Uma vida sem leite e sem sofrimento

Publicado em 30/01/2010 | Juliana Girardi

 A sensibilização quanto à ex­­ploração dos animais e a consciência em relação ao impacto ambiental causado pela indústria de produtos de origem animal estão entre as principais razões que levam um número cada vez maior de pessoas a defender uma causa cujas restrições alimentares vão muito além do não-consumo de carne: o veganismo.

Considerado uma ideologia em prol dos direitos dos animais, mais do que uma simples dieta alimentar, o veganismo teve origem há 65 anos, quando o inglês Donald Watson (1910–2005) fundou a Vegan Society, organização de pessoas que, além de vegetarianas, boicotavam o consumo de qualquer alimento de origem animal (incluindo laticínios, ovos e mel), produtos testados em animais e itens cuja manufatura ou ingredientes dependam de qualquer forma de exploração dos bichinhos.

Mas, com tantas restrições, do que se alimentam essas pessoas, afinal de contas? “Como de tudo. Verduras, hortaliças, grãos e produtos específicos para veganos, como leite de soja, por exemplo”, responde Carlos Tostes, 38 anos, sócio-proprietário do Superdog, barraca de cachorro-quente no bairro Cabral, que oferece aos clientes opções vegetarianas e veganas. Adepto do veganismo há pelo menos dez anos – com alguns períodos de intervalo – Carlos, ou Mamá, como é mais conhecido por seus clientes e amigos, optou pela ideologia por questões éticas. “A não-exploração dos animais vinha muito de encontro aos fundamentos do movimento punk, do qual eu já fazia parte”, explica.

Segundo Mamá, entre os benefícios trazidos pelo veganismo à sua vida estão melhoras consideráveis na digestão e na imunidade. Fora isso, Mamá mostrou estarem errados todos aqueles que achavam impossível conciliar um físico de atleta à dieta vegana. “Provei para todo mundo que posso ter o mesmo corpo definido, independentemente de não comer carne e produtos de origem animal”, ressalta Mamá, que pratica musculação.

Com leite

Para o estudante de Biologia e presidente da organização não-governamental Instituto Am­­biente Movimento, Gabriel Re­­zende Vargas, de 24 anos, o fator que determinou sua opção pelo lactovegetarianismo – dieta que soma ao vegetarianismo o consumo de leite e mel – foi o estudo dos impactos causados pela pecuária no meio ambiente, analisados na disciplina de Ecologia. Até três anos atrás, Gabriel considerava-se um consumidor de carne culturalmente normal, “desses que comem um pedacinho na hora do almoço”, conta.

Isso também mudou durante as aulas na faculdade, quando Gabriel descobriu que a carne que consumimos vem “impregnada de medo e fúria”, devido aos cruéis métodos utilizados no abate dos animais. “Senti uma melhora na pele, nas unhas e nos cabelos. Minha resistência física aumentou muito e eu me tornei uma pessoa realmente mais calma”, destaca.

Fonte: Gazeta do Povo

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