Aurora no Campo - Soja Diferente

Soja diferente

O livro se desenvolveu a partir de um intercâmbio entre a ONG belga Wervel – Werkgroep voor een rechtvaardige en verantwoorde landbouw [Grupo de trabalho por uma agricultura justa e responsável] e a organização sindical brasileira Fetraf-Sul/CUT.

No projeto, tanto Wervel e seus parceiros na Europa quanto Fetraf e seus parceiros no Brasil buscam caminhos para recuperação. Recuperação de ciclos ecológicos com menos transporte internacional de alimentos, recuperação da diversidade de culturas nas propriedades, em cooperação com colegas e dentro da própria biorregião. Recuperação da biodiversidade na natureza e da agrobiodiversidade na propriedade.

 

[Foto 1]

Soja diferente?

Desta dinâmica surgiu um site interativo para jovens: <http://www.sojaconnectie.be>. Este site foi desenvolvido especialmente para jovens em sala de aula, com uma versão mais especializada para escolas técnicas agrícolas. O projeto chama-se ‘Além da soja’, mas também envolve ‘Soja diferente’.

Com Além da soja queremos trilhar o caminho da recuperação. Na Europa, tanto as proteínas da ração animal quanto as dos alimentos podem vir de outras culturas da própria região, ao invés da soja importada, nem que fosse para reduzir a imensa quantidade de quilômetros que separam as áreas de produção dos alimentos de nosso prato. Com seu projeto, Wervel busca, junto com Fermlocal[1], culturas alternativas. No site <http://www.wervel.be> encontra-se uma lista crescente de pontos de venda de carne e de laticínios produzidos com ração isenta de soja.

A busca por alternativas à monotonia da soja fortalece ou recupera a autonomia dos agricultores, tanto na Europa quanto na América Latina. A paisagem em ambos os lados do oceano volta a ficar um pouco mais atraente. Enquanto isso, Wervel, Greenpeace e outras ONGs sentam-se em torno da mesa de negociação com importadores de matéria-prima, fabricantes de ração, atacadistas, a Cooperativa de Laticínios Belga, a federação de agricultores. Partindo das ações no passado, procuramos, agora, chegar a fluxos de ração animal mais socialmente responsáveis.

Soja diferente aponta não só para alternativas para a uniformidade de ‘somente soja’, mas também para a possibilidade de utilizar, de maneira diferente, a área hoje cultivada com soja no mundo.

 

Não há nada de errado em si com a soja. É um milagre. Há mais de 5 mil anos é uma planta sagrada para os chineses. O escândalo é que mais de 70% da soja em grão produzida mundialmente vá parar na ração que alimenta porcos, galinhas, perus, patos, vacas e peixes. Para farelo de soja, este porcentual sobe para 90%, sendo a mais alta fonte de proteína vegetal em nosso planeta. Além disso, o modo de cultivo e de comercialização de toda essa soja causa impactos negativos não só na natureza e na paisagem, mas também para os agricultores familiares. Enquanto grupo de trabalho por uma agricultura mais justa (socialmente) e responsável (ecologicamente), Wervel quer defender ambas as formas de ‘soja diferente’: com respeito pela diversidade da natureza e com autonomia para os agricultores familiares. Do lado dos consumidores, reivindicamos uma redução da soja na ração animal e utilização deste grão milagroso na alimentação humana.

Os chineses já nos mostraram o caminho há mais de 2 mil anos produzindo tofu, com base na soja. Cada região tem suas próprias tradições e seu próprio modo de preparar.


[1] Agricultores belgas que buscam retomar o cultivo de espécies que produzam proteínas vegetais necessárias e voltar a fechar o ciclo ecológico na propriedade ou na região.

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