Templo bancário Personnalité

 

Não paro de me surpreender. Ainda me recuperando da grama tóxica, vejo uma mulher tirando fotos furiosamente. De um templo, um templo bancário. E ali adiante, mais uma pessoa e mais outra. Todos os celulares em ação para fotografar um templo bizarro, coberto de neve e gelo. No terraço do templo, um grupo de moças – como jovens sacerdotisas, em longas vestes – lêem sua mensagem de ano novo. Ou seria uma mensagem de natal?

Vou verificar. Faz 28oC, mas cruzo com um Papai Noel e um boneco de neve. Ao transcrever a mensagem de paz, quase tenho uma insolação:

 

“Mensagem de Natal

Me dê [sic] a sua mão e juntos vamos desejar o mundo de Paz, Harmonia e Amor.

Bote fé pro desejo [sic] se realizar na América, Europa, África, Ásia, China e Japão.

Somos iguais, direitos iguais.

Temos o mesmo coração.

Desejo de criança é como estrela lá no céu.

Brilha forte.

Na noite de natal é nosso direito ser feliz aonde [sic] for.

Toda criança merece um mundo só de Paz e Amor.”

 

[Foto 52]

Crianças vestidas de sacerdotisas cantam a mensagem de natal.

 

Um segurança vem verificar porque me demoro tanto perto das sacerdotisas.

Ele é segurança do templo ‘Itaú Personnalité’.

Pergunto: “Por que ‘Personnalité’, em francês?”

“Aqui é um banco para empresários.”

“Ah, por isso o francês.” Desde o século XIX dos imperadores Dom Pedro I e II, o francês é o idioma preferencial da elite brasileira. Paris é ícone de cidade das cidades. Ícone para Rio de Janeiro, para Pelotas, mas também para Bruxelas e para muitas outras cidades européias. Pelo jeito a concupiscência dos empresários de hoje, 2006, continua na mesma linha, mas agora acrescentaram China e Japão aos ‘continentes’. Eles fazem as crianças declamar com devoção: “Somos iguais, direitos iguais.”

Pois sim, o sem-teto e o empresário, somos iguais…

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