Sri Yuktéswar e frugivorismo

Não está sendo fácil, mas sem dúvida uma grande redescoberta e libertação. O frugivorismo abriu-me inúmeras portas para uma mente mais calma e prazeres mais duradouros. Uma dieta por si não se justifica, a não ser qusri-yukteswar-and-paramahansa-yoganandae esta te leve ao autocontrole e ao autoconhecimento.

Mas e Sri Yuktéswar? Depois de me deliciar com Autobiografica de um Iogue de Yogananda e pular rapidamente para A Ciência Sagrada de seu grande guru, o qual realmente me impressionou. A parte que agora coloco é um trecho sobre a vida natural segundo Sri Yuktéswar. Gostei muito de ler algo que casou-se com minha visão atual, mas sem dúvida o que mais foi valioso para mim neste livro é a explicação do ciclo de 24.000 anos ligado as eras (do ouro, da prata, do bronze e do ferro ou, em sânscrito, Satya, Dwapara, Tetra e Kali) que é um produto do ano solar, isto é, do movimento períodico do sol com seu conjugado, que nos permite ver as doze constelações do zodíaco. Tem até um filme sobre este conhecimento, chamado The Great Year, muito bom por sinal.

De volta ao frugivorismo, aí vaí um belo trecho do livro:

“O que é a vida natural? Para entender o que é a vida natural, será necessário distinguí-
la do que é anti-natural. A vida depende da seleção de (1) alimento, (2) moradia, e (3)
companhia. Para ter uma vida natural, os animais inferiores escolhem para si mesmo
esses elementos com a ajuda de seus instintos e das sentinelas naturais colocadas nas
entradas sensoriais – os órgãos da visão, da audição, tato, olfato e paladar. Entretanto,
nos homens em geral estes órgãos estão desde a infância de tal forma pervertidos pela
vida anti-natural, que pouca confiança se pode ter em seus julgamentos. Portanto, para
compreender quais são nossas necessidades naturais, devemos depender de observação,
experiência e razão.
O que é alimento natural para o homem? Primeiro, para escolher o alimento
natural, devemos observar a formação dos órgãos que cooperam na digestão e na nutri-
ção, os dentes e o canal digestivo; a tendência natural dos órgãos dos sentidos que gui-
am os animais para o seu alimento; e a nutrição da prole.
Observação dos dentes. Pela observação dos dentes, notamos que nos animais
carnívoros os incisivos são pouco desenvolvidos, mas os caninos bastante longos, lisos
e pontiagudos, para apanhar a presa. Os molares também são pontudos; estas pontas
entretanto, não se unem, mas se ajustam estreitamente lado à lado para separar as fibras
musculares.
Nos animais herbívoros os incisivos são notavelmente desenvolvidos, os cani-
nos reduzidos (embora algumas vezes sejam longos, como as presas dos elefantes), os
molares são largos na parte superior e revestidos de esmalte só nas faces laterais.
Nos frugívoros todos os dentes tem quase a mesma altura; os caninos são pouco
projetados, cônicos e rombudos (obviamente não planejados para agarrar a presa, mas
para exercer força). Os molares tem coroa larga revestida na parte superior de pregas
esmaltadas para evitar o desgaste causado pelo seu movimento lateral, não são pontu-
dos, inapropriados para mastigar carne.
Por outro lado, nos animais onívoros, como os ursos, os incisivos se asseme-
lham aos dos herbívoros, os caninos são como os dos carnívoros, e os molares não só
são pontudos mas também largos na parte superior, para servir a um duplo propósito.
Agora, se observarmos a formação dos dentes no homem, veremos que eles não
se parecem com os dentes dos carnívoros, nem com os dos herbívoros ou dos onívoros.
Eles se parecem exatamente como os dos animais frugívoros. A dedução razoável por-
tanto, é de que o homem é um frugívoro ou um animal comedor de frutas1.
Observação do canal digestivo. Pela observação do canal digestivo, verifica-
mos que os intestinos dos animais carnívoros são de três à cinco vezes mais longos que
seu corpo, quando medidos da boca ao ânus, e seu estômago é quase esférico. Os intes-
tinos dos herbívoros são vinte e oito vezes mais longos que seu corpo, e seu estômago
é mais estendido e de estrutura composta. Porém, os intestinos dos animais frugívoros
têm de dez a doze vezes a extensão de seu corpo; seu estômago é um pouco mais largo
do que o dos carnívoros e tem um prolongamento no duodeno, que funciona como um
segundo estômago.
Não é exatamente a formação que encontramos nos seres humanos, embora a
anatomia diga que os intestinos humanos tem de três a cinco vezes a extensão do corpo
humano – cometendo-se um equívoco ao se medir o corpo da parte superior da cabeça
até a sola dos pés, em vez de partir da boca ao ânus. Assim, podemos novamente inferir
que o homem é com toda probabilidade um animal frugívoro.
Observação dos órgãos dos sentidos. Pela observação da tendência natural dos
órgãos dos sentidos – indicadores que determinam o que é nutritivo – os quais direcio-
nam todos os animais para o seu alimento, verificamos que quando o animal carnívoro
encontra a presa, sente tanto prazer que seus olhos começam a brilhar; audaciosamente
ataca a vítima e sorve com sofreguidão os jatos de sangue. Ao contrário, os herbívoros
recusam até mesmo seu alimento natural, deixando-o intacto, se nele houver o menor
vestígio de sangue. Seus sentidos do olfato e visão induzem-os a escolher a grama e ou-
tras ervas como alimento, degustando-as com prazer. Similarmente, com animais frugí-
voros percebemos que seus sentidos sempre os dirigem para os frutos das árvores do
campo.
Nos homens de todas as raças verificamos que os seus sentidos de olfato, audi-
ção e visão nunca os levam à matança de animais; ao contrário, eles não podem sequer
suportar a visão dessas chacinas. É sempre recomendável que os matadouros sejam
mantidos bem longe das cidades; os homens com freqüência, expedem rigorosos regu-
lamentos proibindo o transporte de carnes descobertas. Pode-se então considerar a carne
um alimento natural do homem, quando seus olhos e seu nariz positivamente a rejeitam,
a menos que venha disfarçada com o sabor de temperos, sal e açúcar? Por outro lado,
como achamos deliciosa a fragrância das frutas, cuja visão nos deixa muitas vezes com
água na boca. Pode-se também notar que vários cereais e raízes tem odor e sabor gradá-
veis, embora fracos, mesmo quando não estão preparados. Portanto, mais uma vez, so-
mos levados a deduzir por estas observações de que o homem tende à ser um animal
frugívoro.2
Observação da alimentação das crianças. Observando a alimentação das cri-
anças, vemos que o leite é sem dúvida o alimento do recém-nascido. A mãe não terá
leite o bastante se não comer frutas, cereais e vegetais como seu alimento natural.
A Causa das doenças. Portanto, a única conclusão razoável à que se pode che-
gar a partir destas observações é a de que os vários cereais, frutas, raízes, e – como be-
bida – leite, e água pura exposta ao ar e ao sol, são de modo indiscutível o melhor ali-
mento natural para o homem. Por serem adequados ao nosso sistema, quando ingeridos
de acordo com a capacidade dos órgãos digestivos, estes alimentos bem mastigados e
misturados com a saliva, serão facilmente assimilados.
Outros alimentos não são naturais para o homem, e sendo incompatíveis com o
sistema são necessariamente estranhos à ele; quando entram no estômago, não são ade-
quadamente assimilados. Misturados com o sangue, acumulam-se nos órgãos excretó-
rios e em órgãos não adaptados adequadamente à eles. Se não são eliminados, deposi-
tam-se nas fendas dos tecidos pela lei da gravidade; e, ao fermentarem, produzem doen-
ças mentais e físicas, levando à uma morte prematura.
O desenvolvimento das crianças. A experiência também prova que a dieta na-
tural, não irritante, do vegetarianismo é quase sem exceções admiravelmente apropriada
para o desenvolvimento das crianças, tanto físico como mental. Suas principais facul-
dades, mentes, discernimentos, vontades, temperamentos e disposição geral serão tam-
bém harmoniosamente desenvolvidos.
A vida natural acalma as Paixões. Verificamos que quando se empregam mei-
os incomuns, tais como jejum excessivo, flagelação ou clausura monástica, com a fina-
lidade de suprimir as paixões sexuais, raras vezes consegue-se o efeito desejado. A ex-
periência mostra entretanto, que o homem pode facilmente dominar estas paixões, o ar-
qüiinimigo da moralidade, pela vida natural baseada numa dieta não irritante, acima
referida; deste modo, os homens obtém a tranqüilidade da mente, que os psicólogos sa-
bem ser extremamente favorável à atividade mental, à uma compreensão lúcida, bem
como à uma judiciosa maneira de pensar.
Desejo sexual. Algo mais deve ser dito aqui sobre o instinto natural de procria-
ção, que é depois do instinto de auto-conservação, o mais forte no corpo animal. O de-
sejo sexual, como todos os outros desejos, tem um estado normal e outro anormal ou
doentio, este último resultante unicamente da matéria estranha acumulada pela vida an-
ti-natural, como já mencionamos. No desejo sexual, cada um tem um termômetro muito
preciso para indicar a condição de sua saúde. Este desejo ultrapassa seu estado normal
devido à irritação nervosa resultante da pressão da matéria estranha acumulada no sis-
tema, pressão esta exercida sobre o aparelho sexual, manifestada primeiro por um exa-
cerbado desejo sexual, depois por uma gradual redução da potência.
O desejo sexual em seu estado normal deixa o homem completamente livre de
todas as perturbações lascivas, e só atua no organismo (despertando um desejo de saci-
edade) raramente. Aqui, outra vez, a experiência demonstra que este desejo, como todos
os outros, é sempre normal em indivíduos que vivem uma vida natural, como já men-
cionamos.
A raiz da árvore da vida. O órgão sexual – junção de importantes extremidades
nervosas, particularmente dos nervos simpáticos e espinhais (nervos principais do ab-
dômen), os quais através de sua conexão com o cérebro, são capazes de estimular todo
o sistema – é, em certo sentido, a raiz da árvore da vida. O homem bem instruído no uso
adequado do sexo pode manter seu corpo e sua mente saudáveis e viver uma vida intei-
ramente agradável.
Os princípios práticos da saúde sexual não são ensinados porque o povo consi-
dera o assunto impuro e obsceno. Assim, em sua cegueira, a humanidade tem a presun-
ção de lançar um véu sobre a Natureza, porque ela lhe parece impura, esquecendo que
ela é sempre imaculada e que tudo que existe de impuro e indecoroso está na mente do
homem e não na natureza. Por conseguinte, é claro que o homem, ignorando a verdade
sobre os perigos do abuso da força sexual, sendo compelido à práticas errôneas através
da irritação nervosa resultante de uma vida anti-natural, sofrerá perturbadoras moléstias
na vida, tornando-se uma vítima de morte prematura.
A moradia do homem. Em segundo lugar, vem a casa onde moramos. Podemos
facilmente compreender, quando nos sentimos mal ao entramos numa sala abarrotada
depois de respirarmos o ar fresco do alto de uma montanha ou de um vasto campo ou
jardim, que a atmosfera da cidade ou de qualquer aglomerado urbano é anti-natural para
se morar. A atmosfera revigorante do alto de uma montanha, de um campo, jardim ou
de um lugar seco e arborizado situado num espaçoso terreno, bem ventilado com ar
fresco, é a moradia apropriada para o homem em harmonia com a natureza.
A companhia que devemos ter. Em terceiro lugar está a companhia que deve-
mos ter. Aqui também, se ouvirmos os ditames de nossa consciência e consultarmos
nossa inclinação natural, verificaremos que preferimos as pessoas cujo magnetismo nos
afeta harmoniosamente, que acalmam nosso organismo, tonificam internamente nossa
vitalidade, desenvolvem nosso amor natural, aliviando nossos sofrimentos, nos trans-
mitindo paz. Isto quer dizer que devemos estar na companhia de Sat ou Salvador, e co-
mo já aludimos antes, devemos evitar a companhia de Asat. Na companhia de Sat temos
a possibilidade de gozar uma saúde perfeita, física e mental, e nossa vida é prolongada.
Se, por outro lado, não seguimos o conselho da Mãe Natureza, nem ouvimos os ditames
de nossa consciência pura, mantendo a companhia de tudo que foi designado como A-
sat, produz-se um efeito oposto, prejudicando a saúde e encurtando a vida.
Necessidade de Vida Natural e Pureza. Por conseguinte, a vida natural favo-
rece a prática de Yama, as abstenções ascéticas. Sendo a pureza da mente e do corpo
igualmente importante na prática de Niyama, as observâncias ascéticas, devem-se fazer
todas as tentativas para atingir essa pureza.”

Fonte: Braulio Barros de Oliveira

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