Rossana Coelho Neto – Recife

    Oi amigos veg, 

    Vou contar minha história de vegetarianismo. Tenho mais de vinte anos de 
    mudança de alimentação. É um bom tempo. Foi após conhecer o movimento Hare Krishna e ver que aquela era uma opção correta de alimentação. Na época, treinava diariamente e não senti nada de diferente, nem fraqueza, nem qualquer coisa. 

    Confesso que gostava de comer carne, mas a consciência não permitia aquela barbaridade. Tive dois filhos saudáveis, graças a Deus, os médicos ficavam muito ansiosos e preocupados por não comer carne. Não tive cáries ou qualquer coisa. Tinha anemia na segunda gravidez sim, mas por não saber combinar os alimentos, ou saber do ph meio ácido para assimilação do ferro e vegetais verde escuros. Ia mais para a beterraba. Mas venci. 
    Hoje, um é vegetariano com quatorze anos e a outra não, esta tem treze. 
    Não forço. Converso e dou exemplo. Não proibi que comessem hamburgueres, pelo menos provassem. 

    Quando tinha uns doze anos de vegetarianismo, tive uma apendicite aguda, 
    aliás, uma peritonite aguda e me recuperei em tempo rápido, o que fazia o 
    cirurgião levar outros colegas para me conhecerem. Atribuiu à minha idade 
    na época, à recuperação rápida, e não acreditou na alimentação. 

    Não procuro convencer ninguém, e procuro conviver da melhor forma possível 
    com os carnívoros. Mas o cheiro de carne e sangue me afastam. Olho nos 
    supermercados aquelas pessoas comprando ansiosas pedaços de pernas de bois, aquelas galinhas inteiras, onde nem disfarça a forma de bicho morto…E aqueles porquinhos congelados inteiros, heim? É o fim! 
    Até entendo quando só vêem o bife de peito de aves congelado e não 
    associam ao animal. Não parece muita coisa mesmo. Mas quando comem vendo todas as formas do animal morto, é demais. Só entre amigos, digo que a galinha à cabidela é comida de vampiro, com o cadáver cozido no próprio sangue… Heheheehh  

    Mas não me levem a mal, não sou radical, não intimido um carnívoro nem 
    faço apologia do vegetarianismo, apenas sou. Mas me sinto um ET, pelo menos aqui no Nordeste, onde a opção pela carne é enorme. Sou objeto de curiosidade nas festas e almoços de amigos. Não gosto disso. 

    Somos, eu e os carnívoros, como seres de dois planetas que apenas vivem 
    juntos. Eu não os entendo e eles não me entendem. Mas convivemos. 
    Tenho irmãos vegetarianos, amigos, conhecidos, mas poucos. 

    Vejo, com alegria que as diversas correntes filosóficas indicam o 
    vegetarianismo como ideal, como os adventistas, os hinduístas, os 
    espíritas, os umbandistas e pessoas de destaque de diversas religiões e da 
    ciência. 

    Penso que deveríamos nos reunir mais, formar grupos, divulgar outras 
    formas de alimentação, divulgar como se obtém a alimentação que é oferecida a eles, enfim, uma associação de vegetarianos. 

    Curioso, já fui militante de movimento ecológico e os próprios colegas não 
    entendiam, diziam que queríamos demais, que éramos puristas… Sempre com aquelas piadinhas de capins e moitas. 

    É isso, enchi a paciência de vocês. Queria dar meu depoimento. 
    Um abraço,  

    Rossana, Recife, Pernambuco

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