Sergio Greif – Biólogo

Oi pessoal: 

Esta é minha primeira mensagem para a lista; eu não sabia exatamente o que escrever, mas senti que deveria dar sinal de vida, então vou escrever um  pouco sobre mim mesmo (embora seja um dos assuntos que me sinto menos a vontade de conversar sobre, e certamente é o menos interessante para vcs). 

Tornei-me vegetariano aos 5 anos de idade, 17 anos atrás; nesta epoca , a  preocupação da família e dos médicos com que me consultava; não tinha  argumentos para defender o vegetarianismo em todas as frentes em que era  atacado: Os argumentos religiosos, cientificos, éticos ("os animais não se  importam de dar sua vida para sustentar a nossa" – me disse certa vez minha  mãe); os endocrinologistas diziam que se não comesse carne o mais breve  
possivel não sobreviveria, não cresceria; minha mãe sobre sua recomendação escondia carne em minha comida. 

Por um grande milagre eu sobrevivi, e descobri que me desenvolvia como  qualquer criança, embora mais magro. Na adolescência me interessei por  estudar o vegetarianismo, mas os livros que eu consultava não eram  satisfatórios, por que traziam argumentos falhos, pouco convencíveis.  

Somente mais tarde tive acesso aos livros de Jaqueline André e aquele  traduzido por Marly Winckler (é um livro escrito por três nutricionistas,  Vesanto Melina,  Brenda Davis e Victoria Harrisson, que é muito bom). 

Graduei-me no ano passado em biologia pela Unicamp, colecionando um bom material vindo de todos os continentes sobre argumentos  anti-vivisseccionistas, malogros da experimentação animal, etc. Minha pós  graduação teria sido nesta área se eu houvesse conseguido um orientador que se dispusesse a comprar uma briga grande. Após uma breve passagem por Florianópolis, onde comecei um mestrado em biotecnologia, retornei para Campinas por falta de bolsa (graças ao Excelentíssimo Senhor Presidente);  

Hoje estou prestando para a prova de mestrado em nutrição… o projeto que  submeti, como não poderia deixar de ser, é sobre o vegetarianismo. Se  conseguirei bolsa desta vez é menos importante porque agora estou de novo em casa e aqui tenho um trabalho remunerado na área de descontaminação de água. 

 Estou em permanente contacto via correio e e-mail com diversas  organizações de direitos dos animais em todo o mundo. A American  Anti-Vivisection Society; a New Zealand Anti-vivisection Society (conheci  pessoalmente), British Union Anti-Vivisection,PeTA, Save Animals from  
Exploitation (Austrália) e grupos de apoio ao Animal Liberation Front  espalhados por ai. No Brasil tenho escrito alguns artigos para um fanzine  chamado Militante Vegan, bem como tenho me colocado a disposição para o que der e vier nos excelentes projetos da Sociedade Educacional "Fala Bicho", apesar das barreiras fisicas. 

Meu sonho não é diferente do de qualquer vegetariano. Conscientizar as  pessoas de que os animais, apesar de metabolicamente muito diferentes, são dotados de sentimentos muito próximos dos nossos; todos sonhamos com uma sociedade puramente vegetariana, sem gado de corte, vacas leiteiras e galinhas em baterias de gaiolas; tenho consciência de que provavelmente não viverei para ver esta sociedade, mas quero fazer parte da luta para instituí-la. Se tivesse meios criaria uma sociedade rural auto-suficiente para vegans, onde todos pudessemos trabalhar dando de nós o que pudessemos e recebendo o que necessitassemos, esta fazenda seria ainda um santuário para abrigar animais abandonados, perdidos ou ainda recuperados pelo ALF… são meus sonhos. 

Desculpe se aluguei vcs demais, mas eu não sabia nenhuma receita legal de  cabeça . . . se quiserem estamos aé para conversar sobre qualquer dos  assuntos acima mencionados.

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