Tipos

Veganismo – Uma filosofia que protege os animais (inclusive o homem)

Texto de CRISTIANE COSTA (Formada pela Estácio)


Embora não seja um tipo de dieta, o veganismo prega o consumo de alimentos naturais, como a salada verde com maionese de soja, servida no restaurante Vegan Vegan, em Botafogo

Passados quase 120 anos do fim da escravidão, um novo movimento “abolicionista” chama a atenção de parte da população e revela crescente número de adeptos. Trata-se do veganismo ou, simplesmente, vegan (leia-se vígan , ou, em bom português, vegano), composto por vegetarianos estritos, cuja filosofia prega o fim da escravidão animal. São pessoas que não comem e nem vestem nada de origem animal. Ainda pouco conhecidos no Brasil, os veganos também abordam temas relacionados à saúde e ao meio ambiente, com o objetivo de proporcionar mudanças nos hábitos alimentares e criar um bem-estar físico e mental em seus praticantes.

– Veganismo não é dieta, mas um estilo de vida. A mensagem que queremos passar é a de que os animais não são nossos e é imoral que os escravizemos – explica o economista David Turchick, 24 anos, ex-ovolactovegetariano (aquele que recusa carnes, mas consome leite, ovos e seus derivados) que, há cinco anos, tornou-se vegano.

Militante assumido pela causa dos animais, David já participou, ao lado de outros veganos, de polêmicas manifestações em vaquejadas, farras de boi e, até mesmo, em frente ao consulado da China (país onde o uso de pele de animais é excessivo) contra os maus-tratos e a violência aos animais.

A estudante de Artes Rosana Antunes, 25 anos, também é adepta do veganismo e militante ativa do movimento. Na manifestação em frente ao consulado chinês, ela chegou a ficar praticamente nua, com o intuito de representar um animal sem pele.

O QUE É
Vegan é o vegetariano estrito, ou seja, um vegetariano radical, que adota como filosofia de vida não só o hábito de deixar de ingerir carne animal e seus derivados (ovos, laticínios, gelatina, leite e mel), como abrir mão de qualquer contato com produtos de origem animal, desde roupas de couro, lã ou seda. Deixa, também, de freqüentar zoológicos ou comprar bichinhos de estimação. Além disso, são pessoas que privilegiam as empresas que não fazem testes em animais. Ou seja, o veganismo é o estilo de vida de quem não incentiva nenhuma forma de escravidão animal.

– A partir do momento em que deixei de ficar conformada com aquilo que estava a minha volta, passei a me envolver neste movimento. O veganismo veio só para dar coerência a tudo o que eu já sentia. Afinal, como lutar pela libertação humana ao destruir o meio ambiente ou os animais? – questiona.

Fato é que parte da população, aos poucos, parece querer largar o velho hábito de se alimentar de carne. Pesquisa realizada, em 2006, pelo Instituto Ipsos, mostrou que 28% dos brasileiros “procuram comer menos carne”. Nos Estados Unidos, a mais recente pesquisa, feita em 2003, com 11 mil pessoas, pela rede CNN, mostrou que os vegans somavam, apenas, 0,2% e que 2,5% da população se considera vegetariana, dieta que – além de ovolactos e veganos – possui outras variações, como a macrobiótica (consumo de brotos e cereais) e a crudívora (consumo de alimentos crus).

– O mundo precisa de uma reforma alimentar profunda. Detectar a predisposição à mudança facilita mostrar as implicações – à saúde, ao meio ambiente e ao sofrimento dos animais – de uma dieta centrada na carne – frisa a socióloga Marly Winckler, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), cujo site (www.svb.org.br) recebe cerca de mil acessos por dia.

Embora alguns médicos afirmem que até hoje a ciência não provou que dietas ricas em gordura animal provoquem ataque cardíaco ou encurtem a duração da vida, a American Dietetic Association (ADA), que reúne os principais estudos científicos sobre vegetarianismo, aponta redução de 25% a 50% de incidência de cardiopatias em quem muda seus hábitos. Eric Slywitch, especialista em nutrição vegetariana e autor do livro Alimentação sem carne – guia prático , ratifica tal informação.

– A única deficiência mais prevalente de veganos em relação a onívoros é da vitamina B12 (a carência pode causar anemia e alterações neurológicas). As demais não se confirmam em estudos científicos, seja de proteínas ou de ferro. A B12 deve ser periodicamente suplementada quando se excluem os derivados de leite e ovos – diz.

Além da melhora na qualidade de vida, os veganos têm um motivo extra para aderir ao movimento.

– Nossa comida é colorida, cheia de vida. Tornou-se um prazer cozinhar – garante Bianca Turano, 33 anos, estudante de Direito e vegana há um ano.

Aos veganos que ainda não possuem muita intimidade com a cozinha, resta uma opção. Freqüentar um dos restaurantes veganos ou vegetarianos da cidade, cuja disseminação é crescente. Um dos mais famosos é o Vegan Vegan, em Botafogo. A chef Thina Calleri e a gerente Brisa Calleri (mãe e filha) comemoram o sucesso do negócio.

– O prato vegano, além de saudável e bonito, tem um tempero muito mais caprichado – garante Thina, 56 anos, vegana convicta há 26.

Fonte: http://www.jornaldaestacio.com.br/anteriores/29/materia3.asp

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