Vegetarianismo: a dieta consciente

De Janine Lorenzo

O Vegetarianismo vai além de uma alimentação sem carne, é quase uma filosofia de vida.

A vida saudável é uma das preocupações da sociedade moderna. Pensar em saúde é planejar e seguir as recomendações mais famosas: atividades físicas, qualidade de vida e alimentação adequada. A dieta “vegan”, considerada também a “dieta do futuro”, é a tendência que mais cresce no mundo desenvolvido e tem reunido diversos adeptos. Não comer carne, significa muito mais que uma alimentação restrita, o vegetarianismo além de ser ético, se relaciona diretamente com o meio ambiente.

O grupo da alimentação sem carne, é subdividido em outros segmentos, entre eles temos os “ovolactovegetarianos”, ou seja, não comem qualquer tipo de carne animal, mas aceitam o consumo de ovos e laticínios – compreende a maioria dos vegetarianos. Existem também os “lactovegetarianos” que não comem ovos e carne, mas utilizam laticínios como o nome sugere, os “vegans” que comem exclusivamente vegetais e grãos, mas evitam qualquer tipo de derivados de animais: presunto, gelatina, mel, coalho. Esse grupo vai além da dieta, pois também não usam materiais provenientes de animais como: couro, lã, peles e tipos de sabonete. Entrando numa linha mais radical e perigosa da dieta temos os “frugívoros” que comem somente aquilo que as plantas produzem como frutas e castanhas, e os “crudívoros” que se alimentam somente de vegetais crus e excluem os grãos.

Segundo a nutricionista Priscilla Rocha Gavilanes, a dieta isenta de carne acarreta muitas mudanças no organismo da pessoa. A carne é rica em ferro – um dos componentes dos glóbulos vermelhos e possui como função o transporte de oxigênio para todas as células do corpo. Muitos aminoácidos e proteínas fundamentais para o organismo estão nas carnes em geral, leite e ovos. “Atualmente muitas pessoas têm mudado para a dieta vegetariana, virou moda. Elas associam o vegetarianismo a uma vida saudável. Certamente, a dieta causa uma mudança no consumo de proteína e isto faz com que o peso e os níveis de colesterol se normalizem, ao mesmo tempo que estimula a pessoa a buscar os vegetais e cereais, tão importantes na alimentação. Mas do ponto de vista nutricional, a dieta causa um déficit de proteína que pode levar a uma desnutrição com graves conseqüências”, alerta.

Ainda de acordo com a nutricionista o ideal é planejar um cardápio variado, as cores dos alimentos representam muito de suas propriedades, como por exemplo, suas vitaminas. “Um conhecimento básico de nutrição é essencial para o vegetariano. A pessoa deve ter certeza de que está ingerindo as quantidades necessárias de cálcio, zinco, ferro e vitamina D (os cereais enriquecidos, pão e sumo de laranja são ótimas fontes dessas vitaminas e minerais) e se necessário recorrer à ajuda de um profissional especializado para prescrição de suplementos. É importante também ressaltar que uma pessoa não deve se tornar vegetariana da noite para o dia. Se a decisão foi tomada, procure um profissional para orientá-lo quanto às mudanças a serem realizadas. Elas devem ser feitas gradualmente para que o seu corpo acostume com o novo hábito alimentar”, reforça.

Estudos científicos mostram que evitar carnes é um dos caminhos mais simples de cortar a ingestão de gorduras em excesso. Muitos benefícios foram constatados, há muito tempo os vegetarianos visitam os hospitais 22% menos que os carnívoros, eles também tem 20% menos colesterol, o que reduz consideravelmente a incidência de câncer e doenças cardíacas. De acordo com a última revisão realizada pela Associação Dietética Norte-americana, o nível de pressão arterial nos vegetarianos é estável e o risco de apresentar diabetes é 50% menor. A obesidade, um problema mundial, não atinge o grupo. O consumo de carnes está associado com o risco 88% maior de desenvolver câncer de intestino e 54% de câncer de próstata.

A itaunense Priscila Alves de Barros, 24 anos, é “ovolactovegetariana” desde os 5 anos de idade. Ela conta que sua família decidiu pela dieta sem carnes por considerar mais saudável. “Nós comemos ovos e utilizamos laticínios, mas cortamos a carne. Todos da família conseguem manter o peso, raras vezes freqüentamos hospitais e podemos sentir literalmente na pele os efeitos positivos”, diz.

Já a psicopedagoga e terapeuta naturalista, Hellen A. Carvalho, 32 anos é “ovovegetariana” desde os 13 anos. Ela conta que no início se adaptou à dieta devagar, vez ou outra ainda comia carnes brancas. Hoje ela não consome carnes nem laticínios, mas come ovos caipiras. “Consigo equilibrar minha alimentação com leite de soja e me alimento de 2 em 2 horas, consegui manter meu peso durante todos estes anos mesmo tendo filhos, minha disposição aumentou e minha saúde em geral melhorou. Um dos problemas no dia a dia dos vegetarianos em Itaúna, são as lanchonetes, muitas vezes despreparadas para atender esse público.

A nutricionista Daniela Spínola completa dizendo que os grupos radicais do vegetarianismo podem ter desnutrição. A dieta sem carnes, depende da receptividade do organismo de cada pessoa, precisa ser planejada, pois a pessoa precisa suprir as proteínas presentes nas carnes com outros alimentos e até com suplementos. “A maioria dos vegetarianos, embarcam nessa idéia geralmente focando a saúde, mas podem colocar em risco o equilíbrio de proteínas e substâncias importantes para o corpo, se não se informarem sobre as condições da dieta. As crianças, gestantes e idosos precisam de suplementos na dieta vegetariana, por isso recomendo acompanhamento para exames de rotina e atenção aos sinais e sintomas de déficit de algum alimento”, diz.

Há estatísticas de que a cada minuto, todos os dias, milhares de animais são mortos em abatedouros. O sentido ético do vegetarianismo é não tirar a vida do animal que também deve cumprir e concluir seu ciclo de vida e função na natureza. Há milhões de casos de envenenamento por comida relatados todo ano e a maioria pela ingestão de carnes. Outro dado importante é que se comêssemos as plantas e os grãos que cultivamos ao invés de alimentar animais para corte, a fome seria solucionada. Ao consumir carne, você também consome resquícios de hormônios, antibióticos e calmantes ministrados aos animais. Levantando a questão do meio ambiente, há impactos, metade das florestas tropicais do mundo foram destruídas para fazer pasto e turbinar a indústria das carnes.

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