Vaca louca, Sars e humanos insanos

 

Que os pecuaristas brasileiros não entrem em euforia antecipada por causa do mal da vaca louca detectado em bovinos nos EUA. Não vejo motivos para se comemorar o posto de maior exportador de carnes do mundo. A não ser para os criadores, é claro!

Tudo nesta vida tem um preço. Ser o maior produtor de carne do mundo pode não ser tão maravilhoso assim. Aumentar a produção significa ampliar os pastos. E ampliar a área de braquiárias significa perder preciosos hectares de mata nativa e de florestas.

Quanto mais pastos, maior a área de devastação ambiental. Segundo dados do relatório “Causas do Desmatamento da Amazônia”, do especialista em meio-ambiente Sérgio Margulis (Folha 20/08/2003), o maior fator de desertificação do solo no Brasil não é a extração desenfreada de madeira, tampouco as queimadas, e sim a destruição das florestas para transformá-las em pastagem, cerca de 75% do total do desmatamento.

O preço a pagar é muito alto para o meio-ambiente. A água, nosso recurso já bastante escasso, também entra com sua cota de sacrifício no aumento da produção de pecuária de corte.  O futuro me parece sombrio, mas os criadores de gado estão eufóricos.

Cenas dantescas de animais sendo sacrificados nos EUA e os corpos incinerados – dizem que é por precaução no combate à doença – aparecem nos noticiários. Carcaças sendo enterradas em valas comuns e escavadeiras trabalhando sem cessar, tentando encobrir o horror causado pelo descontrole do ser humano.

Animais herbívoros por natureza foram alimentados forçosamente com rações produzidas a partir de restos de vísceras e ossos de outros animais. O resultado não poderia ser pior: originou o mal da vaca louca, doença que pode ser transmitida para o ser humano sem probabilidades de cura. Novilhos que levavam dois a três anos para engordar, agora levam apenas 18 meses, obrigados a uma alimentação artificial e cruel confinamento, além do uso indiscriminado de anabolizantes, antibióticos e hormônios para crescimento rápido.

Algo similar acontece na China com a Sars (síndrome respiratória aguda, uma espécie de pneumonia), quando civetas, animais tidos como carne exótica, estão sendo exterminados a pauladas, aos milhares, mesmo sem se ter certeza, apenas suspeita-se que eles são portadores de uma variante do vírus. Pobres animais inocentes, criados em gaiolas para alimentar o incontrolável canibalismo humano.

As pessoas se auto-intitulam seres de paz, posam de misericordiosas e caridosas, seguem seus preceitos religiosos, louvam a Deus, enquanto fecham os olhos para os rios de sangue que correm dos nossos irmãos animais. Que tipo de semente brotará em terra adubada com sangue de inocentes? Será que ninguém percebe onde está a origem da violência no mundo? Por acaso desconhecem a lei universal que diz que a toda ação corresponde uma reação de igual intensidade? Quanto mais carnificina, mais doenças aparecerão, mais cânceres, mais colesterol, mais violência que chega impregnada nas fibras da carne do animal que libera toda a sua revolta no ato de morrer.

Não pretendo transformar ninguém em vegetariano, isso é uma atitude da consciência de cada um, mas por que não tentar procedimentos que não violem tanto as leis da natureza? Será que o gado não pode ser criado livremente, sem traumas ? Enquanto as pessoas não se conscientizarem do seu papel na evolução da humanidade, sempre aparecerão novas doenças. É a lei universal de causa e efeito.

 Que os fatos citados nos sirvam de lição.

Ivana Maria França de Negri

  vegetariana há 20 anos

e-mail ivanamfn@bol.com.br

Publicado no Jornal de Piracicaba em 08/01/2004

http://jornaldepiracicaba.locaweb.com.br/jpjornal/noticias_categoria.jsp?codigoDaNoticia=2419&codigoDaCategoria=2&codigoDoMenu=1

 

 

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