Suecos adotam vegetarianismo diante do mal da vaca louca

Matéria publicada no Jornal Século XXI – Nova Friburgo (RJ) de março

Os suecos decidiram aderir a uma dieta vegetariana diante da epidemia mundial da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), vulgarmente conhecida como "mal da vaca louca". O mal vem se alastrando pelo planeta e estima-se que cerca de 2,4 milhões de cabeças de gado sejam sacrificadas por conta dele até o final do ano.

    Na Alemanha, o ministro da Agricultura, Karl Heinz-Funke e a ministra da Saúde, Andrea Fisher, renunciaram a seus cargos. Ela foi acusada de dar informações contraditórias sobre a segurança das salsichas alemãs, enquanto ele, de se preocupar mais com o lucro dos pecuaristas (já que também é fazendeiro) do que com o bem-estar dos consumidores.

    Em Londres, o número de casos de animais contaminados assusta. A Grã-Bretanha registrou a morte de cerca de 80 pessoas infectadas com a variante humana do mal – a Doença de Creutzfeldt-Jakob (vCJD), desde o início da epidemia. A França decidiu testar todos os animais com mais de 30 meses e ainda adotará um sistema nacional de rotulagem para identificar a procedência da carne. No Japão, a importação de carne bovina da União Européia foi proibida, pois já se teme que a vaca louca chegue ao Oriente. O Japão também proibiu o uso de ração animal na alimentação do gado, a qual, supõe-se, é a maior vilã na disseminação da doença.

    A Índia e países do norte da África e do Leste Europeu, que importaram ração animal da Grã-Bretanha, temem que seus rebanhos tenham sido contaminados.

    O Brasil esteve impedido, durante 21 dias, de exportar carne de boi para seus maiores compradores: Canadá, EUA e México (integrantes do Nafta), que alegaram que não se havia provado que os rebanhos estavam saudáveis. A suspensão canadense baseou-se em recente relatório da FAO (Organização para Alimentação e Agricultura) que informou que o mal da vaca louca "ultrapassou as fronteiras da Europa". Além disso, a imprensa brasileira veiculou que o Brasil importou animais vivos dos países europeus até 1999, o que fez com que o Canadá e os EUA reforçassem, naquele momento, sua decisão. O embargo foi suspenso no último dia 23.

    Nos EUA, o medo de que algum animal tenha sido contaminado pelo mal fez o governo pôr em quarentena 1.200 cabeças do estado do Texas para que sua alimentação fosse investigada (a alimentação à base de carcaça animal foi proibida no país desde 1997).

    Talvez o problema leve-nos a pensar nas vantagens de uma alimentacão vegetariana não só para a saúde, mas também para as florestas, uma vez que só na América latina o rebanho de gado atinge quase 100 milhões de cabeças que precisam de pasto e de florestas derrubadas.

 

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