nosso já aboliram a vitela (baby beef) e o “foie gras” devido ao alto grau de tortura a que são submetidos os animais.

A humanidade clama por paz, mas não deixa os outros seres da criação viverem em paz. E por isso não consegue alcançá-la. Enquanto não despertar sua consciência e continuar em sua cegueira mental, o homem não alcançará a almejada paz.

 

Ivana Maria França de Negri é escritora e integrante da Sociedade Vegetariana Brasileira/ Piracicaba   e-mail ivanamfn@yahoo.com.br

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