Sementes próprias versus gene terminator

Durante estes dias em que o gene terminator está mais uma vez em discussão, eles estão presentes com suas sementes crioulas, sementes próprias que eles trocam e guardam com muito cuidado, como um patrimônio da humanidade. A grande diversidade de milho é a que chama mais atenção. Milho, que é o alimento básico do continente americano. Não se pode dizer o mesmo do trigo e do centeio (1). Hoje, no Dia Mundial da Água, o governador Roberto Requião e outras autoridades assinam – com muita atenção da imprensa – a lei que obriga a identificação de produtos contendo transgênicos. A guerra das sementes é uma das questões-chave tratadas por aqui nestes dias.

 

[Foto 33]

Ecovida e Aopa na feira agroecológica em Curitiba

 

Ecovida,

cultivando a ética,

reproduzindo a vida.

 

(texto em uma camiseta)

 

 

 

No Sul do Brasil, estes agricultores criaram uma rede única com ONGs, agricultores, consumidores, organizações de assessoria técnica e outros interessados envolvidos. Ecovida!

No total, são 23 núcleos que envolvem, por sua vez, 300 grupos. Nestes grupos, reúnem-se 3 mil famílias. Também há 30 ONGs e 32 outras organizações envolvidas. Sua maneira de reunir, organizar, convocar congressos, tomar decisões, integrar ética, vender, etc., é muito inspiradora para todos que querem trabalhar em alternativas e em resgate de vizinhança. Principalmente sua ‘certificação participativa’ é muito inovadora. Nada de controle externo de um ou outro sistema de certificação orgânico; são os próprios grupos que garantem que os alimentos foram produzidos de maneira agroecológica. Para corrigir um eventual efeito sufocante, decorrente de relações interpessoais muito próximas devido ao ‘pequeno’ tamanho grupo, também foi incluído um ‘olhar externo’ de outros grupos. Eliziane Vieira de Araujo, da Aopa, veio ao nosso seminário de ‘agricultura integrada localmente’ expor detalhadamente o sistema e o espírito da execução (2).

Os Voedselteams[1] flamengos – criados pela (ex)Elcker-Ik Leuven, Wervel e (ex)Coopibo (agora Vredeseilanden [Ilhas de Paz]) – são um modelo comparável, ainda que, em Flandres, não se trate somente produção agroecológica. Em Flandres há mais modelos. Eles foram listados por Maarten Cleiren por ocasião do Wervel-forum (3).

 

‘Pense globalmente, alimente-se localmente’ é realmente uma visão com poder de mobilizar multidões.

Global no local. E semear com a diversidade de sementes da região.

 

Curitiba, Dia Mundial da Água,

22 de março de 2006.

 

(1)   Veja o mapa-múndi dos ‘centros de origem das espécies cultivadas segundo Vavilov’ no site <http://www.wervel.be/voedselsituatie-en-handel/herkomst-gewassen-volgens-vavilov.html> [em holandês]. Neste mapa é possível ver a origem de nossos alimentos. No caso do milho, é o México; do trigo, a região do Mar Mediterrâneo; do centeio, o noroeste da Europa.

(2)   Veja a publicação Lokaal verweven landbouw [Agricultura integrada localmente]: relatório do Colóquio de Wervel, Vredeseilanden, Fian, Oxfam Solidariedade e Steunpunt Duurzame Landbouw [Ponto de Apoio à Agricultura Sustentável]. Bruxelas outubro de 2003 – publicado em 2004, ISBN n.o 9080520136.

(3)    Van boer tot bord’ [Do agricultor ao prato’], Maarten Cleiren, Wervelforum 2, Wervel 1999.


[1] Grupos organizados, em Flandres, que buscam restabelecer o elo entre produtores e consumidores. Um selo de qualidade garante que os produtos vêm diretamente do produtor.

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