Seis anos de vigília e espera

Roberto de Souza Batista, da ‘Associação Dom Tomás Balduíno’, em Goiás, toma a palavra. Ao final do dia, nos entregam papeizinhos, para mantermos contato. E para mandar fotos. Num desses cartões de visitas artesanais, com caligrafia firme está escrito ‘Roberto de …’. Um papelzinho com alma e história, muito diferente dos muitos cartões de visitas que recebo diariamente no mundo das ONGs ou em conferências internacionais.

Roberto, com um boné do MST: “Há seis anos, começamos nossa luta por terras. Houve uma seqüência de desistências, reduzindo o grupo de centenas de pessoas às 62 famílias que somos agora. É normal que nem todas as famílias agüentem esta vida dura. Nós mesmos, muitas vezes, quase perdemos as esperanças, mas agora, finalmente, temos perspectiva de conseguir nosso assentamento. Só falta resolver detalhes burocráticos e isto pode levar muito tempo no Brasil. Estamos orgulhosos de – após todos estes anos – termos conseguido nossa terra por meio de negociações, sem nunca termos lançado mão de violência.”

 

[Foto 43]

Sexta-Feira Santa com os sem-terra

 

Alguém pergunta: “Você está usando um boné do MST. Este é um das centenas de acampamentos do MST em todo o país?” Roberto: “Nós devemos muito ao MST. Durante muito tempo, fizemos parte do MST, mas agora seguimos nosso próprio caminho, ainda que mantenhamos boas relações com o movimento mais amplo.”

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