Saúde: controle de peso, necessidade inadiável

Antônio Carlos Worms Till

 

Cardiologista e diretor do Vita Check-up Center

Médicos, nutricionistas e outros profissionais da área de saúde não se cansam de alertar os clientes para a importância do controle de peso. Acreditamos, porém, que alguns dados ajudam a entender melhor a razão de tanta insistência.

Recentemente surgiram duas interessantes observações sobre o valor do controle de peso na prevenção do diabetes tipo 2 (aquele que surge na vida adulta) e da doença cardíaca.

Em artigo publicado no Jornal da Associação Americana de Nutrição, onde foram analisados trabalhos envolvendo 342 diabéticos obesos, constatou-se que a obesidade (índice de massa corporal acima ou igual a 30kg/m²) aumentava em 90 vezes o risco de uma pessoa desenvolver diabetes e seis vezes o risco de doença coronária. Em diabéticos, a chance de morte por doença coronariana é de 70 a 80%.

Neste mesmo estudo os autores observaram que, quando os diabéticos obesos conseguiam perder peso, havia um controle muito melhor da doença e uma redução importante nas taxas de colesterol, triglicerídeos e nos níveis da pressão arterial.

Estes dados são bastante impressionantes e levam os autores a recomendar maior ênfase no controle de peso como item primeiro e talvez o de maior relevância na abordagem do diabético tipo 2 obeso, devendo ser respeitado o limite máximo do índice de massa corporal de 25kg/m².

Na última reunião da American Heart Association, realizada em novembro, em Orlando, na Flórida, uma das comunicações que mais chamaram a atenção foi a de um trabalho que comparou os quatro tipos de dieta bastante conhecidos: a dieta de Atkins, baseada em redução radical de carboidratos e aumento da oferta de proteínas e gorduras; a de Ornish (médico do casal Clinton), vegetariana e com conteúdo muito baixo de gorduras; a dos Vigilantes do Peso, que preconiza uma redução moderada de gorduras e reeducação alimentar; e a Zone (dieta da Zona ou do ponto Z), com base na redução de carboidratos e consumo de ''gorduras saudáveis''- as insaturadas e poliinsaturadas.

Foi estudado um grupo de 160 pacientes (50% de cada sexo), com 15 a 40 quilos acima do peso ideal, que escolheram uma dentre as quatro dietas e foram acompanhados pelo período de 12 meses.

As dietas de pior aceitação pelos pacientes foram a de Ornish e a de Atkins, com cerca de 50% de desistência ao fim do estudo. Em termos de perda de peso, a maior foi observada no grupo que adotou a dieta de Ornish.

A de melhor resultado foi a dos Vigilantes do Peso, que ratificou a importância da reeducação alimentar quando tratamos de redução efetiva e permanente do peso corporal.

O que causou bastante surpresa foi a constatação de que, em termos de redução do risco de doença coronariana, justamente a dieta de Ornish mostrou o índice mais baixo, apesar de ter sido a que promoveu maior diminuição dos níveis de LDL-colesterol, o tipo ruim, e da insulina no sangue. Ocorre que ela também levou a uma redução nos níveis de HDL-colesterol, o tipo bom, impedindo portanto a ação benéfica deste colesterol em nosso organismo.

Ornish, que estava presente quando foi feita a apresentação destes resultados, afirmou que o fato de o HDL-colesterol manter-se baixo não era importante, pois a função principal dele seria a limpeza dos outros tipos de colesterol de nosso sangue. Como estes estariam reduzidos com a dieta, não precisariam de nada para removê-los.

Controvérsias à parte, a grande conclusão é de que o controle de peso traz inúmeros efeitos benéficos ao organismo e à nossa vida como um todo. Deve-se sempre estar acompanhado de um médico, realizando o check-up periodicamente e atento para o item da reeducação alimentar, que, sem dúvida, é a grande ferramenta para a manutenção de um peso saudável.

[05/DEZ/2003]

Fonte: Jornal do Brasil

 

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